~ RENATA ~
O telefone tocou antes de eu chegar em casa.
Eu vi o nome do meu advogado no painel do carro e sorri sem mostrar dentes.
Perfeito.
Atendi no viva-voz, com as duas mãos no volante e a expressão calma de quem não fez nada além de cumprir “o direito de mãe”.
— Renata — ele disse. — Acabei de receber uma mensagem do meu estagiário. Sobre a confusão na residência do senhor Montesi.
“Confusão.” Adoro como advogados chamam incêndio de “evento”.
— Confusão é uma palavra bonita — eu respondi, doce. — A Bella teve uma crise. Coisa de criança. Mas eu imagino que o que eu chamo de “coisa de criança” vocês possam chamar de prova.
Ele ficou em silêncio por meio segundo. Calculando.
— Você mencionou que havia rumores sobre uma gravidez.
— Não são rumores — eu corrigi, ainda com o mesmo tom. — Eu vi o suficiente para ter certeza. E eu não precisei inventar nada. A notícia vazou. Perfis de fofoca. Comentários. A cidade inteira falando.
Eu podia ouvir o clique mental dele se encaixando.
— Você está me dizendo que podemos usar isso como fato novo.
— Eu estou te dizendo que é um fato novo — eu respondi. — E que minha filha ouviu do jeito pior possível. Sem preparo, sem cuidado. Na boca da internet. E depois… depois foi exatamente o que você imagina: medo, insegurança, descontrole.
— Você registrou isso de alguma forma? — ele perguntou, profissional.
Eu ri.
— Você quer vídeo?
— Renata…
— Não. Eu não sou uma amadora. — Eu mantive a voz lisa. — Eu tenho algo melhor do que vídeo: uma criança dizendo com todas as letras que não se sente segura.
Ele inspirou.
— Venha ao escritório amanhã cedo. Primeira hora. Quero montar o pedido de tutela provisória.
Eu desliguei com uma tranquilidade que quase parecia felicidade.
Quase.
Na manhã seguinte, eu atravessei a porta do escritório dele como quem entra numa igreja. Terno claro, óculos escuros, postura impecável.
O tipo de mulher que juízes olham e pensam: estável.
— Sente-se.
Ele abriu um arquivo com meu nome e puxou uma folha em branco.
— Vamos ser objetivos — ele disse. — O que aconteceu ontem, exatamente?
Eu não dramatizei demais. Eu não precisava. Eu só precisei escolher as partes certas.
— Bella chegou alterada. Chorando, com medo. Disse que o pai e a Bianca vão “trocar ela” quando o bebê nascer.
Eu fiz uma pausa bem colocada.
— E, honestamente, doutor… se uma criança entra em pânico assim, isso diz alguma coisa.
Ele anotou.
— Diz. Mas precisamos traduzir isso em linguagem judicial.
Eu cruzei as pernas, paciente.
— Traduza.
Ele se recostou.
— Tutela provisória. Medida de urgência. Guarda provisória até a audiência. O argumento central não é que o pai é mau. O argumento é que há um evento novo que desestabilizou a rotina da menor e que, por prudência, ela precisa ficar no ambiente em que se sente mais segura… temporariamente.
Eu deixei meus olhos brilharem na medida exata.
— E qual é esse evento novo?
— A gravidez e o casamento iminente — ele respondeu. — Não pela gravidez em si. Mas pelo impacto concreto no emocional da criança. Se conseguimos demonstrar “risco”, o juiz pode agir rápido.
— Risco de quê? — eu perguntei, doce, como se não soubesse.
— Risco de sofrimento psíquico, ansiedade severa, instabilidade emocional, eventual prejuízo escolar. — Ele contou nos dedos, como quem monta um menu. — Não precisa ser um diagnóstico formal para ser levado em consideração. Basta uma avaliação preliminar. Uma assistente social. Uma psicóloga do tribunal.
Eu inclinei o corpo para frente, interessada.
— E o juiz vai… ouvir a Bella?
— Em alguns casos, sim. Mas isso é delicado. A criança ser ouvida pode ser uma faca de dois gumes. O tribunal evita colocar menor no centro do conflito.
— Isso pode funcionar — ele admitiu.
— Pode — eu corrigi. — Vai.
Ele passou a mão na folha e escreveu no topo: TUTELA PROVISÓRIA — URGÊNCIA.
— Então faremos assim: pedimos a tutela. E pedimos avaliação psicossocial urgente, com possibilidade de oitiva da menor em ambiente protegido.
Eu encostei as costas na cadeira.
— E o Nico? — eu perguntei. — Ele vai reagir.
— Ele vai apresentar contestação. Vai dizer que houve manipulação. Vai insinuar alienação. — Ele fez uma pausa. — Mas sem prova concreta, fica no campo das acusações. E acusação contra a mãe, em casos assim, costuma ser vista com desconfiança.
Eu sorri..
— Então a melhor parte é que ele vai ter que dizer que eu fiz isso. E, quando ele disser… eu vou parecer a vítima.
Ele não sorriu. Advogados raramente sorriem quando a verdade é feia demais. Mas eu vi nos olhos dele: ele entendeu o jogo.
— Última coisa — ele disse, mais sério. — Se o juiz deferir a tutela provisória, o senhor Montesi pode ter que entregar a criança em 48 horas.
48 horas.
Eu senti um prazer limpo e frio atravessar minha espinha.
— Ótimo — eu disse, simples.
Ele fechou a pasta.
— Mantenha-se calma. Não provoque. Não ligue. Não mande mensagens. Deixe o processo falar por você.
Eu me levantei, ajustando a bolsa no ombro.
— Eu não provoco, doutor — eu falei, com a mesma doçura de sempre. — Eu só… apareço quando sou necessária.
Eu já estava na porta quando ele acrescentou:
— Ah. E Renata… se a Bella for ouvida, ela precisa estar tranquila. Sem crise. Sem choro. Precisa parecer… segura.
Eu virei o rosto devagar e sorri.
— Fique tranquilo — eu disse. — A minha filha sabe exatamente com quem ela se sente segura.
E saí.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...