~ NICO ~
— Até onde eu sei, ela deveria estar com você.
Eu não levantei a voz. Não que eu estivesse calmo, gritar com Renata é como jogar gasolina em fogo: melhor evitar quando eu conseguia.
— Não venha com joguinhos — Renata disparou, o rosto vermelho de raiva. — Eu sei que você roubou ela.
Eu pisquei confuso.
— Do que você tá falando?
Renata abriu a bolsa com um gesto brusco e, por um segundo, eu achei que ela ia tirar o celular para me filmar e se fazer de vítima de alguma coisa que eu ainda não entendia.
Mas o que ela tirou foi um papel dobrado.
Ela sacudiu na minha cara como se fosse um mandado.
— “Vou voltar pro papai.” — ela leu, exagerando as palavras, cuspindo cada sílaba. — Isso aqui. Isso aqui estava no quarto dela. Você acha que eu sou idiota?
O papel tinha letra infantil. Eu reconheci o jeito da Bella de escrever o “p” com a perninha grande demais. Eu reconheci até a tentativa de enfeitar a frase com um pontinho a mais.
Eu respirei fundo.
— Eu não sei qual joguinho você está fazendo, Renata — eu disse, olhando pro bilhete sem tocar. — Mas eu não vou cair nessa.
Ela riu, um som seco.
— Jogo? — ela repetiu, como se a palavra fosse ofensiva. — Não me venha com joguinhos você, Nico. Você roubou minha filha. Você tá descumprindo uma decisão judicial.
Ela deu um passo na minha direção.
— É isso? — ela continuou, e a voz dela subiu. — É pra não pagar a pensão? O aumento por tenore di vita? Você sabe que pode ser preso por isso, não sabe? Eu vou registrar agora.
A raiva me atravessou rápido.
— Tudo pra você é sobre dinheiro, não é? — eu soltei, antes de pensar.
O silêncio que veio em seguida foi curto e pesado.
Foi quando eu senti uma mão tocar meu ombro de forma leve.
— Nico... — Bianca sussurrou, como um freio suave.
Eu não tinha ouvido ela chegar, mas os olhos dela estavam atentos de um jeito de quem está lendo toda a situação há um tempo.
Renata olhou para Bianca como se a presença dela confirmasse uma teoria.
— Ah. — Renata soltou, com desprezo. — Então ela tá aqui. Claro.
Bianca não respondeu ao “claro”. Ela não mordeu a isca. Ela só olhou para o bilhete na mão de Renata e, depois, para o meu rosto.
Eu senti a mão dela apertar meu ombro uma vez.
E então ela falou, direto, sem emoção extra.
— Quando foi a última vez que você viu a Bella?
Renata piscou, como se a pergunta fosse irrelevante.
— O que isso tem a ver? — ela tentou.
— Tem a ver. — Bianca manteve o tom. — A última vez.
Eu vi Renata hesitar. Ela queria que a conversa fosse sobre culpa, crime, pensão, prisão. Bianca puxava para fatos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....
Compromisso nenhum com os leitores, verdadeiro desrespeito....