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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 661

~ BIANCA ~

A casa inteira pareceu entrar em conspiração.

Não de um jeito mágico — de um jeito prático, italiano, quase militar. Martina não fez festa, não fez alarde, não fez perguntas demais. Só arregaçou as mangas como quem diz: certo, vamos fazer isso direito.

E, por alguns minutos, eu deixei que ela conduzisse.

— Você vai ficar aqui — Martina disse, me empurrando para uma cadeira da cozinha com uma firmeza carinhosa. — E vai beber água.

— Eu não estou doente — murmurei, obedecendo mesmo assim.

— Está grávida — ela corrigiu, como se aquilo explicasse tudo. — E está pálida. Água.

Eu bebi. E, por um segundo, eu me vi pelo olhar dela: alguém que passou tempo demais tentando ser invencível, e agora precisava ser só… humana.

Martina abriu a geladeira, avaliou ingredientes como um general avaliando terreno.

— Nada pesado — ela decretou. — Hoje é noite de coração, não de estômago.

Eu quase ri.

— Isso foi profundo vindo de você.

Ela me lançou um olhar que era metade censura, metade humor.

— Eu criei o Nico. Eu sei quando ele come porque está feliz e quando ele come porque está tentando não sentir.

A frase me apertou por dentro — porque era verdade. E porque tinha uma ternura escondida ali que me lembrava o que eu estava prestes a dar a ele.

Montamos tudo com cuidado.

Martina preparou um jantar simples, mas bonito: massa leve, molho suave, uma salada com aquelas folhas que ela sempre conseguia fazer parecerem mais verdes. Nada exagerado. Nada teatral. Só… aconchego.

Eu quis fazer a sobremesa.

Por teimosia. Por simbolismo. Por necessidade de participar com as mãos e não só com o coração.

— Bianca… — Martina começou, desconfiada.

— Eu sei — eu cortei, antes que ela me salvasse cedo demais. — Eu sei que vai dar errado. Mas eu quero tentar.

Ela me olhou por um instante e, em vez de rir, assentiu. Como se entendesse que aquilo não era sobre açúcar.

— Então tenta — disse. — E eu fico de guarda.

Foi um desastre controlado.

Eu tentei derreter chocolate e mexi com força demais, como se mexer mais pudesse me dar controle sobre alguma coisa. Quase queimei. Fiz uma fumaça pequena que me fez abrir a janela rápido demais, tossindo e rindo ao mesmo tempo, uma risada nervosa, ridícula.

Martina viu a minha cara, viu a panela e não disse “eu avisei”.

Apenas tomou a colher da minha mão com uma naturalidade elegante.

— Você tenta e eu salvo — ela falou, e eu quase chorei de gratidão ali mesmo.

No fim, a sobremesa ficou apresentável: um potinho com algo cremoso e chocolate por cima. Não era gastronomia moderna, eu preciso admitir. Era apenas eu tentando construir uma lembrança com as próprias mãos.

Quando anoiteceu, Martina cumpriu a parte dela com perfeição.

— Bella, hoje vamos para o quarto cedo — eu a ouvi dizer, firme e doce ao mesmo tempo. — É noite de filme.

Pouco depois, ouvi a porta do quarto de hóspedes fechar.

Silêncio.

Um silêncio raro. Quase sagrado.

Meu coração começou a bater tão alto que eu pensei que o Nico ouviria antes mesmo de ver.

Eu levei a bandeja para o quarto e arrumei tudo como se eu fosse uma mulher normal, que faz essas coisas com frequência. Como se eu não tivesse passado o dia inteiro com uma avalanche dentro do peito.

Acendi uma luz menor. Deixei o ambiente mais macio. Troquei de roupa — não sensual, não pensada. Só bonita. Eu queria me sentir bem dentro da minha pele, como se o meu corpo não tivesse sido só lugar de sobrevivência nos últimos meses.

Depois fiquei com o envelope na mão, andando pelo quarto como uma adolescente esperando alguém chegar.

E se ele não reagir?

E se ele travar?

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