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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 667

~ NICOLÒ ~

A ligação da escola veio numa terça-feira de sol forte, dessas em que a poeira da obra gruda na pele como uma segunda roupa.

Eu estava com um capacete na cabeça e uma prancheta na mão, tentando entender por que o fornecedor tinha entregue a maldita viga com medidas diferentes das aprovadas, quando o celular vibrou no bolso.

Número da escola da Bella.

— Alô? — atendi, tentando manter a voz neutra.

— Senhor Montesi? Aqui é da secretaria da escola da Isabella. A diretora gostaria de falar com o senhor. É… uma questão importante.

— Aconteceu alguma coisa? Ela se machucou?

— Não, não é um acidente. Mas pedimos que o senhor venha hoje, se possível. O quanto antes.

Eu olhei para o canteiro. Homens carregando material. O som metálico. O caos controlado. E, de repente, nada ali importava mais do que o tom daquela mulher.

— Estou a dez minutos — eu disse.

E estava mesmo. Montepulciano não era grande, e o trajeto da Tenuta até a escola era conhecido. Só que eu fiz em metade do tempo, com o coração batendo no ouvido.

Tinha passado uma semana desde o dia em que Bella gritou que eu ia abandoná-la. Desde o dia em que Bianca saiu do quarto com os olhos quebrados e o silêncio pesando como pedra.

Naquela semana eu tentei fazer tudo “certo”. Mais presença. Mais conversa. Mais rotina. Mais “estou aqui”. Mais “nada muda”.

E, ainda assim, a escola estava ligando.

Estacionei de qualquer jeito e entrei com o cheiro de obra grudado em mim. A secretária me reconheceu e apontou para o corredor sem precisar perguntar nada.

— Sala da diretora.

Eu fui.

E parei no meio do caminho.

Renata também estava lá.

Sentada numa cadeira de plástico no corredor como se fosse dona do lugar. Pernas cruzadas, postura perfeita, celular na mão. Ela levantou os olhos quando me viu e sorriu como se estivesse me esperando.

Claro que estava.

Meu peito ficou quente de raiva.

— O que você está fazendo aqui? — perguntei baixo, porque ainda era uma escola. Ainda tinha criança passando.

Renata ergueu uma sobrancelha, lenta.

— Eu vim por causa da minha filha — ela disse, como se eu tivesse perguntado algo absurdo. — Você queria que eu viesse por causa do quê?

— Eu não fui informado de que você estava vindo.

— Eu sou a mãe dela. Ninguém precisa te informar de nada.

Eu respirei fundo. Eu não podia perder o controle ali. Não dar pra ela a cena que ela queria.

— O que a escola falou com você? — perguntei.

— Falou que a Isabella está diferente — Renata respondeu, e a voz dela tinha um falso cuidado que sempre me fez querer quebrar alguma coisa. — Distraída. Irritada. Chorosa. Uma criança… insegura.

Eu senti um soco de culpa. Não por acreditar nela. Mas por imaginar Bella assim, na sala de aula, tentando ser normal com um furacão dentro.

— Isso não começou do nada — eu disse, mais para mim do que para ela.

Renata sorriu de lado.

— Não. Não começou do nada.

A porta da sala abriu.

Uma mulher de cinquenta e poucos anos apareceu, elegante e séria.

— Vocês devem ser os pais da Isabella — ela disse, com uma hesitação mínima no final.

Renata levantou primeiro, sem pressa.

— Sim — ela respondeu.

— Por favor, entrem.

A sala tinha cheiro de café e papel. Havia uma mesa com pilhas organizadas, uma janela com vista para o pátio e, na parede, uma foto de formatura antiga com crianças sorrindo.

A diretora sentou e abriu uma pasta com o nome da Bella.

— Obrigada por virem rápido. Eu vou ser direta — ela disse, cruzando as mãos. — A Isabella é uma aluna muito inteligente. Normalmente, muito focada. Mas nos últimos dias notamos algumas mudanças preocupantes.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

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