~ BIANCA ~
A estrada até Montepulciano nunca pareceu tão longa.
Eu já tinha falado com a escola, com Conti, com a portaria, com quem podia. Agora era outra fase: sair do escritório invisível da minha cabeça e ir para o mundo real.
Paola me esperava na entrada da cidade, de pé ao lado do carro, como se tivesse saído correndo sem terminar de colocar o casaco direito. Quando eu estacionei, ela abriu a porta antes mesmo de eu desligar o motor.
— Bianca, meu Deus… — ela disse, e a voz dela tinha uma urgência honesta que me deu vontade de chorar.
Mas eu não chorei.
— Você conseguiu ver alguma coisa? — eu perguntei.
Paola balançou a cabeça.
— Eu fui na gelateria, na praça, na pizzaria, na rua da Tenuta… perguntei pra metade da cidade. Nada.
Eu respirei pelo nariz. Segurei o volante um segundo a mais do que precisava.
— Eu trouxe uma imagem — eu disse.
Eu mostrei o celular para ela: o frame congelado da câmera da escola. A figura adulta, de lado, fora de foco. Não era “um homem perigoso”. Era só… um homem. Com um boné, uma sombra de barba, um casaco.
Paola apertou os olhos, tentando.
— Não dá pra reconhcer — ela concluiu, frustrada.
— Então a gente vai onde dê — eu respondi.
Na escola, o portão parecia igual ao de qualquer outro dia. Crianças entrando, mães reclamando de atraso, uma normalidade ofensiva. Paola falou com alguém e em minutos, nós estávamos diante do segurança do portão.
Ele olhou para a imagem e demorou um pouco mais do que eu queria.
— Não sei — ele começou.
Eu mantive o rosto neutro.
— Olhe de novo — eu pedi.
Ele olhou. Coçou a nuca. Então, com aquela cautela típica de quem não quer se comprometer, disse:
— Parece… parece o homem do gelato.
Paola e eu nos encaramos.
— Homem do gelato? — eu repeti.
— Um que passa aqui toda manhã com um carrinho — ele explicou. — Fica na rua lateral, perto da esquina. Vende gelato pras crianças. Não é da escola, mas… é de sempre.
Eu não perdi tempo pedindo uma análise moral.
— Onde eu encontro ele? — eu perguntei.
O segurança apontou a direção, como se estivesse desenhando um mapa no ar.
A rua lateral tinha menos fluxo, mais sombra, e aquele tipo de silêncio de cidade pequena onde qualquer movimento vira notícia. O carrinho de gelato estava ali, encostado, e o homem por trás dele estava arrumando as caixas térmicas com uma calma que me irritou instantaneamente.
Ele levantou os olhos quando nos aproximamos.
— Boa tarde, senhora — ele disse.
— Bom tarde — eu disse, e mostrei o celular com a imagem. — Você é este homem?
Ele olhou e franziu a testa.
— Parece eu, sim — ele respondeu, sem humor. — Mas a câmera…
— Você falou com a Bella hoje? — eu cortei.
O rosto dele mudou.
— Aconteceu alguma coisa com a Bella? — ele perguntou rápido. — A filha do Nico… da Tenuta Montesi, não é?
— Ela está desaparecida — eu disse.
O homem arregalou os olhos.
— Madonna… — ele murmurou, e colocou as duas mãos na borda do carrinho, como se precisasse de apoio. — Eu não… eu não sabia.
— Me diga exatamente o que aconteceu — eu exigi.
Ele assentiu, engolindo seco.
— Ela veio até mim — ele começou. — Pediu dois gelatos.
O número bateu como um sino.
— Dois? — Paola repetiu.
— Dois. — Ele confirmou. — Eu falei “por que dois?” e ela disse… — ele olhou para baixo, como se estivesse vendo a cena. — “Um é pro meu pai.”
Eu fechei os olhos por meio segundo.
— E você fez o quê? — eu perguntei, e eu sabia que minha voz estava mais dura do que o necessário.
Ele levantou as mãos, defensivo.
— Eu vendi o gelato, senhora. Eu achei que ela estava com alguém. — A urgência dele era genuína. — Muitas crianças vêm com avós, com babás… eu vi gente na calçada, vi movimento. Eu pensei que ela ia voltar pra escola depois. Como acontece com outras crianças.
Paola soltou um som baixo, como se quisesse discutir o “como acontece” e engoliu a própria indignação.
Eu não perdi energia com isso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....
Compromisso nenhum com os leitores, verdadeiro desrespeito....