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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 702

~ BIANCA ~

— Tia… Bia?

A voz veio pequena, do fundo da cave, como se tivesse medo de ser repreendida até pelo eco.

— Você tá dodói? Você gritou.

Eu congelei por um segundo. Foi como se o meu cérebro tivesse esquecido como funcionava o mundo.

Bella estava de pé, meio escondida atrás de uma fileira de barricas, com a mochila ainda nas costas e o rosto sujo de quem passou o dia tentando ser corajosa. Os olhos dela estavam enormes, atentos demais para uma criança.

— Bella! — o meu grito saiu como um alívio bruto.

Eu corri.

O chão estava frio e úmido, mas eu não senti nada. Eu só senti o peso do pânico se quebrando quando eu a alcancei e envolvi aquele corpo pequeno num abraço tão forte que eu mesma tive medo de machucar.

— Meu Deus… — eu disse, com a boca encostada no cabelo dela, como se eu precisasse checar que ela era real. — Meu Deus, meu amor…

Bella ficou dura por um segundo, e então os braços dela se fecharam em mim, apertando com uma força desproporcional para o tamanho.

Eu engoli o soluço.

— Tá todo mundo tão preocupado com você — eu consegui dizer, puxando o rosto dela para olhar. Eu queria checar as mãos, os joelhos, a pele, tudo. — Seu pai… ele…

— Você tá bem? — ela interrompeu, e a pergunta veio séria, quase acusatória. — Você gritou.

Eu pisquei rápido.

Eu ri, mas foi um riso molhado, meio quebrado. Eu limpei uma lágrima com o polegar, como se isso fosse uma tarefa simples.

— Eu tô bem, meu amor — eu falei. — É só que… o Trovão ou a Princesa Glitter ficou muito preocupado.

Bella franziu a testa.

— O quê?

Eu peguei a mãozinha dela e levei até a minha barriga.

— Coloca aqui.

Bella obedeceu com uma seriedade absoluta, como se estivesse participando de um segredo.

Ficamos assim por alguns segundos.

Nada.

E eu pensei que tinha sido só a minha imaginação, só um impulso que eu precisava para não cair.

Então veio.

Um chute pequeno, decidido.

Bella arregalou os olhos.

E, num instante, o rosto dela se abriu num sorriso.

— O que é isso? — ela perguntou, rindo.

— Isso é amor pela irmãzinha — eu respondi, e eu mesma me surpreendi com a frase. — Tá querendo sair daí pra te procurar.

Bella riu de novo, mais alto, e se inclinou um pouco, falando baixinho para a minha barriga como se o bebê pudesse ouvir palavras.

— Eu tô aqui.

A minha garganta apertou.

Eu puxei Bella para mim de novo, apertando ainda mais, como se eu precisasse recuperar com o corpo o tempo que ela tinha ficado longe.

Com a outra mão, eu tirei o celular do bolso e digitei rápido, dedos tremendo:

“Ela tá comigo. Cave de barricas.”

Enviei para Nico.

Eu respirei uma vez.

Precisava ser adulta agora.

Afastei Bella o suficiente para olhar nos olhos dela.

— Por que você fugiu, meu amor?

Bella apertou os lábios, e o olhar dela caiu por um segundo, como se ela estivesse escolhendo o quanto podia admitir.

— Eu queria voltar pra casa — ela disse. — Pro papai.

— Mesmo? — eu perguntei, mantendo o tom carinhoso, não interrogatório. — E por que você não ligou pro seu pai?

Bella deu de ombros, mas não era um gesto leve. Era um gesto pesado, aprendido.

— A mamãe disse que o papai é muito ocupado pra falar comigo — ela respondeu. — E que eu não posso ligar sempre.

Meu peito apertou.

— Bella… — eu comecei, porque eu não sabia onde colocar aquela frase sem quebrar algo.

Mas ela continuou, como se já estivesse esperando a minha reação.

— Mas eu sei que a mamãe mente pra mim.

Eu pisquei.

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