~ RENATA ~
Naquela segunda-feira, estacionei a duas quadras da escola da Bella e fiquei alguns segundos dentro do carro, olhando meu reflexo no vidro. O corte na testa estava coberto por uma faixa discreta. Os roxos no corpo com roupas adequadas. O resto… o resto era maquiagem e um ângulo bom.
A secretaria da escola me reconheceu antes mesmo de eu dizer meu nome. Não com carinho — com aquele olhar profissional de quem já viu pai rico, mãe irritada, criança no meio. Eu mostrei o documento, assinei um papel, inventei uma frase simples sobre “um compromisso médico” e “preciso dela duas aulas antes”.
Mãe.
A palavra abre portas.
Ninguém perguntou se o pai sabia. Ninguém queria entrar nisso. Escolas preferem não comprar guerra de família. E eu sabia exatamente como usar essa covardia a meu favor.
Bella apareceu na porta da sala com a mochila nas costas, surpresa estampada no rosto.
— Mamãe? — ela disse, e por um segundo foi só isso: uma menina vendo a mãe fora do combinado, e o coração dela dando um saltinho de esperança.
Eu abaixei na altura dela e abri os braços.
— Oi, meu amor. Hoje eu roubei você.
Ela riu um riso curto, meio culpado, e veio para o abraço.
No caminho até o carro, ela olhou para mim de lado, os olhos atentos demais para uma criança que não entende nada.
— Por que você tá machucada, mamãe?
Eu sorri como quem acha graça da própria desgraça.
— Não foi nada, querida. Eu caí. — Fiz um gesto com a mão, minimizando. — Uma queda besta. Mas nada que gelato e matar aula não curem, né?
Os olhos dela brilharam na mesma hora.
— A gente vai tomar gelato?
— Sim, no seu lugar preferido.
Bella abriu um sorriso inteiro, e eu senti aquela satisfação quieta de quem acerta a medida do doce.
Sentamos numa mesa do lado de fora da gelateria. Eu pedi um copinho para mim, só para parecer normal, e um grande para ela, com duas bolas.
Ela olhou para a própria colher, devagar, e o sorriso murchou no meio do caminho.
— Então… por que você tá tão tristinha?
Eu perguntei com a voz que mães usam quando querem parecer acolhimento e, na verdade, querem colher informação.
Bella mexeu o sorvete sem vontade.
— Porque o papai prometeu que ia jogar videogame comigo na sexta… e não jogou.
Eu mantive a expressão neutra. Por dentro, eu sorri.
— E por que não jogou?
Ela respirou fundo, como se fosse uma injustiça enorme demais para caber na boca.
— Ele teve que sair pra buscar a tia Bia. E depois ele passou o final de semana todo fazendo coisas de adulto.
Coisas de adulto.
Eu quase gargalhei.
— Ah… — eu disse, como se estivesse entendendo algo óbvio. — Deve ser coisa do bebê.
Bella ergueu o rosto na hora.
— Bebê?
Eu fiz que sim, leve, como se fosse só um detalhe do tempo, como se “bebê” fosse como “vai chover”.
— Sabe como é quando uma mulher tá grávida, né? — comecei, didática. — Ela tem que ir ao médico toda hora. Fazer exame de sangue. Ultrassom. Às vezes tem enjoo, precisa comer de um jeito diferente, tomar vitamina, não pode beber certas coisas, tem que descansar mais… e aí o papai precisa fazer tudo junto.
Eu listei com calma. Coisas reais o suficiente para parecer inevitável.
Bella me olhou com um susto pequeno, bonito e horrível.
— Meu papai?
— Seu papai. — Eu confirmei, macia. — Que também é o papai do bebê.
Ela engoliu em seco. O sorvete ficou esquecido.
— Mas… — ela começou, e a voz saiu fininha. — Isso é chato.
Eu segurei a colher e balancei devagar, como se eu estivesse concordando com uma criança sobre dever de casa.
— É chato, sim. E o bebê nem nasceu ainda…
Bella apertou a boca. O queixo tremelicou num ponto quase imperceptível.
— Mas o papai prometeu não esquecer de mim.
Eu deixei o silêncio durar só um segundo. Um segundo é o bastante para uma criança sentir que a promessa já está por um fio.
— E ele voltou pra jogar videogame? — perguntei, com doçura.
Bella balançou a cabeça negativamente.
Eu fiz uma expressão triste, compreensiva. A mãe que sofre junto.
— Eu imaginei.
Bella abaixou os olhos.
E foi aí que eu ofereci a solução. Porque criança não aguenta problema sem saída. Criança precisa de uma porta. E eu era a porta.
— Sabe o que seria legal? — eu disse, animando a voz como quem dá uma ideia boa. — Nós duas jogarmos.
Ela piscou, confusa.
— Eu… eu não sabia que você j**a.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....
Compromisso nenhum com os leitores, verdadeiro desrespeito....