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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 692

~ BIANCA ~

Dois meses tem um jeito cruel de parecer curto no calendário e infinito no corpo.

A rotina nova se instalou como poeira fina: você não vê na hora, mas sente na garganta. Eu aprendi os horários da visitação como quem decora um remédio. Aprendi a não fazer perguntas que parecessem interrogatório. Aprendi a sorrir para a Bella sem pedir nada de volta.

E aprendi, principalmente, a reconhecer o som do carro do Nico na garagem.

Naquela tarde, eu ouvi o som do elevador e fechei o notebook sem terminar o e-mail. Foi automático. Meu corpo já sabia.

Nico entrou sem anunciar. Não porque estivesse tentando ser dramático. Nico só… economizava palavras quando as palavras custavam.

Ele largou as chaves no aparador, tirou o casaco devagar e ficou um segundo parado na sala, como se a casa tivesse mudado de lugar nos últimos três dias.

— Ela perguntou de novo — ele disse.

Eu não perguntei “o quê”, porque eu sabia. Eu só me aproximei o suficiente para ele me ver sem eu invadir.

— “Já posso voltar?” — Nico completou, e a voz dele saiu igual a uma porta que range só um pouco. — Eu disse que ainda não.

Ele passou a mão pelo rosto, um gesto curto, contido.

— Como ela falou? — eu perguntei.

— Baixo. Como se fosse uma coisa que ela não queria que a mãe ouvisse. — Ele respirou. — Depois ela fingiu que não se importava. Quis me mostrar um jogo novo. Mas… tava diferente.

Eu assenti.

— Diferente como?

— Mais quieta. — Ele olhou para a janela, não para mim. — Ela me abraçou mais forte na hora de ir embora.

O que eu queria dizer era: isso é manipulação, isso é alienação, isso é uma criança tentando sobreviver num cabo de guerra.

O que eu disse foi:

— Ela tá tentando se adaptar. Do jeito que dá.

Nico soltou um ar curto pelo nariz, sem humor.

— E eu? Eu tô precisando ser pai com hora marcada.

Eu dei um passo mais perto.

— Você tá sendo pai — eu disse. — Com hora marcada, sem hora marcada, com juiz, sem juiz. Você tá lá. Você tá indo. Você tá voltando. Isso conta.

Ele me olhou finalmente. O olhar de quem aceita a lógica, mas não aceita o custo.

— Conta… mas não muda a casa dela. — Nico desviou de novo. — Eu odeio imaginar o quarto dela lá. Eu odeio imaginar o que ela ouve.

Eu segurei o impulso de falar de Renata. Mas eu não daria ainda mais a ela espaço dentro da nossa casa.

— Você quer um banho? — eu perguntei, prática, porque era o que eu podia oferecer sem roubar a dignidade dele. — Ou quer comer alguma coisa?

Nico balançou a cabeça.

— Eu só queria… cinco minutos sem pensar.

— Então você vai ter — eu disse, ele arqueou uma sobrancelha, já desconfiado. — Hoje tem a festa.

A festa da Bellucci vinha sendo uma sombra na agenda há semanas: celebração de um novo distribuidor na Itália, parceiros, imprensa, discursos, sorrisos. Um evento que existia antes do nosso caos e que, por isso mesmo, parecia insulto.

— Eu não sei... — Nico disse.

— Eu sei. Eu também não queria ir. — Eu mantive a voz neutra. — Mas eu acho que a gente deveria.

— Bianca…

— Não pelo negócio — eu interrompi, sem agressividade. — Mas pelas duas horas em que ninguém decide nada por nós. Duas horas em que você não entra num carro pensando no portão da casa dela.

Ele ficou em silêncio. Silêncio de avaliação. Então ele olhou para o chão, depois para mim, e assentiu uma vez.

— Tá.

Eu fui para o quarto e escolhi um vestido sem pensar demais. Quando eu pensava demais, eu acabava usando armadura demais. Eu precisava de algo que parecesse eu — não a mulher que apanha do mundo, não a mulher que quer vencer o mundo, só eu.

Enquanto eu prendia o cabelo, ouvi Nico no banheiro, abrindo e fechando gavetas com cuidado, como se o barulho pudesse quebrar alguma coisa.

Quando ele apareceu no quarto, de terno escuro e camisa sem gravata, eu percebi o detalhe que ele não percebia: ele ficava mais bonito quando estava cansado, porque o rosto dele desistia de fingir dureza.

— Você tá bem? — eu perguntei.

Ele deu de ombros.

— Tô apresentável.

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