~ NICO ~
— Com base na avaliação técnica e no bem-estar da menor, defiro o pedido de medida provisória, estabelecendo residência temporária com a genitora, com direito de convivência do genitor em dias e horários definidos, até reavaliação por este juízo.
Eu ouvi cada palavra.
Mas foi como ouvir um idioma que eu conhecia só o suficiente para reconhecer perigo e não o suficiente para me defender dele.
Genitora. Genitor. Convivência. Reavaliação.
O som ficou distante e, ao mesmo tempo, pesado demais para o ar da sala. Eu olhei para a boca do juiz se movendo e pensei, com um atraso ridículo, que eu devia ter trazido um copo d’água. Que eu devia ter dormido mais. Que eu devia ter respondido diferente em algum ponto do caminho, em algum dia, em alguma conversa que agora se transformava nisso: uma sentença limpa, quase educada, sobre a vida da minha filha.
Eu vi Renata de relance. O cabelo perfeito, a postura ereta, o rosto com aquela calma calculada que ela só tinha quando estava vencendo. Vi o advogado dela com a caneta pronta, como se já soubesse o final. Vi Conti ao meu lado, imóvel, com as mãos cruzadas sobre uma pasta. E, por um segundo, eu tive certeza de que o mundo todo tinha ensaiado aquela cena. Menos eu.
O juiz continuou, como quem fecha um contrato.
— …devendo a entrega da menor ocorrer no prazo de 24 horas, de forma pacífica, com acompanhamento dos advogados, se necessário.
Entrega.
A palavra entrou em mim como se fosse física.
Eu pisquei, e o pensamento veio atrasado, estúpido, impossível: eles vão tirar a Bella de mim.
Minha garganta fechou. Eu senti meu coração bater no lugar errado, alto, irregular, e procurei Conti como quem procura uma porta de saída.
— Conti… — minha voz saiu baixa demais para ser digna. — Nós… nós perdemos?
Ele não fez drama. Ele não me olhou com pena. Conti só virou o rosto, firme, e disse a única coisa que mantinha o mundo em pé naquele segundo:
— Perdemos essa etapa. Mas nós vamos recorrer.
Eu queria perguntar como. Quando. O que significava “essa etapa”. Eu queria exigir que alguém me dissesse que isso não podia acontecer assim, tão rápido, tão frio. Mas o juiz já estava dizendo outra coisa — prazos, formalidades, datas — e eu só conseguia pensar em Bella acordando amanhã e achando que a vida dela ia continuar igual, porque criança acredita nisso até a vida provar o contrário.
Quando o juiz encerrou, Renata se levantou primeiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....
Compromisso nenhum com os leitores, verdadeiro desrespeito....