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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 668

~ BIANCA ~

O prédio da Comune não tinha nada de romântico.

Era bonito do seu jeito: pedra antiga, escada larga, uma bandeira tremulando preguiçosamente do lado de fora. Mas não era o tipo de lugar que você escolhe porque quer “um cenário”. Era o tipo de lugar que você escolhe porque precisa.

E, naquele momento, eu precisava.

Eu andava com os documentos dentro de uma pasta fina, como se papel fosse capaz de segurar uma casa inteira em pé. Cada passo ecoava no corredor alto, e eu reparei em detalhes que normalmente ignoraria: o som dos meus saltos, o cheiro de cera no chão, a luz atravessando vitrais sem intenção.

Nico estava ao meu lado. Não de terno impecável, não como o homem que poderia ser em uma festa de revista, mas arrumado do jeito que ele ficava quando queria parecer calmo e não estava. Camisa clara, jaqueta escura, aquele ar de “eu faço isso com as mãos”, mesmo quando a batalha hoje era outra.

Christian vinha atrás, mexendo no celular com a concentração de quem tenta controlar o mundo por mensagem. E Martina… Martina parecia mais silenciosa do que eu já tinha visto, como se estivesse guardando alguma coisa dentro do peito para não derramar antes da hora.

As testemunhas.

Só nós quatro.

Simples, limpo, rápido. Como um curativo colocado com firmeza. Sem chance de arrancar devagar.

Nico apertou minha mão no corredor, e eu apertei de volta.

— Bia — ele chamou baixinho, antes de virarmos a esquina para a sala onde tudo aconteceria.

Eu parei. Olhei.

Ele hesitou, e eu vi a pergunta antes de ouvi-la.

— Você tem certeza? — Nico perguntou. A voz veio macia, mas havia uma preocupação real ali. — A gente ainda pode… não fazer hoje. Esperar. Fazer do jeito que você sempre imaginou… uma coisa maior. Eu sei que você não quer admitir, mas eu sei.

Eu respirei fundo.

Porque parte de mim queria, sim. Parte de mim sempre quis.

Mas outra parte, a que tinha aprendido a sobreviver, olhou para o que estava em jogo e escolheu o que era necessário.

— Eu tenho certeza — eu disse, firme.

Nico franziu a testa, como sinal de “me dá a verdade inteira”.

E eu dei.

— Eu quero fazer isso agora. Do jeito simples. — Engoli em seco. — Pela Bella.

A palavra saiu e, junto com ela, veio um peso. Não um peso ruim. Um peso… concreto. Um peso de decisão adulta.

— Pra mostrar que a nossa vida não é um improviso. — Eu mantive os olhos nos dele. — Pra mostrar que não é um namoro que pode acabar na próxima crise. Pra mostrar… estabilidade. Pra dar menos munição pra Renata, e mais chão pra Bella.

Eu vi o rosto dele mudar um pouco, como se uma culpa silenciosa tivesse sido puxada para fora.

Ele abriu a boca, mas eu levantei a mão, impedindo, porque eu não queria um discurso. Eu queria que ele me escutasse.

— E, depois… — eu continuei, e a minha voz ficou um pouco mais suave, apesar de ainda firme — depois, quando essa tempestade passar … a gente faz a festa.

Nico respirou, como se estivesse guardando ar desde a semana passada.

— Você é… impossível.

— Eu sou prática — eu corrigi, e aquilo fez Christian revirar os olhos lá atrás, como se eu tivesse dito algo obsceno em um órgão público.

Nico encostou a testa na minha por um segundo, um gesto pequeno, íntimo demais para aquele lugar, e sussurrou:

— Eu te amo.

— Eu sei — eu devolvi, e a minha boca tremeu num sorriso que eu não controlei. — E eu também.

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