~ BIANCA ~
Minha cabeça explodiu antes mesmo de Zoey terminar a frase.
Problema.
A palavra era uma chave. Abria, sem querer, todas as portas que eu vinha tentando manter trancadas: Bella, Renata, audiência, fofoca, vazamento, o tipo de tragédia que chega sem bater.
Eu senti o corpo inteiro endurecer.
— O quê? — eu perguntei, já com o coração acelerando. — O que aconteceu? É a Bella?
Zoey piscou, como se eu tivesse pulado vinte capítulos.
— Não. Não! — ela segurou meu braço de novo, quase rindo. — Calma. Não é nada disso.
— Então fala logo — eu exigi, e eu odiei ouvir a minha própria voz nesse tom.
Zoey respirou fundo com uma solenidade ridícula, como se fosse anunciar uma guerra. E então, com a seriedade de quem está prestes a confessar um crime, ela disse:
— O bolo… não é do chocolate certo. Não é do seu favorito.
Eu fiquei olhando para ela.
Um segundo.
Dois.
Até a realidade encaixar.
— Você… — eu comecei, e a frase morreu no meio porque eu ri. Eu ri de verdade, com uma espécie de alívio tão abrupto que quase deu tontura. — Você me puxou pra dizer isso?
Zoey cruzou os braços, ofendida de brincadeira.
— Eu tenho uma reputação de RP a zelar. Se o chocolate não é o certo, eu falhei como ser humano.
Eu encostei a testa no ombro dela por um instante e abracei forte, como se eu estivesse abraçando uma versão minha que ainda conseguia respirar sem medo.
— Cunhadinha… — eu murmurei. — Se todos os meus problemas fossem como esse, eu seria a pessoa mais feliz do mundo.
Zoey relaxou dentro do meu abraço.
— Hoje podem ser — ela disse, baixinho.
Eu me afastei só o suficiente para encarar o rosto dela.
— Hoje serão — eu respondi.
E beijei a bochecha dela, rápido, como se a minha felicidade precisasse tocar alguém para ficar real.
Peguei meu suco no bar e me obriguei a fazer o que eu tinha prometido para mim mesma: socializar sem pensar demais. Agradecer sem chorar. Existir sem calcular a próxima pancada.
Eu fui de grupo em grupo, como se eu soubesse fazer isso sem treinamento.
E então eu vi Anne.
Ela estava perto de uma mesa alta, falando com uma amiga minha do escritório, e rindo com a cabeça levemente inclinada, como se o mundo fosse menos pesado quando ela escolhia.
Eu fui até lá, e a abracei sem pedir licença.
— Você veio — eu disse no ouvido dela, como se eu ainda estivesse me surpreendendo.
— Eu não ia perder isso nem se você tentasse me impedir — ela respondeu, e a voz dela tinha sorriso.
Nate apareceu do lado dela e me deu um abraço também. E eu tive uma memória rápida de Londres: nós três em uma sala de vidro, café ruim, planilhas, e eu achando que meu futuro era só aquilo.
E agora eu estava ali, com um anel, um suco na mão e o sobrenome do Nico no meu horizonte.
Quando ficamos somente eu e ela, olhei para Anne com aquela intimidade que não precisa de cerimônia.
— Então… alguma dica sobre casamentos? — eu perguntei. — Sinto que eu tô entrando de cabeça em algo sobre o qual… eu não sei absolutamente nada. É meio assustador.
Anne riu, e os olhos dela ficaram brilhantes.
— A melhor dica é não saber absolutamente nada — ela respondeu, natural. — Aí você vai ter que aprender todos os dias. E, acredite, Bia… não tem coisa mais gostosa do que isso.
Eu fiz que sim, e senti minha garganta apertar por um segundo.
— Você fala isso como se fosse fácil — eu provoquei.
— Eu falo isso como alguém que quase enlouquece todos os dias sendo casada com Nathaniel. Mas que se sente a mulher mais feliz do mundo — Anne respondeu, levantando o copo.
Eu levantei o meu também.
E foi aí que eu olhei.
Anne sorriu.
— Hoje a gente deixa o mundo lá fora — ela concordou.
A música mudou para uma mais lenta, e eu vi Nico do outro lado da pista. Ele estava conversando com Christian e Paola, mas quando me viu, o rosto dele fez aquela coisa que sempre me desmontava: ele relaxava. Como se me ver fosse, de verdade, o lugar seguro.
Eu fui até ele sem pensar.
Nico abriu o braço e me puxou para a pista com uma naturalidade que parecia treino de anos.
Eu encostei nele e, por um minuto, tudo ficou simples: mãos, calor, cheiro conhecido, um coração batendo perto do meu.
— Eu não consigo acreditar que essa gente toda veio — eu falei contra o pescoço dele, num tom baixo.
— Vieram porque te amam — ele respondeu, como se fosse óbvio. — E porque gostam de mim também, tá?
Eu ri.
— Você tá insuportável hoje.
— Casado com a mulher que eu amo. — Ele deu um sorrisinho. — Eu posso ser insuportável.
Eu levantei o rosto para encarar ele e vi a felicidade ali — real, inteira, sem pose. A alegria de quem apanhou e mesmo assim decidiu ficar.
— Obrigada — eu disse, simples.
Nico apertou minha cintura com cuidado.
— Eu que digo.
A gente dançou mais um pouco, e eu deixei minha cabeça descansar no ombro dele.
E aí, perto do meu ouvido, com a voz mais baixa que ele tinha, Nico perguntou:
— Você também tá doida pra ir pra casa?
Eu levantei a cabeça devagar e sorri, sentindo um calor subir por dentro.
— Eu também tô doida pra ir pra casa — eu respondi.
E o beijei cheia de intenção.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...