~ BIANCA ~
Quando a porta do elevador fechou, eu corri de volta para dentro do apartamento, peguei minha bolsa e puxei o celular com o mesmo reflexo com que eu puxo um contrato em crise.
Eu precisa resolver, não sentir.
A escola atendeu no primeiro toque.
— Boa tarde, secretaria.
— Aqui é Bianca Bellucci — eu disse, sem rodeios. — Eu preciso falar com a diretora. Agora.
Houve uma pausa curta, aquela em que o mundo decide se você é importante o suficiente. E eu sabia que eu era.
— Um momento.
Eu ouvi o clique, ouvi o tempo, e me obriguei a respirar enquanto esperava. De fundo, vozes de crianças, passos, uma campainha distante. Vida normal.
— Senhora Bellucci? — a diretora entrou na linha, voz controlada.
— Eu preciso das imagens das câmeras de hoje — eu fui direto ao ponto. — Do portão e da área de entrada. Preciso do horário exato em que a Isabella Montesi normalmente chega e do horário exato em que vocês perceberam que ela não entrou.
— Senhora, isso… — ela começou, no modo burocrático.
Eu cortei, sem elevar a voz.
— É uma emergência. Você pode querer fazer isso do modo burocrático ou você pode querer fazer isso do modo mais fácil para nós duas. Isabella está desaparecida, pai está indo à polícia agora.
A palavra “desaparecida” tem um efeito curioso em pessoas que gostam de regras.
Ela muda o timbre.
— Meu Deus — a diretora disse, e eu ouvi o medo real atravessar a máscara. — Nós… nós vamos separar o material.
— Me envie por e-mail. — Eu já estava abrindo o aplicativo para ditar. — E eu quero o link agora, assim que estiver pronto.
— Vamos enviar o mais rápido possível.
— Preciso do mais rápido possível mesmo. — Eu disse. — E confirmem por telefone quando enviar.
Desliguei antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa.
Eu girei no lugar, olhando para o corredor do prédio como se eu pudesse ver Nico descendo as escadas por dentro das paredes. Ele tinha ido para a polícia. Ele estava fazendo o que precisava. E eu precisava fazer o que eu sabia.
Eu disquei para a portaria do nosso prédio.
— Portaria.
— Aqui é Bianca, do apartamento… — eu falei o número e o nome, e ouvi o reconhecimento imediato. Eu odiava ser reconhecida, mas amava o acesso que isso me dava. — Eu preciso das imagens das câmeras do hall e da rua de hoje.
— Aconteceu alguma coisa, dona Bianca?
— Sim. Isabella desapareceu.
Silêncio.
— A gente pode… eu preciso falar com o síndico…
— Você fala com o síndico depois — eu disse. — Agora você separa o horário e me manda. E eu vou formalizar isso por escrito se você quiser. Mas eu preciso das imagens.
Ele engoliu.
— Eu… vou ver com o sistema.
— Me manda por e-mail — eu repeti, e ditava o endereço como se eu estivesse dando coordenadas de resgate.
Quando desliguei, eu parei por um segundo.
Eu estava ciente que Bella não tinha como chegar até ali sozinha.
Florença não era Montepulciano. Mas eu não estava lidando com probabilidade. Eu estava lidando com o tipo de desespero que faz criança atravessar a lógica.
Eu não deixaria um único buraco aberto para depois.
Finalmente eu procurei o número de Paola. Ela ainda morava lá, ela ainda era “um lugar” que talvez Bella soubesse como acessar.
Ela atendeu no segundo toque.
— Bianca?
— A Bella está com você? — eu perguntei, sem aquecimento.
— O quê? Não — ela respondeu, e eu ouvi a porta abrindo do outro lado, passos.
Eu fechei os olhos por meio segundo.
— Escuta — eu disse, escolhendo as palavras com cuidado suficiente para serem claras. — Ela fugiu da Renata. Fugiu da escola. E tentou voltar pro pai.
Houve um silêncio do outro lado.
— Meu Deus… — Paola soltou, e o susto dela foi imediato, honesto.
— Eu preciso que você olhe nos lugares favoritos dela em Montepulciano — eu continuei. — Gelateria, praça, a entrada da Tenuta, qualquer lugar que uma criança ache que pode “esperar” pelo pai. Você consegue?
— Eu vou agora. — Paola disse, sem hesitar. — Agora.
— Me liga se ver qualquer coisa. Qualquer coisa, Paola.
— Eu ligo.
Eu acelerei.
Pulei para frente.
Voltei.
Acelerei de novo.
Eu procurava um casaco específico, um cabelo específico, uma mochila específica...
Até que eu vi.
Bella.
Pequena, com uma mochila maior do que deveria, caminhando em direção ao portão como se estivesse fazendo exatamente o que deveria fazer. Ela parou um segundo, olhou para o lado, e meu peito apertou porque eu reconheci aquele gesto: o momento em que uma criança decide.
Ela mudou.
No meio do caminho, Bella virou o corpo e correu na direção oposta, como quem foge de algo.
Eu parei o vídeo.
Voltei.
Dei play de novo.
E então eu vi o que não queria ver.
Antes de Bella sair do campo da câmera, alguém entrou no enquadramento.
Um adulto.
Uma sombra maior.
Ela falou com Bella.
Bella hesitou.
E então…
Então Bella desapareceu do campo.
E o adulto desapareceu junto.
Eu congelei com o dedo no play.
Alguém tinha interceptado a minha enteada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....