~ BIANCA ~
Aquela era só uma terça-feira em que eu tinha uma pasta com exames, uma garrafa de água na bolsa e a certeza prática de que, se eu mantivesse tudo organizado, o resto acompanharia.
Nico apareceu na porta do quarto com a chave do carro na mão e a expressão de quem já tinha passado o itinerário mental três vezes.
— Trinta minutos — ele disse, conferindo o relógio. — Se a gente sair agora, chega antes.
Eu assenti como se isso fosse um plano invencível.
Eu já estava pronta. O vestido preto de malha que não apertava a barriga e não parecia “grávida demais”, tênis confortável, cabelo preso e uma maquiagem mínima para que ninguém me perguntasse se eu estava bem.
A garagem do prédio continuava exatamente igual. Mas aparentemente eu não estava. Porque eu vi o carro e… parei.
Não foi uma decisão. Não foi um pensamento. Foi como se alguém tivesse puxado o freio de mão dentro de mim.
— Bia? — Nico chamou meu nome com cuidado.
Eu pisquei. A sensação era absurda, porque eu só… não conseguia avançar.
— Desculpa — eu disse, automática.
Eu entrei no carro primeiro, me sentei no banco do passageiro e fui tomada por uma urgência prática: cinto.
Clique.
Tirei.
Clique de novo.
Ajustei.
Ajustei mais.
O tecido parecia áspero demais no meu ombro. A diagonal do cinto parecia estar no lugar errado, mesmo estando exatamente onde sempre esteve.
Nico entrou do lado do motorista e me viu, mas não comentou. Ligou o carro, saiu devagar e, antes de virar a primeira esquina, tocou minha mão uma vez, de leve, como um “eu tô aqui”.
A cidade estava normal. Trânsito normal. Pessoas normais indo para cafés, bicicletas, motos, turistas perdidos.
Eu queria que a normalidade fosse um escudo. Mas na primeira buzina — uma moto impaciente atrás de nós — eu pulei. Não foi um susto elegante, foi um sobressalto de corpo inteiro.
— Tudo bem? — Nico perguntou, olhos no espelho.
— Só… me assustei.
Eu tentei rir, mas meu riso saiu curto e desajeitado.
Seguimos.
Um semáforo fechou e eu vi o vermelho como se fosse uma ordem gritada. Meu peito apertou.
— PARA! — eu falei alto demais.
O carro já estava desacelerando. Nico já ia parar. Mesmo assim, a palavra escapou como se eu estivesse impedindo uma catástrofe.
Nico encostou o carro com calma, como se fosse só mais um sinal.
— A gente vai parar — ele disse, sem julgamento. — Já tá parando.
Eu engoli seco.
— Eu sei.
Mas o meu corpo não parecia saber.
Mais à frente, um carro ultrapassou acelerado, com o motor fazendo aquele ronco agressivo. Passou tão perto que eu senti o deslocamento do ar. Eu apertei a alça do cinto com força e a visão ficou estreita, como se o mundo tivesse decidido caber em um corredor.
— Respira — Nico falou baixo.
Eu tentei. Inspirei em quatro, segurei em dois, soltei em seis. Técnica de gente que lê artigo e aplica protocolo. Mas o protocolo não encaixava no que estava acontecendo.
Meu coração batia em um ritmo que não tinha nada a ver com a estrada. Minha boca ficou seca. Um calor subiu pelo meu pescoço.
— Bia, olha pra mim — Nico pediu, e eu consegui virar o rosto um centímetro. — O que tá acontecendo?
Eu abri a boca para responder com uma explicação decente.
Mas eu não tinha uma.
— Eu acho… — eu comecei, e a palavra morreu no meio. Um caminhão freou à nossa frente. Não foi brusco, foi normal. Mas o som do freio fez meu corpo acender todas as luzes de emergência.
— Para o carro — eu disse, agora sem tentativa de charme.
Nico olhou para o lado, buscando um lugar seguro.
— PARA O CARRO AGORA! — eu gritei.
Minha própria voz me assustou.
Nico não respondeu com irritação. Ele só apertou o pisca-alerta e, com uma precisão quase cirúrgica, entrou numa rua lateral e encostou o carro na primeira vaga possível.
A promessa era bonita.
Mas eu não estava em condições de fingir que acreditava em promessas bonitas.
— Você não tem como prometer isso — eu disse, com a honestidade crua.
Nico não se ofendeu, ele assentiu.
— Você tem razão. Eu não posso controlar tudo. Mas o que eu puder… eu vou.
Ele parou um segundo, como se pensasse, e completou:
— E o que eu não puder, eu vou também.
Eu soltei um riso baixinho, involuntário, apesar do choro.
— Isso não faz sentido.
— Eu sei — ele disse, e os olhos dele ficaram suaves. — Mas pelo menos te fez sorrir.
Ele beijou levemente a minha testa.
E então, como se ele precisasse que eu entendesse, ele falou de novo, firme:
— Não vai acontecer de novo, Bia. Não vai.
Eu queria contestar. Eu queria listar probabilidades, riscos, estatísticas, variáveis.
Mas não fiz.
Eu só respirei e deixei a minha mão encontrar a dele.
— Eu sei que não vai — eu disse, porque, naquele instante, era verdade do jeito que eu precisava que fosse. — Porque essa criança tem o melhor pai do mundo.
Os olhos de Nico brilhavam de um jeito contido, enquanto ele apertava delicadamente a minha mão.
— Quer ir andando? — Nico perguntou. — A gente já tá perto.
— Quero — eu respondi.
Nós começamos a caminhar de mãos dadas.
Como se o destino dependesse só daquilo.
Só da confiança e do amor entre nós dois.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...