~ RENATA ~
Eu apertei a mão dela com cuidado, como se eu estivesse protegendo.
Como se eu tivesse acabado de dizer algo doloroso só por amor.
E esperei a verdade fazer o resto sozinha.
Bella olhou para a própria fatia de pizza como se a pizza tivesse ficado mais pesada.
— Mas ela gosta de mim — Bella insistiu, como quem tenta segurar uma certeza.
Eu sorri, maternal, e foi aí que eu fiz a coisa mais perigosa: concordei antes de torcer.
— Eu acho que ela gosta, sim. — Eu passei o polegar na mão dela, um carinho. — Só que… pessoas são complicadas. Às vezes elas gostam e, ainda assim, querem um lugar que seja só delas.
Bella piscou.
— Um lugar?
— Uma família “certinha”, sabe? — eu falei como se fosse uma coisa do mundo. — Papai, mamãe e bebê. Sem bagunça. Sem passado. Sem… nada lembrando que existiu uma vida antes.
Eu vi a Bella ficar imóvel.
E eu suavizei, como se eu tivesse me arrependido de ter dito demais.
— Eu não estou dizendo que vai acontecer — eu menti com elegância. — Eu só… eu fico pensando porque você é minha filha e eu… eu percebo coisas.
Bella engoliu outra vez.
— Tipo o quê?
Eu baixei os olhos por um segundo, como se fosse difícil admitir.
— Tipo… você já reparou como, quando adulto quer muito alguma coisa, ele começa a falar “você já é grande”? — Eu perguntei como se fosse inocente. — “Você já entende.” “Você já dá conta.” “Você já pode ficar sozinha um pouquinho.”
Eu vi a Bella morder o lábio.
— Eu odeio quando falam isso — ela disse, e a voz ficou mais fina. A criança aparecendo.
— Eu também odiava quando falavam — eu respondi rápido, e isso foi verdade suficiente para parecer sincero. — E com bebê… isso acontece muito.
Eu deixei o silêncio respirar de novo.
— Porque bebê chora — eu continuei, leve, quase didática. — Bebê precisa de colo. Bebê precisa de atenção. E aí vira tudo sobre… o bebê.
Bella largou a pizza no prato.
— Mas… — ela respirou mais rápido. — Mas papai vai gostar mais do bebê?
Eu inclinei o rosto, com pena ensaiada.
— Eu não sei, meu amor. — Apertei as mãos dela. — Eu sei que o seu pai te ama. Eu sei. Mas… amor não impede a gente de errar quando está cansado, quando está ocupado, quando está encantado com coisa nova.
Coisa nova. Eu falei como quem não quis dizer.
Bella começou a tremer o queixo.
— Ele vai… ele vai me esquecer.
— Não, não… — eu corri para segurar as mãos dela com mais firmeza. — Olha pra mim. Você não vai ficar sozinha. Nunca. Entendeu? A mamãe está aqui.
As lágrimas caíram rápido, com raiva.
— Eu quero que seja só eu e o papai.
Eu assenti, como se aquilo fosse legítimo e possível.
— Eu sei, amor. Eu sei. — E aí eu coloquei a frase final, a âncora. — E, se algum dia você sentir que está sobrando… você me liga. Você vem comigo. Você fala comigo. A mamãe vai estar sempre aqui.
E eu terminei meu vinho com calma.
O resto do dia foi um passeio que eu fiz questão de parecer perfeito. Sorvete. Uma lojinha de brinquedos. Uma tiara. Uma lembrancinha para “levar para casa”.
Eu queria que Bella entrasse naquela casa carregando algo meu.
Uma marca. Um lembrete.
Quando o sol já tinha começado a baixar, eu a levei de volta.
Vi o Nico na porta, como se estivesse esperando há tempo demais.
Ele sorriu quando viu Bella.
E eu vi, finalmente, o pânico.
— Renata… — a voz dele saiu baixa, perigosa. — O que você fez?
Eu inclinei levemente a cabeça, como se ele estivesse sendo exagerado. Como se eu fosse a adulta responsável naquela cena.
— Eu? — eu disse, com calma. — Eu só passei o dia com a minha filha.
Ele apertou o maxilar.
— Ela não inventa essas coisas do nada.
Bella soluçou alto, agarrando a própria mochila como se fosse escudo.
Nico fechou os olhos por um instante. Quando abriu, a acusação estava inteira.
— Você contou pra ela.
Eu deixei o silêncio durar um pouco. O suficiente para ele sentir. O suficiente para doer.
Então eu sorri. Pequeno. Quase educado.
— Ah. — Eu dei de ombros, como se fosse um detalhe irrelevante. — Vocês ainda não tinham contado pra ela sobre a gravidez?
Eu fiz uma pausa leve, inocente de propósito.
— Ops.
E, antes que ele dissesse qualquer coisa, eu dei um beijo no topo da cabeça da Bella — rápido, como selo de posse — e me virei para ir embora.
— Eu te ligo, meu amor — eu disse, doce. — A mamãe vai estar sempre aqui.
Passei pelo Nico sem olhar para ele de novo.
Porque eu não precisava.
Eu já tinha deixado a minha mensagem clara.
E a melhor parte era que eu nem tinha precisado levantar a voz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....