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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 704

~ BIANCA ~

A viagem de volta para Florença foi rápida.

Bella estava no banco de trás, abraçada a uma almofada, como se um objeto macio pudesse convencer o mundo a ser menos duro. Nico dirigia com as duas mãos no volante, o corpo inteiro ainda em modo alerta.

Eu fiquei no banco do passageiro com o celular na mão e a cabeça em dois lugares: aqui, com o cinto de segurança, e lá, na frase que eu tinha dito ao policial em voz baixa.

Homens estranhos.

Eu repetia por dentro tentando decidir em que gaveta colocar aquilo. Que tipo de “estranho”? Que tipo de “homem”? Que tipo de “visita”?

Eu olhei pelo retrovisor.

Bella dormia com a boca entreaberta, exausta de ter sido corajosa o dia inteiro. O cabelo grudava na testa, e havia uma manchinha de gelato seco no canto da blusa.

Nico percebeu meu olhar.

— Ela dormiu? — ele perguntou, sem tirar os olhos da estrada.

— Dormiu — eu respondi.

Ele soltou o ar devagar, como se fosse a primeira vez em horas.

Quando entramos na garagem do prédio, eu vi a porta do elevador abrir antes mesmo de estacionarmos.

Martina.

Ela vinha com passos rápidos demais para o corpo que sempre parecia ser o mais estável de todos nós. O rosto dela estava pálido, e os olhos… os olhos dela estavam molhados de um jeito que eu quase nunca via.

— Bella… — ela disse, e foi só isso.

Nico desligou o motor, abriu a porta e, em segundos, Martina já estava do lado do carro, tentando alcançar a neta sem acordá-la com a própria urgência.

Bella abriu os olhos no meio do movimento e, quando reconheceu a avó, o rosto dela se desarmou.

— Nonna… — ela sussurrou.

Martina a puxou para um abraço cuidadoso.

— Meu amor… meu amor… — ela repetia.

Eu fiquei ao lado por um segundo, sem saber onde colocar as mãos. Eu sempre achei que eu sabia lidar com crise. Mas eu não tinha um manual para “volta do inferno com a criança inteira”.

Martina olhou para Nico.

— Eu fiz a comida preferida dela — ela disse, como se isso fosse uma forma de recuperar o controle do mundo. — Pra jantar. Eu deixei pronto.

Nico engoliu, e a garganta dele fez aquele movimento que denuncia quando um homem não quer chorar.

— Obrigado, mamma — ele respondeu.

Subimos e Martina conduziu Bella até a mesa com uma autoridade doce.

— Você come um pouco, depois você brinca — ela decretou.

Ela comeu do jeito que criança come quando o corpo está cansado: devagar, mastigando como se cada garfada tivesse que convencer o estômago a aceitar a segurança.

Nico ficou sentado ao lado dela o tempo todo, o braço encostando no encosto da cadeira de Bella como se ele precisasse de uma prova física de que ela estava ali.

Eu me movi pela cozinha como uma sombra útil: copos, água, guardanapos, nada que exigisse faca, porque Nico ainda tinha aquele reflexo de me tirar de qualquer coisa que pudesse virar acidente.

Depois do jantar, Martina hesitou no corredor.

— Eu fico acordada se vocês precisarem — ela disse.

— Nós damos conta — Nico respondeu, firme.

Martina hesitou um segundo. Mas então, ela beijou a testa da neta, depois beijou o rosto do filho, depois me olhou. E aquele olhar não era apenas de carinho fácil. Era como se ela dissesse: você segurou.

Eu não respondi com palavras.

Quando a porta do quarto dela fechou, o apartamento ficou só nosso.

— Vamos brincar? — Bella pediu, já descendo da cadeira.

— Vamos — Nico respondeu na hora, como se a palavra fosse um acordo.

Nós fomos para a sala.

Bella escolheu um jogo de cartas simples, daqueles de memória, e foi espalhando as cartas no tapete com uma seriedade quase cômica.

— Regras — ela anunciou, levantando um dedo. — Ninguém pode trapacear.

Eu olhei para Nico.

— Isso parece dirigido — eu comentei.

Bella me lançou um olhar que eu reconheci como “tia Bia, não testa minha paciência”.

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