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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 682

~ NICO ~

O trânsito de Florença tinha a crueldade de sempre: lento, estreito, cheio de gente atravessando como se o mundo não estivesse desabando no banco do motorista.

A voz da Bianca ainda martelava dentro de mim — delegacia — e eu não conseguia encaixar aquilo na realidade. Bianca Bellucci não “ia pra delegacia”. Bianca Bellucci resolvia coisas com contratos, com reuniões, com uma frase no tom certo.

Eu precisava de alguém que fosse frio por nós dois.

Peguei o telefone no viva-voz, sem desviar os olhos da rua, e ligue para o número que eu já tinha salvado.

— Doutor Conti.

A voz veio limpa, acordada demais para aquele horário.

— Sou eu. Nico.

Um segundo de pausa, e eu ouvi o homem trocar de modo.

— Senhor Montesi.

— É minha esposa. — A palavra ainda tinha gosto de novo na boca, mas eu não tinha tempo de sentir. — Bianca. Ela está na delegacia de Florença.

— Já estou a caminho — ele respondeu, sem precisar de detalhes dramáticos. — Me diga qual delegacia.

Eu passei a localização que a Bianca tinha conseguido dizer e completei:

— Eu vou chegar antes.

— Não entre sozinho. Espere por mim na porta. E, por favor, não discuta com ninguém lá dentro. Deixe que eu fale.

Quando cheguei, eu fui até a entrada da delegacia com a sensação de que todo o ar da cidade tinha ficado pesado, como se Florença tivesse decidido virar concreto.

Conti chegou poucos minutos depois, impecável como sempre, pasta na mão, o tipo de homem que entrava em qualquer lugar e fazia o ambiente lembrar que existiam regras.

— Senhor Montesi — ele disse, e o “senhor” era o jeito dele me impedir de virar fera. — Vamos.

A recepção tinha cheiro de papel velho e café esquecido. Um agente nos olhou de cima a baixo e, quando viu Conti, ajustou a postura.

Conti mostrou um documento e falou o nome da Bianca com uma calma que parecia absurda perto da minha urgência. Houve troca de frases, um olhar para um monitor, um aceno curto.

— Ela está aguardando — o agente disse. — Sala de retenção.

Sala de retenção.

Não era “cela”. Era o jeito civilizado de dizer a alguém que “você não vai embora ainda”.

O corredor era estreito. Barulho de passos, portas, vozes baixas. Eu tentei não imaginar Bianca ali dentro, sozinha, com a cabeça a mil.

A porta se abriu.

E ela estava sentada atrás de uma divisória metálica, uma grade baixa, como se o mundo tivesse decidido colocar uma linha entre nós por burocracia.

Quando me viu, ela levantou na mesma hora.

Eu não esperei o agente abrir totalmente para ela passar. Eu só avancei o suficiente para encostar nela quando finalmente liberaram a saída. Bianca veio direto para mim e me abraçou com força, o corpo tremendo num ponto que ela nunca deixava ninguém ver.

— Eu não estou entendendo — ela murmurou, a boca perto do meu ombro, a voz pequena demais para ser dela. — Eles só… falaram que eu tinha que ficar aqui.

Eu apertei ela nos braços com cuidado, porque vi o cantinho da boca machucado, vi arranhões que pareciam mais irritação do que agressão real. Coisa de unha. Coisa de impulso. Coisa de cinco segundos.

— Tá tudo bem — eu disse, do jeito mais firme que consegui. — O doutor Conti já está aqui. Ele vai cuidar disso.

Ela se afastou só um pouco, para me olhar.

— Eu não queria te atrapalhar — disse rápido, como se fosse culpa dela eu ter que estar ali. — Eu não tive escolha. Eu… Zoey e Christian estão no meio do oceano voltando pro Brasil agora e... Eu pensei no Dante, mas...

Capítulo 682 1

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