~ NICOLÒ ~
Renata já tinha ido embora quando eu consegui respirar de verdade, mas o estrago ficou como vidro moído no chão: invisível, impossível de pisar sem se cortar.
Bella não parava de chorar. Não era aquele choro “dramático” de criança contrariada. Era um choro com raiva e medo misturados, como se alguém tivesse puxado o tapete do mundo dela e agora ela estivesse tentando, com o corpo inteiro, não cair.
— Princesa… — eu tentei de novo, ajoelhado na altura dela. — Olha pra mim.
Ela virou o rosto com violência e esfregou as lágrimas na manga, como se estivesse com vergonha de estar chorando.
— Você mentiu pra mim! — ela gritou.
A palavra me atingiu no peito.
— Eu não menti. Eu só… — Eu parei, porque “eu só não contei” era, no idioma dela, exatamente a mesma coisa. — Eu errei. Eu devia ter falado com você.
O lábio dela tremeu. O queixo tremeu. Os olhos ficaram enormes.
— Você vai embora — ela repetiu, numa voz menor, quase sem ar. — Você vai me deixar e vai ficar só com o bebê.
Meu instinto foi negar na hora. Mas eu reconheci o que minha mãe sempre dizia: quando criança está com medo, você não discute com o medo. Você segura.
— Você está com medo — eu disse, devagar, colocando as duas mãos nos joelhos para não tentar tocar nela de novo e piorar. — Eu entendi.
— Eu não quero! — ela chorou mais alto. — Eu não quero que mude!
— Eu sei — eu respondi. — Eu sei, amor.
Ela fez um som engasgado e saiu correndo escada acima.
Eu fiquei um segundo parado, tentando decidir se a seguia imediatamente ou se esperava o choro baixar. Só que não existia “esperar” quando se tratava de Bella. Quando ela corria daquele jeito, ela não estava procurando distância. Estava pedindo para ser alcançada.
Subi.
A porta estava encostada. Bati duas vezes, leve.
— Bella… sou eu.
— Não! — veio do outro lado, um grito estourado. — Vai embora!
Eu encostei a testa na madeira.
— Eu não vou embora — eu disse. — Eu só vou entrar para conversar. Eu posso?
Silêncio. Um soluço. Depois outro.
Empurrei a porta devagar.
Bella estava sentada na cama com a mochila abraçada contra o peito, como se aquilo fosse uma boia. Ela me olhou com os olhos inchados e brilhando, e meu coração se partiu com uma violência física.
— Você prometeu — ela acusou, num fio de voz. — Você prometeu que era eu.
Eu me aproximei só até o meio do quarto e parei. Não invadi. Não forcei.
— Eu prometi que vou te amar pra sempre — eu disse. — E isso eu não quebro.
Ela balançou a cabeça com raiva.
— Não. Você prometeu que… — ela procurou as palavras, engolindo o choro. — Que eu era… a mais importante.
Meu estômago virou.
— Você é importante — eu falei, firme. — Você é… você é uma parte de mim que ninguém tira.
Bella apertou a mochila.
— Mas o bebê vai ser pequenininho — ela disse, quase sussurrando agora. — E pequenininho ganha colo. E eu já sou grande. E todo mundo fala isso. “Você já é grande”. Aí eu fico… — ela franziu a cara, confusa de tanto sentir. — Eu fico sobrando.
Eu ajoelhei devagar no chão, tentando passar confiança.
— Você não vai sobrar — eu disse. — E se alguém fez você sentir isso hoje… essa pessoa errou com você. Muito.
Ela fungou, e o olhar dela fez uma coisa que me matou: por um segundo ela pareceu aliviada por eu ter chamado aquilo de errado.
— Bella… — ela começou, suave. — Amor, eu...
Bella virou para ela como se tivesse sido atacada.
— NÃO! — ela gritou, e foi um grito puro, sem filtro, sem educação. — Você não é minha mãe!
Bianca parou como se alguém tivesse puxado o ar do quarto.
— Eu sei que eu não sou... — Bianca tentou, devagar, como quem pisa em caco de vidro. — Eu só queria dizer que...
— Eu não quero você! — Bella chorou alto, e o desespero tomou tudo. — Eu quero a minha mãe!
Eu vi Bianca empalidecer.
Vi a mão dela apertar a lateral da porta, como se ela precisasse segurar alguma coisa para não cair.
— Tá — Bianca disse, e a palavra saiu pequena demais para uma mulher como ela. — Tá, meu amor.
Ela não discutiu. Não insistiu. Não tentou “ser madura”.
Ela só deu um passo para trás.
E, antes de ir embora, os olhos dela encontraram os meus por um segundo.
Foi rápido, mas eu vi tudo ali: a dor, o cuidado, e aquela coisa pior que a dor... a culpa.
Bianca se virou e saiu.
O som dos passos dela no corredor foi baixo, mas eu ouvi como se fosse alto. Como se cada passo fosse uma porta fechando.
Bella continuou chorando na cama.
E eu fiquei ajoelhado no chão do quarto, olhando para a porta por onde Bianca tinha ido, com a certeza esmagadora de que Renata não tinha só plantado medo na minha filha.
Ela tinha acabado de arrancar um pedaço de nós três.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....