~ BIANCA ~
— Tia… Bia?
A voz veio pequena, do fundo da cave, como se tivesse medo de ser repreendida até pelo eco.
— Você tá dodói? Você gritou.
Eu congelei por um segundo. Foi como se o meu cérebro tivesse esquecido como funcionava o mundo.
Bella estava de pé, meio escondida atrás de uma fileira de barricas, com a mochila ainda nas costas e o rosto sujo de quem passou o dia tentando ser corajosa. Os olhos dela estavam enormes, atentos demais para uma criança.
— Bella! — o meu grito saiu como um alívio bruto.
Eu corri.
O chão estava frio e úmido, mas eu não senti nada. Eu só senti o peso do pânico se quebrando quando eu a alcancei e envolvi aquele corpo pequeno num abraço tão forte que eu mesma tive medo de machucar.
— Meu Deus… — eu disse, com a boca encostada no cabelo dela, como se eu precisasse checar que ela era real. — Meu Deus, meu amor…
Bella ficou dura por um segundo, e então os braços dela se fecharam em mim, apertando com uma força desproporcional para o tamanho.
Eu engoli o soluço.
— Tá todo mundo tão preocupado com você — eu consegui dizer, puxando o rosto dela para olhar. Eu queria checar as mãos, os joelhos, a pele, tudo. — Seu pai… ele…
— Você tá bem? — ela interrompeu, e a pergunta veio séria, quase acusatória. — Você gritou.
Eu pisquei rápido.
Eu ri, mas foi um riso molhado, meio quebrado. Eu limpei uma lágrima com o polegar, como se isso fosse uma tarefa simples.
— Eu tô bem, meu amor — eu falei. — É só que… o Trovão ou a Princesa Glitter ficou muito preocupado.
Bella franziu a testa.
— O quê?
Eu peguei a mãozinha dela e levei até a minha barriga.
— Coloca aqui.
Bella obedeceu com uma seriedade absoluta, como se estivesse participando de um segredo.
Ficamos assim por alguns segundos.
Nada.
E eu pensei que tinha sido só a minha imaginação, só um impulso que eu precisava para não cair.
Então veio.
Um chute pequeno, decidido.
Bella arregalou os olhos.
E, num instante, o rosto dela se abriu num sorriso.
— O que é isso? — ela perguntou, rindo.
— Isso é amor pela irmãzinha — eu respondi, e eu mesma me surpreendi com a frase. — Tá querendo sair daí pra te procurar.
Bella riu de novo, mais alto, e se inclinou um pouco, falando baixinho para a minha barriga como se o bebê pudesse ouvir palavras.
— Eu tô aqui.
A minha garganta apertou.
Eu puxei Bella para mim de novo, apertando ainda mais, como se eu precisasse recuperar com o corpo o tempo que ela tinha ficado longe.
Com a outra mão, eu tirei o celular do bolso e digitei rápido, dedos tremendo:
“Ela tá comigo. Cave de barricas.”
Enviei para Nico.
Eu respirei uma vez.
Precisava ser adulta agora.
Afastei Bella o suficiente para olhar nos olhos dela.
— Por que você fugiu, meu amor?
Bella apertou os lábios, e o olhar dela caiu por um segundo, como se ela estivesse escolhendo o quanto podia admitir.
— Eu queria voltar pra casa — ela disse. — Pro papai.
— Mesmo? — eu perguntei, mantendo o tom carinhoso, não interrogatório. — E por que você não ligou pro seu pai?
Bella deu de ombros, mas não era um gesto leve. Era um gesto pesado, aprendido.
— A mamãe disse que o papai é muito ocupado pra falar comigo — ela respondeu. — E que eu não posso ligar sempre.
Meu peito apertou.
— Bella… — eu comecei, porque eu não sabia onde colocar aquela frase sem quebrar algo.
Mas ela continuou, como se já estivesse esperando a minha reação.
— Mas eu sei que a mamãe mente pra mim.
Eu pisquei.
Sim, agora.
Sim, pra sempre.
Mas eu não podia.
Mentir para uma criança que já estava aprendendo a identificar mentira seria a crueldade mais silenciosa.
Eu respirei fundo.
— Eu não sei, Bella — eu respondi, com a verdade nua, do jeito que dói. — Mas eu prometo que a gente tá fazendo o possível pra você voltar logo, tá?
Bella segurou a minha mão.
— Logo é hoje?
Eu engoli.
— Logo é… logo — eu disse, e apertei os dedos dela. — Você não tá sozinha. Nunca.
Do lado de fora, passos apressados.
E então, a voz que eu reconheceria em qualquer lugar, rasgada pelo desespero:
— Bella!
Nico entrou correndo, o nome dela escapando de novo como se chamá-la fosse puxá-la de volta ao mundo.
Bella abriu um sorriso tão grande que eu senti raiva de tudo o que tinha tentado tirar aquilo dela.
— Papai! — ela gritou de volta.
Ela correu.
E o choque daquele abraço foi quase físico: Nico se ajoelhou para pegá-la, apertou como se quisesse colar a filha no peito, como se quisesse impedir que o ar roubasse de novo.
— Tudo bem, princesa — ele disse, a voz quebrando no meio. — Eu tô aqui. Eu tô aqui com você agora.
Bella enfiou o rosto no pescoço dele.
Eu vi Nico fechar os olhos por um instante.
E, por cima do cabelo dela, ele sussurrou para mim, baixo demais para qualquer outro ouvir:
— Obrigado.
Eu dei um passo, ainda sentindo o corpo tremendo, e respondi sem hesitar.
— Somos família.
E eu deixei aquela frase ali, firme, como a única coisa que importava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....