~ NICO ~
Eu dirigi sem pressa, sem bravata, sem aquela confiança automática de quem conhece a cidade de olhos fechados. Porque depois de todos esses meses, eu já podia dizer que conhecia Florença. Conhecia as ruas, os atalhos, o melhor caminho para escapar do trânsito. Mas naquele dia eu conhecia outra coisa: o medo da Bianca, recém saído do esconderijo, ainda quente.
Bianca estava silenciosa no banco do passageiro, as duas mãos apoiadas no colo, como se segurar os próprios dedos fosse a maneira mais discreta de se manter inteira. Ela tinha chorado no exame. Nós dois choramos. O som do coração tinha enchido a sala, e por alguns minutos eu achei que aquilo bastava para calar o passado.
Não bastava.
Eu via pela tensão no maxilar dela, pela forma como ela olhava para fora sem realmente ver. O corpo dela ainda estava com um pé naquela estrada de anos atrás e eu queria arrancar a estrada do mapa.
— Nico — ela disse, por fim, e o jeito como pronunciou meu nome me avisou que vinha uma tentativa de controlar o mundo. — Me deixa na Bellucci. Eu tenho umas coisas urgentes pra resolver que…
— Não — eu cortei, sem levantar a voz.
Ela virou o rosto, surpresa. Bianca não está acostumada com “não” dito assim, direto, sem justificativa embaixo.
— Nico, eu...
— Hoje o dia é nosso — eu disse, e eu mantive os olhos na rua porque, se eu olhasse pra ela, talvez eu suavizasse e eu não podia suavizar. — Você já resolveu coisa urgente demais na vida. Hoje você vai respirar.
— Eu tenho reunião, eu tenho...
— Você tem um coração batendo que a gente ouviu hoje, e você tem a mim — eu completei. — O resto espera.
Ela abriu a boca para argumentar.
Eu já conhecia o argumento dela: responsabilidade, reputação, prazos. Eu conhecia o jeito como ela constrói muros com agendas.
Eu sinalizei para a direita.
— Onde você vai? — ela perguntou, desconfiada.
— Supermercado.
— Nico.
— Bianca.
Eu estacionei com calma, desliguei o carro e olhei pra ela de verdade.
— Você confia em mim? — eu perguntei.
Ela segurou meu olhar por um segundo longo.
— Eu… confio.
— Então vem.
No supermercado, eu peguei um carrinho e ela ficou ao meu lado com aquela expressão de quem está em território estrangeiro. Eu vi Bianca liderar reuniões com gente que compra e vende empresas como quem troca de roupa. Eu a vi enfrentar imprensa, advogados, hospitais. Mas diante de uma prateleira de verduras, ela parecia uma executiva sem mapa.
Eu sorri.
— O que foi? — ela perguntou, já ofendida.
— Nada — eu empurrei o carrinho. — Só tô pensando que eu vou te ensinar a diferenciar manjericão de hortelã.
— Eu sei diferenciar.
— Claro — eu disse, pegando um maço de manjericão fresco e colocando no carrinho. — E eu sou o Papa.
Ela tentou não rir. Falhou um pouco.
Eu fui escolhendo as coisas sem pensar muito: tomates maduros, alho, limão, um pedaço bom de peixe, massa fresca, azeite de verdade, morangos. Eu peguei pão, porque pão transforma casa em casa.
No caminho de volta pra casa, ela relaxou um pouco. O corpo ainda estava tenso, mas a respiração mais regular. Eu dirigia devagar, como se a cidade inteira tivesse que me pedir licença.
Quando chegamos em casa, a primeira coisa que eu vi foi o bilhete na bancada da cozinha.
“Fui visitar uma amiga. Volto à noite. — Martina”
— Então… — eu falei, fazendo um gesto amplo com a mão. — Somos só nós dois.
Eu peguei as sacolas e comecei a guardar as coisas. Bianca ficou parada, observando, como se estivesse tentando entender qual era a regra do jogo.
Eu me aproximei e toquei de leve na cintura dela, quando percebi ela levar a mão a barriga.
— Você sentiu algo? — eu perguntei.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....
Compromisso nenhum com os leitores, verdadeiro desrespeito....