~ BIANCA ~
No minuto em que saí daquela sala do jurídico, com a palavra grávida ecoando em tudo, eu já estava no corredor, com o celular na mão, o coração batendo alto demais para um corpo que ainda devia estar agradecendo por estar vivo.
Não dava para contar para o Nico só com uma frase jogada no meio do caos da casa.
Não dava para dizer “estou grávida” como quem diz “acabou o leite”.
E, principalmente… eu precisava ver. Precisava ter certeza com os meus próprios olhos. Um papel. Um carimbo. Um número.
Porque o medo tem uma forma cruel de sussurrar: e se for um engano?
E a esperança, quando já foi quebrada uma vez, aprende a pisar com cuidado.
Pedi a minha secretária para remarcar o que fosse possível. Liguei para o meu médico. Recebi um encaixe.
O hospital cheirava a desinfetante e ansiedade. E isso foi o suficiente para fazer o estômago revirar.
Passei por recepção, assinatura, pulseira, aquelas etapas automáticas em que você vira paciente antes de virar pessoa. Fiz o exame. Esperei.
Na sala de espera, eu olhava para as minhas mãos como se elas fossem de outra mulher. O anel no dedo brilhava e, pela primeira vez, eu pensei que ele tinha peso de verdade — não só promessa, mas consequência.
Quando chamaram meu nome, eu me levantei rápido demais. Quase tropecei. Me sentei na frente do médico tentando parecer alguém que não estava prestes a desmoronar ou voar.
Ele abriu o prontuário com uma calma insuportável.
— Bianca… sim. Confirmado.
A palavra “confirmado” me atravessou como um raio.
— Grávida — ele disse, e, quando viu meu rosto, suavizou. — Poucas semanas. Mas a evolução está compatível. Os exames estão bons. A gestação está em andamento.
Eu não respondi de imediato. Só respirei, como se eu tivesse passado muito tempo prendendo ar.
— E… — minha voz saiu pequena. — Está tudo bem? Depois do acidente, das medicações…
Ele assentiu com firmeza clínica.
— Precisamos observar. Mas, neste momento, está tudo bem. Vamos fazer um plano de acompanhamento mais próximo, claro. Mas, Bianca… você pode se permitir ficar feliz.
Permitir.
Como se a felicidade precisasse de autorização.
Eu saí do consultório com um envelope pardo nas mãos. Pesado demais para ser apenas papel.
Do lado de fora, o ar de Florença parecia mais limpo do que o de minutos atrás. Ou talvez fosse eu, que estava diferente.
No caminho de volta para casa, eu pensei em contar por telefone. Pensei em mandar uma foto do exame. Pensei em aparecer na Tenuta e jogar o envelope no peito dele, na frente da obra, na frente de todo mundo, e exigir que ele sentisse comigo.
Mas eu queria outra coisa.
Eu queria um momento só nosso.
Sem Renata. Sem advogados. Sem audiência. Sem medo.
Eu queria uma memória bonita. Uma que ela não pudesse tocar.
Quando cheguei em casa, a rotina estava acontecendo como se o universo não tivesse acabado de colocar um coração novo dentro do meu corpo.
Martina estava na cozinha. O cheiro de algo assando me recebeu antes mesmo do “boa tarde”.
Eu parei na porta, respirando.
Depois entrei.
— Bianca! — Martina apareceu, limpando as mãos no avental. O sorriso dela congelou quando ela me viu de perto. — Está tudo bem?
Eu olhei para o envelope na minha mão e, por um segundo, senti o coração ameaçar disparar de novo.
— Está — eu disse. E foi verdade. Uma verdade nova, frágil e brilhante. — E… eu preciso de você.
Martina franziu as sobrancelhas, já preocupada.
— Aconteceu alguma coisa com o Nico?
A mão dela tocou meu rosto por um segundo, um carinho rápido, maternal.
— Minha menina… — Martina sussurrou, e a palavra me acertou em cheio.
Martina sempre me tratou com esse tipo de carinho firme, de quem acolhe sem perguntar se pode.
Só que, naquele instante, a emoção dela era outra: não era só alegria por mim. Era a sensação de que algo estava se tornando definitivo. Que eu não era mais apenas “a Bianca do Nico”. Eu estava virando parte da família, do sangue, da história.
— Não fala assim — eu tentei brincar, mas a voz falhou no meio.
Ela sorriu com os olhos molhados.
— Eu falo como eu quiser — respondeu, com a teimosia doce que só pessoas realmente boas se permitem. — Eu vi você entrar na Tenuta quebrada, fingindo que não estava. Vi você atravessar coisa que ninguém deveria atravessar. E agora…
Ela olhou para o envelope na minha mão como se fosse uma bênção.
— Agora você vai dar notícia de vida.
A frase fez meu peito apertar de novo, mas de um jeito diferente. Quase bonito demais para doer.
Martina enxugou uma lágrima com as costas da mão e endireitou o avental, tentando voltar ao papel dela — como se o papel fosse uma armadura necessária.
— Tá — ela disse, firme, como quem assume missão. — Um jantar no quarto. A dois. Do jeito que ele merece e do jeito que você merece também. Eu cuido da Bella. Eu cuido da casa. E você… você só cuida desse momento.
Eu apertei o envelope com mais força.
Porque, de repente, eu entendi: o que eu estava preparando não era só uma surpresa para o Nico.
Era um ponto de virada.
Uma linha que a Renata não cruzaria.
E eu tive certeza de uma coisa simples e poderosa:
Hoje, a vida ia ganhar. Custasse o que custasse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....