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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 697

~ NICO ~

— Até onde eu sei, ela deveria estar com você.

Eu não levantei a voz. Não que eu estivesse calmo, gritar com Renata é como jogar gasolina em fogo: melhor evitar quando eu conseguia.

— Não venha com joguinhos — Renata disparou, o rosto vermelho de raiva. — Eu sei que você roubou ela.

Eu pisquei confuso.

— Do que você tá falando?

Renata abriu a bolsa com um gesto brusco e, por um segundo, eu achei que ela ia tirar o celular para me filmar e se fazer de vítima de alguma coisa que eu ainda não entendia.

Mas o que ela tirou foi um papel dobrado.

Ela sacudiu na minha cara como se fosse um mandado.

— “Vou voltar pro papai.” — ela leu, exagerando as palavras, cuspindo cada sílaba. — Isso aqui. Isso aqui estava no quarto dela. Você acha que eu sou idiota?

O papel tinha letra infantil. Eu reconheci o jeito da Bella de escrever o “p” com a perninha grande demais. Eu reconheci até a tentativa de enfeitar a frase com um pontinho a mais.

Eu respirei fundo.

— Eu não sei qual joguinho você está fazendo, Renata — eu disse, olhando pro bilhete sem tocar. — Mas eu não vou cair nessa.

Ela riu, um som seco.

— Jogo? — ela repetiu, como se a palavra fosse ofensiva. — Não me venha com joguinhos você, Nico. Você roubou minha filha. Você tá descumprindo uma decisão judicial.

Ela deu um passo na minha direção.

— É isso? — ela continuou, e a voz dela subiu. — É pra não pagar a pensão? O aumento por tenore di vita? Você sabe que pode ser preso por isso, não sabe? Eu vou registrar agora.

A raiva me atravessou rápido.

— Tudo pra você é sobre dinheiro, não é? — eu soltei, antes de pensar.

O silêncio que veio em seguida foi curto e pesado.

Foi quando eu senti uma mão tocar meu ombro de forma leve.

— Nico... — Bianca sussurrou, como um freio suave.

Eu não tinha ouvido ela chegar, mas os olhos dela estavam atentos de um jeito de quem está lendo toda a situação há um tempo.

Renata olhou para Bianca como se a presença dela confirmasse uma teoria.

— Ah. — Renata soltou, com desprezo. — Então ela tá aqui. Claro.

Bianca não respondeu ao “claro”. Ela não mordeu a isca. Ela só olhou para o bilhete na mão de Renata e, depois, para o meu rosto.

Eu senti a mão dela apertar meu ombro uma vez.

E então ela falou, direto, sem emoção extra.

— Quando foi a última vez que você viu a Bella?

Renata piscou, como se a pergunta fosse irrelevante.

— O que isso tem a ver? — ela tentou.

— Tem a ver. — Bianca manteve o tom. — A última vez.

Eu vi Renata hesitar. Ela queria que a conversa fosse sobre culpa, crime, pensão, prisão. Bianca puxava para fatos.

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