~ NICOLÒ ~
A ligação da escola veio numa terça-feira de sol forte, dessas em que a poeira da obra gruda na pele como uma segunda roupa.
Eu estava com um capacete na cabeça e uma prancheta na mão, tentando entender por que o fornecedor tinha entregue a maldita viga com medidas diferentes das aprovadas, quando o celular vibrou no bolso.
Número da escola da Bella.
— Alô? — atendi, tentando manter a voz neutra.
— Senhor Montesi? Aqui é da secretaria da escola da Isabella. A diretora gostaria de falar com o senhor. É… uma questão importante.
— Aconteceu alguma coisa? Ela se machucou?
— Não, não é um acidente. Mas pedimos que o senhor venha hoje, se possível. O quanto antes.
Eu olhei para o canteiro. Homens carregando material. O som metálico. O caos controlado. E, de repente, nada ali importava mais do que o tom daquela mulher.
— Estou a dez minutos — eu disse.
E estava mesmo. Montepulciano não era grande, e o trajeto da Tenuta até a escola era conhecido. Só que eu fiz em metade do tempo, com o coração batendo no ouvido.
Tinha passado uma semana desde o dia em que Bella gritou que eu ia abandoná-la. Desde o dia em que Bianca saiu do quarto com os olhos quebrados e o silêncio pesando como pedra.
Naquela semana eu tentei fazer tudo “certo”. Mais presença. Mais conversa. Mais rotina. Mais “estou aqui”. Mais “nada muda”.
E, ainda assim, a escola estava ligando.
Estacionei de qualquer jeito e entrei com o cheiro de obra grudado em mim. A secretária me reconheceu e apontou para o corredor sem precisar perguntar nada.
— Sala da diretora.
Eu fui.
E parei no meio do caminho.
Renata também estava lá.
Sentada numa cadeira de plástico no corredor como se fosse dona do lugar. Pernas cruzadas, postura perfeita, celular na mão. Ela levantou os olhos quando me viu e sorriu como se estivesse me esperando.
Claro que estava.
Meu peito ficou quente de raiva.
— O que você está fazendo aqui? — perguntei baixo, porque ainda era uma escola. Ainda tinha criança passando.
Renata ergueu uma sobrancelha, lenta.
— Eu vim por causa da minha filha — ela disse, como se eu tivesse perguntado algo absurdo. — Você queria que eu viesse por causa do quê?
— Eu não fui informado de que você estava vindo.
— Eu sou a mãe dela. Ninguém precisa te informar de nada.
Eu respirei fundo. Eu não podia perder o controle ali. Não dar pra ela a cena que ela queria.
— O que a escola falou com você? — perguntei.
— Falou que a Isabella está diferente — Renata respondeu, e a voz dela tinha um falso cuidado que sempre me fez querer quebrar alguma coisa. — Distraída. Irritada. Chorosa. Uma criança… insegura.
Eu senti um soco de culpa. Não por acreditar nela. Mas por imaginar Bella assim, na sala de aula, tentando ser normal com um furacão dentro.
— Isso não começou do nada — eu disse, mais para mim do que para ela.
Renata sorriu de lado.
— Não. Não começou do nada.
A porta da sala abriu.
Uma mulher de cinquenta e poucos anos apareceu, elegante e séria.
— Vocês devem ser os pais da Isabella — ela disse, com uma hesitação mínima no final.
Renata levantou primeiro, sem pressa.
— Sim — ela respondeu.
— Por favor, entrem.
A sala tinha cheiro de café e papel. Havia uma mesa com pilhas organizadas, uma janela com vista para o pátio e, na parede, uma foto de formatura antiga com crianças sorrindo.
A diretora sentou e abriu uma pasta com o nome da Bella.
— Obrigada por virem rápido. Eu vou ser direta — ela disse, cruzando as mãos. — A Isabella é uma aluna muito inteligente. Normalmente, muito focada. Mas nos últimos dias notamos algumas mudanças preocupantes.
— Claro. Claro, Nico. A noiva. — E então ela se virou para a diretora com um ar de “coitada”. — A forasteira que chegou, mudou a vida da minha filha e agora está enchendo a cabeça dela com a ideia de que ela vai perder o lugar para um bebê.
— Isso não é verdade — eu falei, e minha voz saiu mais alta do que eu queria. — Bianca nunca faria isso com a Bella.
Renata deu um pequeno riso.
— Você acha mesmo que entende o que ela faz? — ela perguntou, doce demais. — Você acha que entende o mundo dela? O mundo exposto dela?
Eu vi a diretora apertar os lábios, tentando manter o controle da reunião.
— Por favor — ela disse, firme. — Aqui não é lugar para acusações. Nós estamos falando do bem-estar emocional da Isabella. O que ela precisa é de uma conversa adequada, com clareza, para não se sentir ameaçada pela chegada de um irmão.
Renata assentiu como se estivesse concordando.
— Com certeza — ela disse. — Por isso eu estou aqui. Eu já estou cuidando do bem-estar da minha filha.
Eu me inclinei para frente, sem conseguir segurar.
— Você está cuidando? Você chama isso de cuidar? Você entrou na cabeça dela. Você fez minha filha acreditar que eu vou abandoná-la.
Os olhos de Renata brilharam de satisfação. A diretora ficou tensa.
— Senhor Montesi… — ela começou.
Renata levantou a mão novamente, agora com uma calma que me deu arrepios.
— Não se preocupe, diretora — ela disse. — Eu entendo que a escola precisa registrar essas coisas. E eu vou garantir que tudo seja feito do jeito certo.
Ela fez uma pausa curta, e então soltou como se fosse uma frase casual:
— Inclusive… talvez a senhora seja convocada como testemunha.
A sala ficou muda.
Eu senti o mundo parar um segundo.
— Testemunha? — eu repeti, devagar, com um frio subindo pela coluna. — Do que você está falando?
Renata me encarou, satisfeita. Ela adorava esse momento: o exato instante em que eu percebia que estava atrasado no jogo dela.
— Você vai ter uma surpresinha em breve — ela respondeu, e o tom foi quase carinhoso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....