~ BIANCA ~
Eu entrei na sede da Bellucci como quem entra em casa e, por um segundo, eu quase esqueci que oficialmente eu não deveria estar ali.
O lobby tinha o mesmo ritmo de sempre, gente apressada demais para olhar para os lados, crachás batendo no peito, telas exibindo números que fingiam estabilidade.
— Nem afastada você deixa de vir aqui?
A voz veio da minha direita, com aquele tom de brincadeira que só existe quando a pessoa conhece o seu nível de vício em trabalho.
Mia.
Ela estava com um copo de café na mão e um sorriso meio torto no rosto, como se eu fosse uma criança que aparece no escritório doente só para provar que ainda consegue trabalhar.
— Vai viver, Bianca — ela completou.
Eu não sorri.
— Preciso falar com você — eu disse. — E com o Dante.
Mia revirou os olhos com teatralidade.
— Ah, ótimo. Eu adoro quando você começa frases assim. Sempre termina em alguém ameaçando processar a gente.
— Ele está aqui hoje, não está? — eu perguntei, já caminhando. — Ou na Tenuta?
Mia acompanhou meu passo.
— Acho que sim…— Ela olhou para o próprio celular como se conferisse o humor do universo. — Mas se você está no modo “preciso agora”, ele pode se teletransportar se não estiver.
A gente entrou no elevador. Eu apertei o andar sem pensar duas vezes.
Mia me olhou de lado.
— Você tá… bem? — ela perguntou, e o “bem” veio com o peso de tudo o que a gente não tinha tempo de falar ali.
— Eu estou funcionando — eu respondi.
Era a única verdade disponível.
O elevador abriu no andar do Dante e eu não diminuí o ritmo.
Mia fez um gesto, como se fosse me lembrar de boas maneiras.
— Você vai bater?
Eu abri a porta.
Sem bater.
Dante estava atrás da mesa, com um monte de papéis espalhados e um notebook aberto. Ele levantou os olhos no instante em que a gente invadiu, e a expressão dele mudou do cansaço para o sarcasmo em menos de um segundo.
— Priminhas! — ele anunciou, abrindo os braços como se estivesse recebendo duas celebridades em um talk show. — A que eu devo tamanha beleza reunida tão cedo pela manhã?
Mia entrou primeiro, empurrando o ar como se Dante tivesse soltado fumaça no ambiente.
— Corta essa — ela disse.
Eu fechei a porta atrás de mim.
— Tenho uma missão pra você — eu falei.
Dante soltou um suspiro e se recostou na cadeira, teatral.
— Bia… por mais que eu adore passar praticamente vinte e quatro horas do meu dia dentro de uma sala olhando para papéis… — ele apontou para o caos em cima da mesa, como se fosse prova do martírio — …ou cuidando dos detalhes finais de uma obra cheia de barulho e poeira…
— Dramático — Mia murmurou.
— …acho que meu tempo anda meio limitado no momento, sabe? — ele continuou, como se ela não existisse. — Não que eu não esteja pensando em roubar o lugar do Christian brevemente e assumir todos os problemas da Bellucci. Você sabe como eu adoro um problema.
Ele me olhou com falsa humildade.
— Mas até eu tenho limites.
Mia encostou no batente da porta e cruzou os braços.
— Aham. O único problema que você adora é no meio das pernas de alguma mulher.
Dante levou a mão ao peito, fingindo indignação.
— Eu sou um homem profundamente injustiçado.
Eu me sentei na cadeira em frente à mesa dele.
— Exatamente — eu disse.
Os dois pararam.
Mia abriu a boca, fechou, abriu de novo.
Dante piscou, como se eu tivesse falado em outra língua.
— Como é? — ele perguntou, finalmente.
Eu tirei o envelope pardo da bolsa e coloquei sobre a mesa.
— É mais ou menos por aí o trabalho — eu completei.
Mia endireitou o corpo.
— Bianca… — ela começou, como se estivesse prestes a me dar uma bronca carinhosa.
— Sem moral — eu avisei, antes. — Eu não estou aqui pra discutir ética. Eu estou aqui porque ela está usando tudo contra a gente. Tudo.
Eu senti a garganta apertar, mas eu não deixei a emoção entrar na voz.
— Se Renata está fazendo isso… — eu toquei a folha com a ponta do dedo — …eu preciso saber.
Dante me observou por um segundo, mais sério.
— E o que você quer que eu faça? — ele perguntou.
Eu sustentei o olhar.
— Quero que você agende um... horário.
Mia soltou um som que não era exatamente uma risada e nem exatamente um engasgo.
Dante, por outro lado, abriu um sorriso lento, como se alguém tivesse oferecido a ele um esporte radical.
— Eu iria adorar — ele disse. — Mas você esquece que ela me conhece?
Eu fechei os olhos por um instante.
— Eu não tinha pensado nisso — eu admiti.
Mia fez um gesto amplo, como se estivesse resumindo a minha personalidade.
— Claro que não pensou. Você só pensou na pessoa mais óbvia pra fazer o serviço que envolve mulheres.
— Eu pensei em alguém que sabe investigar — eu rebati.
— E que não perde a chance de transformar qualquer problema em diversão — Mia completou, olhando para Dante.
Dante deu de ombros.
— Eu sou um altruísta.
Eu puxei as folhas de volta, juntando tudo com cuidado.
— Então quem? — eu perguntei, direto.
Mia ficou em silêncio por dois segundos.
— Eu acho que sei quem seria perfeito para o papel...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....