~ RENATA ~
Dois meses.
Era tempo suficiente para aprender onde o sol batia na sala no fim da tarde, quais brinquedos faziam barulho demais e quais faziam sujeira demais, quais desenhos Bella assistia quando estava cansada e quais ela assistia quando estava tentando não parecer cansada.
Dois meses era tempo suficiente para eu decorar a rotina dela.
E, ainda assim, não era tempo suficiente para eu conseguir o que eu queria.
Eu caminhei pela sala com o celular no ouvido, pisando com cuidado para não espalhar as pecinhas do jogo que a Bella montava no tapete. Ela estava de pernas cruzadas, concentrada, conversando baixinho com os próprios bonecos como se o mundo inteiro coubesse naquela cena.
O mundo inteiro, para mim, cabia em números.
— Doutor, isso é ridículo — eu disse, mantendo a voz controlada, porque a porta da sala estava aberta e a vizinha do lado tinha uma audição inconveniente. — Eu estou com a minha filha há dois meses e continuo recebendo… aquela miséria.
Do outro lado, a voz do advogado veio calma, treinada.
— Senhora Renata, nós já conversamos. O valor fixado em caráter provisório foi baseado nos elementos apresentados naquela fase…
— Provisório — eu repeti, com desprezo. — Tudo nessa vida virou “provisório” quando é pra me manter abaixo do que eu mereço.
Bella levantou o rosto por um segundo, curiosa com meu tom. Eu sorri para ela sem mostrar os dentes e voltei a andar, para não dar a ela a sensação de que a conversa era sobre ela.
— Nós precisamos do aumento por tenore di vita — eu disse. — O senhor sabe disso.
— Nós já protocolamos o pedido — ele respondeu.
— E quanto tempo o juiz vai levar para perceber o óbvio? — Eu parei perto da janela, olhando o jardim como se olhar para verde ajudasse a não esmagar o celular com a mão. — Bianca Bellucci é bilionária. Não “rica”. Bilionária. A minha filha tem direito a equiparação. Ela não pode viver com… migalhas do pai enquanto o outro filho nasce em berço de ouro.
— Senhora… — ele começou, num tom de aviso.
Eu me afastei mais um pouco, até o corredor, e baixei a voz. A Bella continuava no tapete, distraída, mas eu não confiava em distrações.
— Sabe o quanto é irritante pagar de mãe perfeita pra essa pirralha? — eu sussurrei, e foi um sussurro de raiva contida, não de confissão. — O dinheiro do Nico não paga minha sanidade mental. Eu quero o dinheiro dos Bellucci.
Houve um silêncio pequeno do outro lado.
— Eu entendo a sua pressa — ele disse por fim. — Mas as coisas não se resolvem do dia para a noite. O pedido de aumento por tenore di vita está fundamentado, nós anexamos o que era possível, mas uma decisão pode levar… até noventa dias.
— Noventa dias — eu repeti, como quem prova um veneno. — Três meses.
— Pode ser antes — ele corrigiu. — Mas eu preciso que a senhora entenda que existe um tempo processual.
Eu fechei os olhos por um segundo, contando até três. Um, dois, três. Eu era boa em esperar quando esperar significava lucrar.
— Mas um mês, então — eu disse. — Eu posso suportar isso.
Eu desliguei.
O silêncio depois da ligação foi quase agradável. Por exatamente dois segundos.
— Mamãe — a Bella chamou, com uma doçura irritante. — Você não vai brincar comigo?
Eu olhei para as unhas da minha mão esquerda e senti uma raiva absurda de como tudo era uma exigência. Brinca. Sorri. Acaricia. Finge. Pede desculpa. Não grita. Não cansa. Não existe.
— Agora não — eu respondi, com a paciência treinada. — Eu acabei de fazer as unhas.
Bella franziu a testa.
— A tia Bia não se importava.
A frase foi simples.
O choro veio. Primeiro nos olhos. Depois no som. Um soluço curto que tentou ser silencioso e falhou.
— Para — eu disse, já sem paciência.
Bella apertou as mãos no tapete.
— Eu… eu queria…
— Ah, supera, Isabella — eu cortei. — Você já sabia disso. Já sabia que ia ser trocada.
Ela olhou para mim com pânico.
— Não…
— Agora somos só nós duas — eu disse, firme, como se estivesse oferecendo consolo quando na verdade eu estava fechando uma porta. — É assim que é.
Bella chorava de verdade agora, o rosto vermelho, o corpo dobrado, as lágrimas caindo no tapete como se aquilo fosse uma punição para mim.
— Você pergunta quando vai voltar pro seu pai… — eu continuei, em um tom quase calmo, porque era esse o tom que fica na memória. — Nunca. Porque ele não te quer.
Eu me levantei.
A sala ficou para trás como se fosse um cenário que eu tinha terminado de usar. O choro dela cresceu, mas eu já estava no primeiro degrau, subindo as escadas com passos firmes.
— Mamãe! — ela gritou, a voz quebrada.
Eu não virei.
Eu só levantei a mão, chamando a babá pelo nome sem olhar, como quem chama um serviço.
— Dá um jeito nessa criança!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...