~ BIANCA ~
Eu esperei.
Não porque eu fosse covarde demais para estar lá. Mas porque eu ouvi o choro da Bella e reconheci, de longe, o tipo de tempestade que não precisa de plateia. Tempestade de medo. De criança.
Eu fiquei do lado de fora do quarto, encostada na parede do corredor, com a mão pressionando a boca como se isso impedisse algum som de escapar de mim. Como se o mínimo ruído meu pudesse virar mais um motivo para ela me odiar.
Quando ela gritou que eu não era a mãe dela, eu senti a frase atravessar a carne.
Eu sabia que não era.
Eu nunca tentei fingir.
Mas havia um lugar dentro de mim — um lugar silencioso e ridículo — que acreditava que amor, com tempo suficiente, virava família.
Bella tinha me dado esse lugar. Desde o primeiro minuto.
Desde o início, ela não me olhou como intrusa. Me olhou como… alguém. Um adulto seguro. Um porto.
E agora, de repente, ela me olhava como ameaça.
Eu fui para o meu quarto para não desabar no meio da casa. Fechei a porta com cuidado e me sentei na beira da cama. O ar parecia mais pesado do que antes.
Não sei exatamente quanto tempo permaneci na exata mesma posição até eu ouvir passos no corredor, depois a maçaneta.
Nico entrou devagar, fechou a porta atrás de si. Ficou um segundo parado, os ombros caídos, como um pai exausto de segurar uma criança em desespero.
Eu levantei os olhos. Não consegui sorrir.
— Ela dormiu? — perguntei.
Ele assentiu uma vez, curto.
— Dormiu de tanto chorar. — A voz dele estava rouca. — Eu fiquei lá até a respiração dela acalmar. Ela… apagou de cansaço.
Eu engoli seco. Senti o nó no peito apertar mais.
— Ela me amou desde o primeiro minuto — eu disse, sem conseguir impedir. A frase saiu como confissão, como se eu estivesse falando com o único homem no mundo capaz de entender a dor daquele corte. — Nico, ela me amou. Ela vinha atrás de mim pela casa, me mostrava desenho, fazia pergunta… Ela confiava.
A garganta queimou.
— E agora… agora a Renata consegue isso em um dia.
Ele atravessou o quarto e se sentou do meu lado. Não colou o corpo no meu de imediato. Primeiro, só ficou ali, presente, como quem dá espaço para o meu coração escolher se quer ser tocado ou não.
— Bianca — ele falou baixo. — Isso não é sobre você.
Eu ri uma vez. Sem humor.
— Claro que é. — Olhei para minhas mãos, para o anel. Para a pele que parecia não caber em mim. — Ela gritou “eu não quero você”.
Nico soltou o ar.
— Ela gritou porque estava apavorada. — Ele passou a mão no rosto. — E porque a Renata fez o que sempre faz: colocou palavras adultas na boca de uma criança e chamou isso de “preocupação”.
Ele fez uma pausa, como se escolhesse as palavras com cuidado para não me ferir mais.
— A gente precisa de alguém que ajude a Bella a entender… de um jeito que faça sentido pra uma criança. Que ela não está sendo substituída. — A mandíbula dele travou por um segundo, raiva contida. — Que isso é mentira.
Eu senti meus olhos arderem.
Ele segurou minha mão, entrelaçando os dedos.
— E se ela não quiser ouvir? — perguntei. — E se, pra ela, eu virar… o motivo de tudo que mudou?
Nico ficou um segundo em silêncio. Eu vi o cansaço nele, mas também vi a decisão.
— Então eu vou ser a ponte — ele disse. — Eu vou segurar a mão dela e segurar a sua. Mesmo quando ela gritar. Mesmo quando ela me odiar por um dia. Eu aguento. Eu sou o pai dela.
A frase me atingiu com uma doçura amarga.
Eu assenti, mas dentro de mim outra verdade se mexia — uma verdade que eu não queria dizer em voz alta: esse era um péssimo momento para isso tudo estar acontecendo.
Com a primeira audiência de guarda chegando. Com a Renata procurando qualquer rachadura para enfiar uma faca.
Era como se a vida tivesse decidido acelerar tudo ao mesmo tempo.
E a pior parte era que eu não conseguia odiar isso completamente.
Porque, no meio do caos, havia um bebê crescendo dentro de mim.
E eu já me punia por ter medo do que essa alegria podia custar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Olá, detesto ler, não gosto de nada que envolva Romance, mas quando eu vi o a sinopse desse livro pela primeira vez, eu fiquei fascinado gostei bastante do livro das histórias narradas, me fascinaram. Eu não tinha costume de ler porém esse livro me despertou bastante interesse em ler. E sinceramente um homem que não tem costume de ler, estar lendo um livro desse tipo, elogiando o enredo é porque o livro é muito bom....
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....