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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 691

~ NICO ~

A mochila da Bella parecia leve demais para o que eu estava fazendo.

Eu fechei o zíper devagar, sentindo a resistência do tecido como se fosse a única coisa real numa manhã que tinha virado um labirinto jurídico. Dentro, eu escolhi coisas que ela reconhecia sem esforço: o estojo de lápis com a tampa rachada, o caderno de desenho, duas mudas de roupa, um pijama, o casaco preferido com capuz e uma meia de estrelas que ela insistia que dava “sorte”.

Nada disso era “a vida dela”. Era só um recorte pequeno o suficiente para não parecer despedida.

Eu ouvi passos na sala e a voz da Martina, baixa, conversando com ela como quem monta um ninho.

— Você vai levar seu colar? — Martina perguntou.

— O da amizade? — Bella respondeu, animada. — Vou!

Eu parei por meio segundo com a mão na alça da mochila. O colar tinha virado prova de carinho e, ao mesmo tempo, munição possível. Eu odiava que as coisas se misturassem desse jeito.

Bella apareceu na porta do corredor com o cabelo preso num elástico torto. Ela me olhou como se eu estivesse atrasado para levar ela ao parque.

— A mamãe falou que comprou jogos — ela anunciou.

Martina me encarou por cima do ombro da neta, aquele olhar de mãe que não pergunta porque já sabe. Eu fiz um aceno mínimo. Conti tinha pedido “sem cena”. Eu não ia falhar antes de sair de casa.

— Vamos.

Conti me esperava do lado de fora, mãos nos bolsos, a expressão estável de quem não se permite surpresa.

— Montesi — ele cumprimentou.

— Ela tá pronta — eu respondi.

Bella viu Conti e franziu a testa.

— Ele vai junto?

— Vai — eu disse, simples. — Pra ajudar o papai a fazer tudo certinho.

— Então ele é tipo a tia da secretaria da escola?

Conti sorriu.

— Algo assim, senhorita.

Eu abri a porta de trás e ajudei Bella a entrar com cuidado.

— A senhora Bianca não vem? — Conti perguntou baixo, antes de contornar o carro.

— Não — eu disse. — Melhor assim.

Ele assentiu, como se eu tivesse confirmado um ponto de um plano.

— Menos variável.

Eu dirigi com as duas mãos no volante enquanto Bella cantou uma música sem letra no banco de trás, balançando as pernas. Eu olhei pelo retrovisor e vi o rosto dela relaxado. Bella seguia sem medo porque ainda acreditava no básico: que os adultos protegem.

O GPS mandou virar numa rua arborizada. Os portões começaram a ficar maiores, as fachadas mais limpas, as calçadas mais largas. Eu senti o estômago puxar.

— É aqui — Conti disse, confirmando o número.

Eu parei em frente a uma casa grande demais. Fachada clara, janelas altas, jardim aparado como se tivesse sido cuidado por semanas, não por dias. Um portão eletrônico brilhando de novo.

Bella grudou o rosto no vidro.

— Uau… tem jardim — ela murmurou, como se isso resolvesse alguma coisa.

Eu desliguei o carro, mas fiquei um segundo com a mão na chave, olhando o lugar. A pergunta veio na minha cabeça antes de virar frase: desde quando ela consegue isso?

Conti tocou de leve no vidro, me trazendo de volta.

— Não comenta nada com ela — ele avisou.

Eu engoli.

— Não vou.

Eu peguei a mochila. Bella desceu primeiro, pulando, e ficou parada encarando a casa como se fosse um cenário de filme.

O interfone tinha câmera. Eu apertei.

A imagem de Renata apareceu em poucos segundos. Cabelo perfeito, maquiagem discreta, uma blusa clara que gritava “mãe responsável”. Ela destravou o portão sem dizer uma palavra.

— Vamos — eu disse para Bella.

Renata abriu a porta antes de eu tocar a campainha. O gesto parecia acolhedor, mas a postura era cálculo.

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