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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 663

~ RENATA ~

Eu apertei a mão dela com cuidado, como se eu estivesse protegendo.

Como se eu tivesse acabado de dizer algo doloroso só por amor.

E esperei a verdade fazer o resto sozinha.

Bella olhou para a própria fatia de pizza como se a pizza tivesse ficado mais pesada.

— Mas ela gosta de mim — Bella insistiu, como quem tenta segurar uma certeza.

Eu sorri, maternal, e foi aí que eu fiz a coisa mais perigosa: concordei antes de torcer.

— Eu acho que ela gosta, sim. — Eu passei o polegar na mão dela, um carinho. — Só que… pessoas são complicadas. Às vezes elas gostam e, ainda assim, querem um lugar que seja só delas.

Bella piscou.

— Um lugar?

— Uma família “certinha”, sabe? — eu falei como se fosse uma coisa do mundo. — Papai, mamãe e bebê. Sem bagunça. Sem passado. Sem… nada lembrando que existiu uma vida antes.

Eu vi a Bella ficar imóvel.

E eu suavizei, como se eu tivesse me arrependido de ter dito demais.

— Eu não estou dizendo que vai acontecer — eu menti com elegância. — Eu só… eu fico pensando porque você é minha filha e eu… eu percebo coisas.

Bella engoliu outra vez.

— Tipo o quê?

Eu baixei os olhos por um segundo, como se fosse difícil admitir.

— Tipo… você já reparou como, quando adulto quer muito alguma coisa, ele começa a falar “você já é grande”? — Eu perguntei como se fosse inocente. — “Você já entende.” “Você já dá conta.” “Você já pode ficar sozinha um pouquinho.”

Eu vi a Bella morder o lábio.

— Eu odeio quando falam isso — ela disse, e a voz ficou mais fina. A criança aparecendo.

— Eu também odiava quando falavam — eu respondi rápido, e isso foi verdade suficiente para parecer sincero. — E com bebê… isso acontece muito.

Eu deixei o silêncio respirar de novo.

— Porque bebê chora — eu continuei, leve, quase didática. — Bebê precisa de colo. Bebê precisa de atenção. E aí vira tudo sobre… o bebê.

Bella largou a pizza no prato.

— Mas… — ela respirou mais rápido. — Mas papai vai gostar mais do bebê?

Eu inclinei o rosto, com pena ensaiada.

— Eu não sei, meu amor. — Apertei as mãos dela. — Eu sei que o seu pai te ama. Eu sei. Mas… amor não impede a gente de errar quando está cansado, quando está ocupado, quando está encantado com coisa nova.

Coisa nova. Eu falei como quem não quis dizer.

Bella começou a tremer o queixo.

— Ele vai… ele vai me esquecer.

— Não, não… — eu corri para segurar as mãos dela com mais firmeza. — Olha pra mim. Você não vai ficar sozinha. Nunca. Entendeu? A mamãe está aqui.

As lágrimas caíram rápido, com raiva.

— Eu quero que seja só eu e o papai.

Eu assenti, como se aquilo fosse legítimo e possível.

— Eu sei, amor. Eu sei. — E aí eu coloquei a frase final, a âncora. — E, se algum dia você sentir que está sobrando… você me liga. Você vem comigo. Você fala comigo. A mamãe vai estar sempre aqui.

E eu terminei meu vinho com calma.

O resto do dia foi um passeio que eu fiz questão de parecer perfeito. Sorvete. Uma lojinha de brinquedos. Uma tiara. Uma lembrancinha para “levar para casa”.

Eu queria que Bella entrasse naquela casa carregando algo meu.

Uma marca. Um lembrete.

Quando o sol já tinha começado a baixar, eu a levei de volta.

Vi o Nico na porta, como se estivesse esperando há tempo demais.

Ele sorriu quando viu Bella.

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