~ BIANCA ~
A casa inteira pareceu entrar em conspiração.
Não de um jeito mágico — de um jeito prático, italiano, quase militar. Martina não fez festa, não fez alarde, não fez perguntas demais. Só arregaçou as mangas como quem diz: certo, vamos fazer isso direito.
E, por alguns minutos, eu deixei que ela conduzisse.
— Você vai ficar aqui — Martina disse, me empurrando para uma cadeira da cozinha com uma firmeza carinhosa. — E vai beber água.
— Eu não estou doente — murmurei, obedecendo mesmo assim.
— Está grávida — ela corrigiu, como se aquilo explicasse tudo. — E está pálida. Água.
Eu bebi. E, por um segundo, eu me vi pelo olhar dela: alguém que passou tempo demais tentando ser invencível, e agora precisava ser só… humana.
Martina abriu a geladeira, avaliou ingredientes como um general avaliando terreno.
— Nada pesado — ela decretou. — Hoje é noite de coração, não de estômago.
Eu quase ri.
— Isso foi profundo vindo de você.
Ela me lançou um olhar que era metade censura, metade humor.
— Eu criei o Nico. Eu sei quando ele come porque está feliz e quando ele come porque está tentando não sentir.
A frase me apertou por dentro — porque era verdade. E porque tinha uma ternura escondida ali que me lembrava o que eu estava prestes a dar a ele.
Montamos tudo com cuidado.
Martina preparou um jantar simples, mas bonito: massa leve, molho suave, uma salada com aquelas folhas que ela sempre conseguia fazer parecerem mais verdes. Nada exagerado. Nada teatral. Só… aconchego.
Eu quis fazer a sobremesa.
Por teimosia. Por simbolismo. Por necessidade de participar com as mãos e não só com o coração.
— Bianca… — Martina começou, desconfiada.
— Eu sei — eu cortei, antes que ela me salvasse cedo demais. — Eu sei que vai dar errado. Mas eu quero tentar.
Ela me olhou por um instante e, em vez de rir, assentiu. Como se entendesse que aquilo não era sobre açúcar.
— Então tenta — disse. — E eu fico de guarda.
Foi um desastre controlado.
Eu tentei derreter chocolate e mexi com força demais, como se mexer mais pudesse me dar controle sobre alguma coisa. Quase queimei. Fiz uma fumaça pequena que me fez abrir a janela rápido demais, tossindo e rindo ao mesmo tempo, uma risada nervosa, ridícula.
Martina viu a minha cara, viu a panela e não disse “eu avisei”.
Apenas tomou a colher da minha mão com uma naturalidade elegante.
— Você tenta e eu salvo — ela falou, e eu quase chorei de gratidão ali mesmo.
No fim, a sobremesa ficou apresentável: um potinho com algo cremoso e chocolate por cima. Não era gastronomia moderna, eu preciso admitir. Era apenas eu tentando construir uma lembrança com as próprias mãos.
Quando anoiteceu, Martina cumpriu a parte dela com perfeição.
— Bella, hoje vamos para o quarto cedo — eu a ouvi dizer, firme e doce ao mesmo tempo. — É noite de filme.
Pouco depois, ouvi a porta do quarto de hóspedes fechar.
Silêncio.
Um silêncio raro. Quase sagrado.
Meu coração começou a bater tão alto que eu pensei que o Nico ouviria antes mesmo de ver.
Eu levei a bandeja para o quarto e arrumei tudo como se eu fosse uma mulher normal, que faz essas coisas com frequência. Como se eu não tivesse passado o dia inteiro com uma avalanche dentro do peito.
Acendi uma luz menor. Deixei o ambiente mais macio. Troquei de roupa — não sensual, não pensada. Só bonita. Eu queria me sentir bem dentro da minha pele, como se o meu corpo não tivesse sido só lugar de sobrevivência nos últimos meses.
Depois fiquei com o envelope na mão, andando pelo quarto como uma adolescente esperando alguém chegar.
E se ele não reagir?
E se ele travar?
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....