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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 700

~ BIANCA ~

A estrada até Montepulciano nunca pareceu tão longa.

Eu já tinha falado com a escola, com Conti, com a portaria, com quem podia. Agora era outra fase: sair do escritório invisível da minha cabeça e ir para o mundo real.

Paola me esperava na entrada da cidade, de pé ao lado do carro, como se tivesse saído correndo sem terminar de colocar o casaco direito. Quando eu estacionei, ela abriu a porta antes mesmo de eu desligar o motor.

— Bianca, meu Deus… — ela disse, e a voz dela tinha uma urgência honesta que me deu vontade de chorar.

Mas eu não chorei.

— Você conseguiu ver alguma coisa? — eu perguntei.

Paola balançou a cabeça.

— Eu fui na gelateria, na praça, na pizzaria, na rua da Tenuta… perguntei pra metade da cidade. Nada.

Eu respirei pelo nariz. Segurei o volante um segundo a mais do que precisava.

— Eu trouxe uma imagem — eu disse.

Eu mostrei o celular para ela: o frame congelado da câmera da escola. A figura adulta, de lado, fora de foco. Não era “um homem perigoso”. Era só… um homem. Com um boné, uma sombra de barba, um casaco.

Paola apertou os olhos, tentando.

— Não dá pra reconhcer — ela concluiu, frustrada.

— Então a gente vai onde dê — eu respondi.

Na escola, o portão parecia igual ao de qualquer outro dia. Crianças entrando, mães reclamando de atraso, uma normalidade ofensiva. Paola falou com alguém e em minutos, nós estávamos diante do segurança do portão.

Ele olhou para a imagem e demorou um pouco mais do que eu queria.

— Não sei — ele começou.

Eu mantive o rosto neutro.

— Olhe de novo — eu pedi.

Ele olhou. Coçou a nuca. Então, com aquela cautela típica de quem não quer se comprometer, disse:

— Parece… parece o homem do gelato.

Paola e eu nos encaramos.

— Homem do gelato? — eu repeti.

— Um que passa aqui toda manhã com um carrinho — ele explicou. — Fica na rua lateral, perto da esquina. Vende gelato pras crianças. Não é da escola, mas… é de sempre.

Eu não perdi tempo pedindo uma análise moral.

— Onde eu encontro ele? — eu perguntei.

O segurança apontou a direção, como se estivesse desenhando um mapa no ar.

A rua lateral tinha menos fluxo, mais sombra, e aquele tipo de silêncio de cidade pequena onde qualquer movimento vira notícia. O carrinho de gelato estava ali, encostado, e o homem por trás dele estava arrumando as caixas térmicas com uma calma que me irritou instantaneamente.

Ele levantou os olhos quando nos aproximamos.

— Boa tarde, senhora — ele disse.

— Bom tarde — eu disse, e mostrei o celular com a imagem. — Você é este homem?

Ele olhou e franziu a testa.

— Parece eu, sim — ele respondeu, sem humor. — Mas a câmera…

— Você falou com a Bella hoje? — eu cortei.

O rosto dele mudou.

— Aconteceu alguma coisa com a Bella? — ele perguntou rápido. — A filha do Nico… da Tenuta Montesi, não é?

— Ela está desaparecida — eu disse.

O homem arregalou os olhos.

— Madonna… — ele murmurou, e colocou as duas mãos na borda do carrinho, como se precisasse de apoio. — Eu não… eu não sabia.

— Me diga exatamente o que aconteceu — eu exigi.

Ele assentiu, engolindo seco.

— Ela veio até mim — ele começou. — Pediu dois gelatos.

O número bateu como um sino.

— Dois? — Paola repetiu.

— Dois. — Ele confirmou. — Eu falei “por que dois?” e ela disse… — ele olhou para baixo, como se estivesse vendo a cena. — “Um é pro meu pai.”

Eu fechei os olhos por meio segundo.

— E você fez o quê? — eu perguntei, e eu sabia que minha voz estava mais dura do que o necessário.

Ele levantou as mãos, defensivo.

— Eu vendi o gelato, senhora. Eu achei que ela estava com alguém. — A urgência dele era genuína. — Muitas crianças vêm com avós, com babás… eu vi gente na calçada, vi movimento. Eu pensei que ela ia voltar pra escola depois. Como acontece com outras crianças.

Paola soltou um som baixo, como se quisesse discutir o “como acontece” e engoliu a própria indignação.

Eu não perdi energia com isso.

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