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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 706

~ NICO ~

Quando a assistente social terminou a frase sobre “determinação vigente”, eu senti um impulso primitivo de pegar minha filha e desaparecer.

Martina fez um som baixo, uma respiração que falhou. Bianca ficou imóvel, a mão pousada sobre a própria barriga, como se o corpo dela tivesse entendido o golpe antes do cérebro.

Bella estava agarrada nas minhas pernas, o rosto enterrado na minha calça, como se eu fosse o único lugar seguro do mundo. Eu passei a mão nos cabelos dela devagar, repetindo “eu tô aqui” mais para mim do que para ela, porque eu precisava lembrar que eu ainda era capaz de ficar de pé.

Ela levantou o rosto, molhado de lágrimas, e me encarou com uma clareza que criança não deveria ter.

— Eu não quero ir — ela sussurrou.

Eu senti a frase me atravessar como se fosse um objeto sólido.

O homem da pasta mexeu nos papéis.

— Senhor Montesi — ele começou.

— Eu entendi — eu cortei, sem levantar a voz. — Eu só preciso de um minuto.

Eu me abaixei na altura de Bella.

— Princesa… — eu falei, e a palavra saiu com um esforço enorme para não virar desespero. — Olha pra mim.

Bella olhou.

Os olhos dela estavam vermelhos, mas atentos.

— Você lembra do que eu te disse ontem? — eu perguntei.

Ela franziu a testa, tentando acompanhar.

— Que… que eu não fiz errado? — ela arriscou.

Eu engoli.

— Isso. Você não fez errado por querer estar comigo. Mas se colocou em perigo — eu disse, com o máximo de carinho e o mínimo de culpa. — E agora tem gente grande tentando resolver isso do jeito deles.

Bella fungou.

— Eu vou ter que voltar — ela disse, como se a palavra fosse suja.

Eu olhei para Conti. Minha mão fechou no ar, como se eu pudesse agarrar uma ideia.

— Se eu disser não? — eu perguntei, baixo.

Conti aproximou o rosto, a voz ainda menor.

— Se você disser não e sair com ela agora, você alimenta a narrativa de sequestro. — Ele apontou discretamente para o meu celular. — E aí eles conseguem medida contra você.

Eu senti meu corpo endurecer.

Ele me encarou sem suavizar.

— Se você fizer isso no impulso, você perde ela legalmente. — Ele pausou, e a pausa foi pior do que a frase. — Pra sempre.

Eu fechei os olhos por um instante.

Pra sempre.

Eu abri de novo, e vi Bella olhando para mim como quem espera que eu vire o mundo do avesso. Eu até podia.

O problema era o preço.

Bianca chegou mais perto. Ela não tocou em mim. Só ficou ali, firme, como se a presença dela dissesse: eu tô aqui com você, mas não deixa o desespero dirigir.

— A gente vai reagir hoje ainda — Conti completou. — Petição urgente. Medida cautelar. Tudo. Mas agora… agora você precisa agir dentro da lei.

Eu assenti uma vez.

Foi o gesto mais difícil da minha vida.

O homem da pasta pigarreou, tentando retomar o comando.

— Podemos proceder com a entrega com acompanhamento — ele disse. — A mãe já está aguardando na garagem.

Eu me levantei devagar.

Bella se agarrou de novo.

— Papai, por favor — ela chorou, e a frase saiu em pedaços. — Por favor.

Meu peito doeu de um jeito físico.

Eu peguei Bella no colo. Ela se encolheu no meu peito.

— Vamos descer — eu disse para todos, mas era para mim.

A descida até a garagem pareceu longa demais. Elevador, corredor, passos. Cada etapa me dava a chance de fazer a loucura. Cada etapa me lembrava o aviso de Conti.

Na garagem, o ar era mais frio e cheirava a cimento e combustível.

Renata estava esperando com a cena preparada. Olhos um pouco vermelhos. Boca tensa do jeito certo. Advogado do lado. Nem perfeita demais, nem descontrolada demais.

— Isabella — ela chamou, e o tom veio doce. — Meu amor.

Bella se encolheu.

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