~ BIANCA ~
Eu achei que, depois do civil, eu ia querer silêncio.
Um quarto escuro. Um banho quente. Um Nico inteiro ao meu lado, sem barulho, sem perguntas, sem o mundo tentando transformar nossa vida em legenda.
Mas Zoey tinha outros planos — e, quando Christian e Martina chegaram com a gente na porta da balada, eu entendi por quê.
O lugar estava fechado só para família e amigos. Sem curiosos, sem câmera, sem imprensa. Na entrada, um segurança que eu não conhecia me reconheceu mesmo assim e fez um gesto discreto com a cabeça para que entrássemos.
Ali dentro, era como se alguém tivesse decidido construir uma cápsula de alegria no meio do caos.
Luzes baixas, música boa, comida circulando em bandejas e um bar inteiro liberado.
Eu ainda não tinha me acostumado com as palavras que vinham agora grudadas em mim.
Grávida.
Esposa.
Futuro.
Bella não estava ali. Naquele horário, ela estava na escola e, sinceramente, nós achamos melhor assim. Porque o nome “casamento” ainda estava cheio de espinhos na cabeça dela. E eu não queria que o primeiro contato dela com essa palavra fosse um salão lotado, música alta e um monte de gente gritando parabéns.
Eu queria que fosse com calma. Com verdade. Com segurança.
Só que… naquele momento, eu também precisava de outra coisa: uma prova concreta de que eu não estava sozinha no lado exposto dessa vida.
E eu não estava.
Anne e Nate estavam encostados perto do bar, os dois com aquela elegância londrina que parece não amarrotar nem com viagem. Matheus estava com eles, camisa aberta no primeiro botão.
Marco e Maite chegaram com a energia do Brasil, abraçando todo mundo como se abraço fosse idioma oficial. Mia já estava com Dante e Paola — Paola com o sorriso permanente de quem sabe de coisas; Dante com aquela postura de “eu vou fingir que isso é normal porque eu sou o adulto da sala”, mas com os olhos denunciando que ele estava emocionado.
Do lado de Nico, alguns amigos de Montepulciano ocupavam uma mesa pequena. Pessoas de riso fácil e mão pesada no ombro, gente que chamava meu marido por apelidos que eu ainda estava aprendendo a ouvir sem achar estranho.
E então aconteceu uma coisa que eu não soube explicar.
Eu me senti amada.
Não de um jeito dramático. Não como em filme.
De um jeito físico.
Como se o ar em volta tivesse virado um pouco mais leve só porque aquelas pessoas tinham atravessado oceanos, fusos e compromissos para estarem ali — por nós. Por mim.
Zoey apareceu do nada, impecável como sempre, e me segurou pelos ombros com as duas mãos.
— Eu não aceito cara de “vou chorar” hoje — ela avisou.
— Eu não estou chorando — menti.
Ela arqueou uma sobrancelha e me soltou com um empurrãozinho.
— Vai. Aproveita. E lembra: nada de discurso.
Eu ri. E foi um riso de verdade.
Em algum momento, a música subiu um pouco. Pessoas dançando, copos se encostando, a noite funcionando como se o mundo não tivesse audiência marcada e advogado esperando brecha.
Eu estava no meio de uma conversa com Maite sobre “como vocês conseguem viver sem feijão” quando Zoey surgiu com um punhado de flores na mão — flores soltas, amarradas com uma fita, improvisadas como buquê.
— Tá — ela anunciou. — Eu mandei encomendar. Não me olha assim. Eu precisava de uma coisa minimamente tradicional pra você ter uma foto mental feliz, Bianca.
— Zoey…
— Sem discussão. — Ela me empurrou para o centro.
Eu virei de costas. Senti o coração bater estranho. Não era superstição. Era só o peso dos símbolos.
Eu joguei sem contagem. Sem “um, dois, três”. Do nada, do meu jeito.
Ouvi um “ah!” coletivo, uma confusão de mãos, e o buquê desapareceu por um segundo.
Quando eu virei, era Mia que estava com as flores.
Ela segurava como se fosse uma coisa perigosa. Olhou para mim. Olhou para Zoey. Depois fez uma careta mínima, quase ofendida.
— Eu peguei por reflexo. — Ela levantou o buquê como prova. — Reflexo. Isso não significa nada.
— Significa destino! — Anne gritou.
— Significa que eu tenho coordenação motora — Mia respondeu, seca, e arrancou mais risadas.
— Você sabe que eu estou feliz de verdade por você, não é?
Eu encarei os olhos dele. E, por um segundo, a Bianca que eu fui antes do acidente — a Bianca que fugia quando era amada — tentou levantar a cabeça.
Mas eu não deixei.
— Eu sei — eu disse. — Eu sempre soube que você era… perfeito o suficiente pra isso.
Ele balançou a cabeça, como se aquela palavra o irritasse.
— Não é sobre perfeição.
— Mas você é — eu insisti. — Sempre foi.
A minha garganta apertou, e eu não gostei disso. Emoção me deixava vulnerável. Vulnerável me deixava irritada.
Mesmo assim, eu continuei.
— Eu… sinto muito por não ter conseguido… — eu procurei o jeito certo. — Acho que eu precisei perder a memória e me perder… pra finalmente achar algum sentido dentro de mim. E o Nico… ele estava lá.
Matheus olhou para o chão por um segundo. Depois ergueu o olhar de novo, com uma serenidade que me deu vontade de pedir desculpa outra vez.
— Lugar certo, hora certa — ele completou, baixo.
Eu assenti.
— E você merece alguém que te ame por inteiro — eu disse, sem adornos, sem clichê, só como fato.
Ele sorriu, e o sorriso dele não doeu como eu pensei que doeria.
— E você merece toda a felicidade do mundo — Matheus respondeu.
Antes de se afastar, ele tocou meu rosto com a ponta dos dedos e me deu um beijo rápido na bochecha. Um beijo sem posse, sem insistência. Só… encerramento.
E foi nesse exato instante que Zoey surgiu ao meu lado.
Ela não estava sorrindo.
A mão dela tocou meu braço, firme demais para ser casual.
— Escuta… — ela disse, baixo, perto do meu ouvido. — Não surta. Mas temos um problema.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....