~ RENATA ~
Dirigir até Florença era uma humilhação que eu engolia com dentes cerrados.
Não pela estrada — a Toscana sempre foi bonita demais para merecer gente como eu e como eles — mas pelo simbolismo. Antes, Bella vinha até mim. Agora eu era quem tinha que atravessar colinas, pedágios, placas e curvas para “pegar minha filha” na cidade dela. Na cidade deles. Na cidade onde a Bianca Bellucci respirava como se o ar tivesse sido inventado para os pulmões dela.
A cada quinze dias.
Como se eu fosse um compromisso de agenda.
Como se eu fosse uma visita.
Eu estacionei com precisão cirúrgica, desliguei o motor e fiquei alguns segundos com as mãos no volante. O couro ainda guardava o calor dos meus dedos. O carro cheirava a perfume caro e a raiva antiga.
Calma, Renata.
Eu me olhei no espelho do retrovisor. Batom intacto. Cabelo perfeito. Olhar afiado o suficiente para cortar metal.
Eu não perderia o controle.
Não hoje.
Hoje era dia de Bella. E Bella era, sempre, a peça que importava.
Ela saiu do prédio com a mochila maior do que o corpo, o casaco aberto e aquele jeito de quem tenta parecer mais velha do que é — provavelmente porque o pai dela achava “fofo” e a Bianca incentivava “autonomia”.
Quando me viu, o rosto dela abriu num sorriso que eu demorei semanas para ganhar.
No começo, Bella era pedra. Me recebia com educação seca, como se estivesse repetindo o que o pai tinha ensinado.
Mas eu aprendi rápido a fórmula: não discutir com o pai na frente dela. Não falar da Bianca como vilã. Só ouvir. Só concordar. Só dizer as frases que criança guarda como salvação: eu acredito em você, você não está errada, eu estou aqui.
Constância faz milagre. Ou, pelo menos, imita muito bem.
— Mamãe! — ela correu e me abraçou com força.
Eu me agachei para recebê-la e beijei a testa dela.
— Meu amor. Você está linda.
— Eu comi macarrão ontem — ela anunciou, como se fosse uma notícia importante.
— Uau. — Eu sorri. — Que… emocionante.
Bella riu, e eu senti uma pontada estranha, rápida, quase irritante no peito. Algo que lembrava… ternura. Eu empurrei aquilo para longe como quem empurra poeira da roupa.
— Vamos? — eu disse, pegando a mão dela. — Eu escolhi um lugar que você vai gostar.
Eu podia ter levado Bella a um restaurante elegante, claro. Podia ter transformado o dia numa vitrine do que eu era capaz de dar. Mas crianças não ligavam para guardanapo de linho. Crianças ligavam para queijo derretido e coisas simples.
A pizzaria era pequena, quente, barulhenta. Cheiro de massa assando e tomate. Bella se animou na hora.
— Posso pedir com batata frita em cima? — ela perguntou, olhos brilhando.
— Pode pedir o que quiser — eu disse, e isso não era só generosidade. Era estratégia. Criança bem alimentada e feliz fala mais. Abaixa a guarda.
Nos sentamos num canto. Eu pedi uma taça de vinho. Pedi a pizza dela. E, enquanto ela falava sem parar sobre alguma coisa na escola — um desenho, uma competição, uma menina que “não sabe dividir” — eu observava as notificações piscando no meu celular.
Eu não precisava procurar por fofoca.
A fofoca me achava.
“Bellucci e Montesi: casamento relâmpago e bebê a caminho?”
Eu li a manchete sem mudar a expressão. Só a ponta dos meus dedos apertou o copo por um segundo.
Então era verdade.
Eu já suspeitava do casamento, é claro. Inclusive, fazia parte dos meus planos, não é? Mas... um bebê?
Bella deu uma mordida na pizza e fez “hmm” satisfeita, toda melada de queijo.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....