~ NICO ~
No carro, o silêncio foi pior do que qualquer outra coisa.
Eu dirigi sem lembrar do caminho. Bianca ficou com as mãos no colo, os dedos se mexendo de vez em quando, como se ela estivesse contando alguma coisa invisível para se manter no lugar. Talvez batimentos. Talvez prazos. Talvez medo.
Quando chegamos, Bella estava na sala com Martina, desenhando no chão. Quando nos viu, levantou o rosto e sorriu pequeno, sincero, aquela alegria que me desmontava porque não sabia do que vinha.
— Papai! — ela se levantou, e correu até mim com aquele impulso que era puro instinto de pertencimento.
Eu me agachei, abracei, fechei os olhos com força.
— Oi, meu amor.
Martina olhou para mim e para Bianca como quem lê as notícias pelo rosto dos outros. Ela não perguntou. Só levantou devagar e passou a mão no meu ombro, um toque que dizia: eu tô aqui.
Eu precisei de um minuto para achar palavras que não traíssem pânico.
— Bella… vem comigo um pouquinho? — eu disse. — Vamos conversar no seu quarto.
Ela assentiu como se fosse coisa simples. Pegou minha mão e começou a subir sem medo. Como se não fosse a mão dela que o mundo tinha acabado de tentar arrancar da minha.
No quarto, eu me sentei na beira da cama. Ela subiu ao meu lado, as pernas balançando.
— Aconteceu uma coisa… de adulto — eu comecei, odiando a frase. — E vai ser… diferente por um tempo.
Bella franziu a testa, alerta.
— Diferente como?
Eu respirei uma, duas vezes, como se puxar ar fosse igual a segurar o mundo.
— Você vai passar alguns dias com a mamãe.
O silêncio que veio depois foi pequeno, mas pesado.
Bella piscou.
— Você vai comigo?
Meu peito apertou. Eu olhei para o rosto dela e senti a injustiça inteira daquela pergunta.
— Não, querida — eu disse, devagar. — Vai ser só vocês duas, tá? Mas eu vou te ver. Eu vou estar perto. Eu vou...
— Mamãe prometeu que vai jogar comigo — ela falou, e a voz saiu com uma esperança que devia me aliviar… mas só me deu um choque estranho. — E tomar gelato.
Eu senti o olhar de Bianca na porta do quarto. Ela tinha vindo atrás da gente, sem entrar, só ficando ali, como se não quisesse invadir. Mas eu vi o jeito que ela travou por um segundo. Martina também apareceu no corredor, discreta, observando como mãe observa quando o filho está caindo.
Eu forcei um sorriso para Bella.
— Ah é? Gelato?
Bella assentiu, mais animada agora, como se tivesse encontrado um plano que tornava aquilo menos assustador.
— E videogame. Porque vai ser só eu e a mamãe.
Bianca entrou um passo, o corpo inteiro em estado de alerta.
— Pode — Bianca sorriu, e o sorriso dela tremeu no canto. — E isso significa que você é família. Minha família. Minha filha de coração.
Bianca levantou a mão e mostrou o colar de contas no pescoço — aquele torto, colorido, feito com pressa e amor na Tenuta, quando Bella ainda achava divertido “decorar” todo mundo como se fosse uma árvore de Natal.
— Você fez pra mim — Bianca disse. — Nosso colar da amizade. E eu guardo, eu uso.
Bella olhou para o colar. A expressão dela amoleceu por um segundo.
— Eu lembro.
— Então somos amigas pra sempre, não somos? Somos família.
E então, como se precisasse se proteger rápido da própria lembrança, Bella disse:
— Eu vou com a mamãe. Mas depois eu volto.
A frase foi pequena e inofensiva. Típica de uma criança.
Mas eu senti o chão se abrir por baixo, porque eu sabia que “depois eu volto” não era uma coisa simples quando a decisão tinha carimbo e prazo. Eu sabia que Renata não ia devolver fácil. Eu sabia que eu ia ter que buscar a minha filha em horários definidos, como se amor fosse visita com hora marcada.
Eu olhei para Bella, tão convencida de que “depois” era só depois.
E menti.
Porque era tudo o que eu consegui fazer sem destruir a infância dela ali, na minha frente.
— Claro, meu amor — eu disse, segurando a mão dela com força. — Depois você volta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....