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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 695

~ BIANCA ~

A pulseira de identificação no meu pulso era leve demais para o peso que eu estava trazendo comigo. Meu nome ali, impresso em preto, reduzia a minha vida a uma linha objetiva — como se a coisa mais difícil do mundo fosse só um cadastro bem-feito.

Eu apertei a pasta contra o peito, conferi o horário no celular pela terceira vez e, por um reflexo automático, organizei mentalmente o que eu tinha que lembrar de dizer: semanas, sintomas, perguntas, próximos exames. Eu conseguia fazer isso. Eu sempre consegui.

Se eu mantivesse tudo exatamente organizado, eu não sentiria nada além do necessário.

Mentira.

O que eu sentia era um ruído constante dentro do peito, como um motor ligado sem sair do ponto morto.

Nico andava do meu lado com calma suficiente para nós dois. A mão dele encontrou a minha quando viu meus dedos apertando a pasta forte demais.

— Estamos adiantados — ele comentou, como se tempo fosse um assunto leve.

— Eu planejo ser adiantada — eu respondi.

Ele soltou um riso baixo.

— Claro que planeja.

A recepcionista pediu nossos documentos, e eu respondi por nós dois, automática, fornecendo nomes, datas, números.

Eu gostava de números. Números não mentem.

Nico me deixou falar sem interromper, mas quando a mulher saiu, ele inclinou a cabeça na minha direção.

— Você tá respirando?

Eu pisquei, como se ele tivesse me pego num delito.

— Claro.

— Respiração de verdade, Bia.

Eu engoli seco. Inspirei. Soltei. O ar arranhou a garganta, mas entrou.

Nico encostou o joelho no meu, sutil, estabelecendo presença.

— Quer me dizer uma coisa que não tenha a ver com batimentos, semanas ou protocolos? — ele perguntou.

Eu encarei a parede branca, procurando um assunto como quem procura uma saída.

— A gelateria da esquina do prédio fechou — eu disse.

— Não fechou — ele respondeu com convicção.

— Fechou.

— Eu passo lá todo dia. Ela existe.

— Eu passei ontem. Tinha uma placa — eu olhei para ele. — “Fechado para reformas”.

Ele fez um drama mínimo, levando a mão ao peito.

— Isso é uma tragédia local.

O absurdo arrancou de mim um micro-sorriso, mas real.

— Eu sei — eu murmurei.

Ele tocou meu polegar com o dele, e eu senti aquela promessa silenciosa: eu não vou largar você aqui.

Chamaram meu nome.

Eu levantei, endireitei a coluna e caminhei atrás da enfermeira como se isso fosse um corredor corporativo.

A sala de ultrassom era pequena e impecável. Luz baixa. Tela grande. Um monitor menor ao lado. A maca no centro como um altar branco.

A médica entrou sorrindo.

— Bianca. Nico — ela cumprimentou. — Como você tem se sentido? — ela me perguntou, puxando a cadeira.

Eu sabia exatamente o que responder: “bem”, “tudo sob controle”, “sem sintomas relevantes”.

Mas ainda havia o gosto do vômito na minha memória, e eu não queria mentir para aquela sala.

— Eu… tive um episódio de ansiedade no caminho — eu disse, e as palavras foram estranhamente difíceis. — Mas estou melhor.

A médica assentiu, sem drama.

— Isso acontece. Ainda mais quando existem experiências difíceis associadas à gravidez — ela disse com uma neutralidade gentil. — Vamos fazer com calma.

Ela começou os procedimentos padrão: pressão, perguntas de rotina, uma confirmação de semanas.

— Pela sua data, você está por volta de dezesseis semanas, certo? — ela conferiu.

— Sim — eu respondi.

Nico estava perto, encostado na parede, mas eu sentia a presença dele como se ele estivesse dentro do meu campo de visão.

A médica colocou luvas, preparou o gel, e eu já conhecia aquele momento em que meu corpo decide reagir antes de mim.

Eu subi o vestido, me deitei na maca, e o contato frio do gel me fez prender o ar.

— Ok — ela falou, posicionando o transdutor com cuidado. — Vamos ver como esse bebê está.

A tela acendeu.

Eu vi formas. Sombras. Uma linha curva que poderia ser qualquer coisa. Eu odiava essa fase do exame: meu cérebro tentando interpretar uma imagem que parecia arte moderna.

— Tudo certo aqui — a médica disse, navegando com o aparelho como quem sabe o mapa de cor. — Líquido bom. Placenta ok. Medidas compatíveis.

“Tudo certo.”

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