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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 698

~ RENATA ~

A porta do elevador estava quase se fechando quando eu me enfiei lá dentro com Nico.

Nico aparentava como um homem que já tinha decidido tudo: mandíbula travada, olhos fixos no nada, a respiração curta de quem está tentando não explodir no lugar errado. Ele sequer me olhou.

O bilhete ainda queimava na minha mão, amassado de tanto que eu tinha apertado.

“Vou voltar pro papai.”

Aquele papel não era prova de nada, e ainda assim era o único objeto concreto naquela história que começava a escapar do meu controle.

O elevador desceu e o silêncio dentro daquela caixa de metal parecia um julgamento.

Eu quebrei primeiro.

— Quando você for fazer esse… boletim, — eu disse, escolhendo a palavra como se estivesse oferecendo algo razoável. — Não coloca meu nome.

Nico soltou uma risada curta, sem humor.

— Como é?

— Você ouviu. — Eu mantive a voz baixa, prática. — Diz que ela estava com você. Diz que você… qualquer coisa.

Ele finalmente virou o rosto.

O olhar dele era o tipo de coisa que homens como Nico usam quando querem que você entenda que você passou do limite.

— Eu só quero achar minha filha — ele disse devagar, como se cada palavra precisasse caber num lugar seguro. — E você tá pensando em como a culpa vai cair em você.

Eu respirei pelo nariz.

— Não é isso, é só que...

Nem eu mesma tinha concluído meu pensamento quando ele me interrompeu.

— Você realmente não sabe o que é ser mãe, não é? — ele cuspiu, e a frase veio tão crua que por um segundo eu senti vontade de dar um tapa.

Eu endureci.

— Não vem bancar o santo comigo, Nico. — Minha voz saiu mais fria do que eu pretendia. — Eu sou a mãe dela no papel, e é isso que importa agora.

As portas se abriram.

A garagem nos recebeu com aquele eco de concreto e motores frios. Nico saiu primeiro, passos rápidos, já com a chave do carro na mão. Eu fui atrás, não para acompanhá-lo como uma mãe preocupada, mas para não deixar a história acontecer fora do meu campo de visão.

Ele foi direto para o carro dele.

Eu virei para a vaga de visitantes.

Eu tinha deixado meu carro ali porque era mais fácil. Porque eu podia entrar e sair sem precisar avisar desde que Bianca tinha liberado meu acesso permanente para quando eu chegasse com Bella.

Eu entrei no carro e liguei o motor com mãos firmes. Quando Nico arrancou, eu esperei o tempo exato de não parecer perseguição e saí logo atrás.

Ele dirigia como quem está atrasado para salvar alguém.

Eu dirigia como quem está atrasada para salvar a própria pele.

No primeiro cruzamento, eu já estava com o celular na mão e o bluetooth conectado, ligando para meu advogado.

Ele atendeu no terceiro toque.

O trânsito fechou por um segundo e eu apertei o volante.

— O que eu faço agora? — eu perguntei.

— Você quer uma resposta de advogado ou… — ele começou.

— Eu quero uma resposta que funcione — eu cortei.

Ele suspirou.

— Então faça o que você faz de melhor: controle a narrativa.

Eu apertei os olhos, focando na traseira do carro do Nico lá na frente.

— Explique.

— Se ele for à polícia dizendo “minha filha sumiu sob responsabilidade da mãe”, o registro nasce com esse viés. Se a polícia achar que houve descuido, isso vai para o relatório. Se isso chega no juiz, você vira a mãe negligente. — Ele fez uma pausa. — Você precisa evitar que a versão mais forte seja a dele.

Meu estômago deu um aperto de raiva. Raiva de estar numa situação em que eu podia perder pontos por causa de uma criança que decidiu bancar a aventureira.

— E como eu evito isso? — eu perguntei.

— Você cria a sua versão antes que ela seja criada contra você. — A voz dele ficou mais baixa, mais direta. — E você faz isso onde a versão se espalha rápido.

Eu já sabia aonde ele queria chegar antes de ele terminar.

Mesmo assim, ele disse:

— Vaze a história para a imprensa.

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