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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 664

~ NICOLÒ ~

Renata já tinha ido embora quando eu consegui respirar de verdade, mas o estrago ficou como vidro moído no chão: invisível, impossível de pisar sem se cortar.

Bella não parava de chorar. Não era aquele choro “dramático” de criança contrariada. Era um choro com raiva e medo misturados, como se alguém tivesse puxado o tapete do mundo dela e agora ela estivesse tentando, com o corpo inteiro, não cair.

— Princesa… — eu tentei de novo, ajoelhado na altura dela. — Olha pra mim.

Ela virou o rosto com violência e esfregou as lágrimas na manga, como se estivesse com vergonha de estar chorando.

— Você mentiu pra mim! — ela gritou.

A palavra me atingiu no peito.

— Eu não menti. Eu só… — Eu parei, porque “eu só não contei” era, no idioma dela, exatamente a mesma coisa. — Eu errei. Eu devia ter falado com você.

O lábio dela tremeu. O queixo tremeu. Os olhos ficaram enormes.

— Você vai embora — ela repetiu, numa voz menor, quase sem ar. — Você vai me deixar e vai ficar só com o bebê.

Meu instinto foi negar na hora. Mas eu reconheci o que minha mãe sempre dizia: quando criança está com medo, você não discute com o medo. Você segura.

— Você está com medo — eu disse, devagar, colocando as duas mãos nos joelhos para não tentar tocar nela de novo e piorar. — Eu entendi.

— Eu não quero! — ela chorou mais alto. — Eu não quero que mude!

— Eu sei — eu respondi. — Eu sei, amor.

Ela fez um som engasgado e saiu correndo escada acima.

Eu fiquei um segundo parado, tentando decidir se a seguia imediatamente ou se esperava o choro baixar. Só que não existia “esperar” quando se tratava de Bella. Quando ela corria daquele jeito, ela não estava procurando distância. Estava pedindo para ser alcançada.

Subi.

A porta estava encostada. Bati duas vezes, leve.

— Bella… sou eu.

— Não! — veio do outro lado, um grito estourado. — Vai embora!

Eu encostei a testa na madeira.

— Eu não vou embora — eu disse. — Eu só vou entrar para conversar. Eu posso?

Silêncio. Um soluço. Depois outro.

Empurrei a porta devagar.

Bella estava sentada na cama com a mochila abraçada contra o peito, como se aquilo fosse uma boia. Ela me olhou com os olhos inchados e brilhando, e meu coração se partiu com uma violência física.

— Você prometeu — ela acusou, num fio de voz. — Você prometeu que era eu.

Eu me aproximei só até o meio do quarto e parei. Não invadi. Não forcei.

— Eu prometi que vou te amar pra sempre — eu disse. — E isso eu não quebro.

Ela balançou a cabeça com raiva.

— Não. Você prometeu que… — ela procurou as palavras, engolindo o choro. — Que eu era… a mais importante.

Meu estômago virou.

— Você é importante — eu falei, firme. — Você é… você é uma parte de mim que ninguém tira.

Bella apertou a mochila.

— Mas o bebê vai ser pequenininho — ela disse, quase sussurrando agora. — E pequenininho ganha colo. E eu já sou grande. E todo mundo fala isso. “Você já é grande”. Aí eu fico… — ela franziu a cara, confusa de tanto sentir. — Eu fico sobrando.

Eu ajoelhei devagar no chão, tentando passar confiança.

— Você não vai sobrar — eu disse. — E se alguém fez você sentir isso hoje… essa pessoa errou com você. Muito.

Ela fungou, e o olhar dela fez uma coisa que me matou: por um segundo ela pareceu aliviada por eu ter chamado aquilo de errado.

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