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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 694

~ BIANCA ~

Aquela era só uma terça-feira em que eu tinha uma pasta com exames, uma garrafa de água na bolsa e a certeza prática de que, se eu mantivesse tudo organizado, o resto acompanharia.

Nico apareceu na porta do quarto com a chave do carro na mão e a expressão de quem já tinha passado o itinerário mental três vezes.

— Trinta minutos — ele disse, conferindo o relógio. — Se a gente sair agora, chega antes.

Eu assenti como se isso fosse um plano invencível.

Eu já estava pronta. O vestido preto de malha que não apertava a barriga e não parecia “grávida demais”, tênis confortável, cabelo preso e uma maquiagem mínima para que ninguém me perguntasse se eu estava bem.

A garagem do prédio continuava exatamente igual. Mas aparentemente eu não estava. Porque eu vi o carro e… parei.

Não foi uma decisão. Não foi um pensamento. Foi como se alguém tivesse puxado o freio de mão dentro de mim.

— Bia? — Nico chamou meu nome com cuidado.

Eu pisquei. A sensação era absurda, porque eu só… não conseguia avançar.

— Desculpa — eu disse, automática.

Eu entrei no carro primeiro, me sentei no banco do passageiro e fui tomada por uma urgência prática: cinto.

Clique.

Tirei.

Clique de novo.

Ajustei.

Ajustei mais.

O tecido parecia áspero demais no meu ombro. A diagonal do cinto parecia estar no lugar errado, mesmo estando exatamente onde sempre esteve.

Nico entrou do lado do motorista e me viu, mas não comentou. Ligou o carro, saiu devagar e, antes de virar a primeira esquina, tocou minha mão uma vez, de leve, como um “eu tô aqui”.

A cidade estava normal. Trânsito normal. Pessoas normais indo para cafés, bicicletas, motos, turistas perdidos.

Eu queria que a normalidade fosse um escudo. Mas na primeira buzina — uma moto impaciente atrás de nós — eu pulei. Não foi um susto elegante, foi um sobressalto de corpo inteiro.

— Tudo bem? — Nico perguntou, olhos no espelho.

— Só… me assustei.

Eu tentei rir, mas meu riso saiu curto e desajeitado.

Seguimos.

Um semáforo fechou e eu vi o vermelho como se fosse uma ordem gritada. Meu peito apertou.

— PARA! — eu falei alto demais.

O carro já estava desacelerando. Nico já ia parar. Mesmo assim, a palavra escapou como se eu estivesse impedindo uma catástrofe.

Nico encostou o carro com calma, como se fosse só mais um sinal.

— A gente vai parar — ele disse, sem julgamento. — Já tá parando.

Eu engoli seco.

— Eu sei.

Mas o meu corpo não parecia saber.

Mais à frente, um carro ultrapassou acelerado, com o motor fazendo aquele ronco agressivo. Passou tão perto que eu senti o deslocamento do ar. Eu apertei a alça do cinto com força e a visão ficou estreita, como se o mundo tivesse decidido caber em um corredor.

— Respira — Nico falou baixo.

Eu tentei. Inspirei em quatro, segurei em dois, soltei em seis. Técnica de gente que lê artigo e aplica protocolo. Mas o protocolo não encaixava no que estava acontecendo.

Meu coração batia em um ritmo que não tinha nada a ver com a estrada. Minha boca ficou seca. Um calor subiu pelo meu pescoço.

— Bia, olha pra mim — Nico pediu, e eu consegui virar o rosto um centímetro. — O que tá acontecendo?

Eu abri a boca para responder com uma explicação decente.

Mas eu não tinha uma.

— Eu acho… — eu comecei, e a palavra morreu no meio. Um caminhão freou à nossa frente. Não foi brusco, foi normal. Mas o som do freio fez meu corpo acender todas as luzes de emergência.

— Para o carro — eu disse, agora sem tentativa de charme.

Nico olhou para o lado, buscando um lugar seguro.

— PARA O CARRO AGORA! — eu gritei.

Minha própria voz me assustou.

Nico não respondeu com irritação. Ele só apertou o pisca-alerta e, com uma precisão quase cirúrgica, entrou numa rua lateral e encostou o carro na primeira vaga possível.

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