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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 710

~ BIANCA ~

— Nem pensar.

Matheus disse como se eu tivesse pedido pra ele incendiar a sede da Bellucci e sair correndo pelo lobby com um extintor na mão.

Eu encostei as costas na cadeira e observei a cena com uma calma que não era calma.

A sala era a minha sala.

A mesma mesa, a mesma vista, o mesmo canto onde eu deixava uma caneca que eu nunca usava. Só que, agora, eu estava do lado oposto da mesa.

A sensação era estranha. Não por vaidade. Por instinto: meu corpo sabia onde eu me sentava para comandar.

E do outro lado estava Matheus.

Pelo menos era ele.

Pelo menos, quando eu olhava para aquela cadeira ocupada, eu via alguém que eu confiava o suficiente para não sentir que estavam roubando minha pele.

Mia continuava de pé, encostada na estante, com aquela postura de quem está pronta para rir e pronta para morder na mesma frase. Dante estava largado na poltrona como se fosse uma reunião social e não uma conversa que podia mudar a vida de uma criança.

Matheus, por outro lado, tinha o olhar sério de quem entende exatamente o peso de estar ali.

— Você tá me pedindo isso pra quê, Bianca? — ele perguntou, já mais controlado. — Você tem um detetive particular. Você tem assistência social. Você tem o Conti. Por que você quer fazer isso?

Eu não dei volta.

— Você sabe — eu respondi. — Eu tenho dificuldade em confiar.

Matheus ergueu uma sobrancelha, como se eu tivesse dito a coisa mais óbvia do mundo e, ainda assim, fosse irritante.

— Não tenta me comover com sinceridade. — Ele apontou com o queixo para mim. — Não vai colar.

Eu sustentei o olhar.

— Mas eu confio em você.

Ele soltou um som curto, quase um riso.

— Ah, não. — Matheus recostou na cadeira e cruzou os braços. — Da última vez que eu me meti em uma de vocês Belluccis, eu acabei com o olho ardendo a spray de pimenta por uns quinze dias direto.

Mia riu alto.

— Pobrezinho.

Eu olhei para Matheus com tédio calculado.

— “Vocês Belluccis” não — eu corrigi. — Você também é um Bellucci por associação.

Matheus apontou para si mesmo, como se eu tivesse cometido um crime de identidade.

— Eu sou um Aguilar.

— E, se você for pensar bem, a questão do spray de pimenta veio de um pedido de outra Aguilar — eu disse, doce. — Sua irmã Zoey.

Matheus revirou os olhos, como se estivesse revendo a cena inteira, e isso quase me deu satisfação.

Dante bateu palmas uma vez, lento, ridículo.

— Vai ser divertido, no mínimo — ele comentou. — Quer dizer… nós trabalhamos juntos na China. Eu sei como aquele país é difícil com relação a… mulher.

Mia endireitou o corpo.

— Dante.

Ele ergueu as mãos.

— O quê? Uma italiana vai fazer bem pra ele.

Mia fez cara de nojo.

— Ele não precisa dormir com ela de verdade!

Dante abriu um sorriso indecente.

— Só se ele quiser. Ele vai pagar.

Matheus olhou para nós três como se tivesse caído num circo.

— Eu não vou pagar — ele disse, seco.

E então ele apontou para a mesa, para a cadeira, para a sala, para tudo o que eu estava fingindo que era normal.

— Porque eu não vou fazer isso — ele concluiu.

Dante soltou um “oh” satisfeito, como se eu tivesse acabado de declarar guerra e ele amasse guerra.

Mia fechou os olhos por meio segundo, resignada.

Matheus ficou imóvel.

Eu continuei, sem elevar a voz.

— Nesse caso, eu uso o que eu tiver. Matheus… Bella é como se fosse minha filha.

A frase saiu limpa.

Eu senti o impacto dela em mim antes de ver o impacto nos outros.

— Eu não posso deixar ela trancada com uma mãe que só quer a menina pra ter acesso ao meu dinheiro — eu disse. — E não porque ama a filha. Enquanto, do outro lado… — eu comecei.

Minha voz falhou um pouco.

— Nico mal tem forças pra sair da cama todas as manhãs.

Matheus continuou me encarando, mas os olhos dele mudaram.

Eu respirei uma vez, tentando manter o tremor fora das palavras.

— Você nunca se importou tanto com alguém… tanto… que faria qualquer coisa por essa pessoa? — eu perguntei.

O silêncio veio pesado, mas não tenso.

Matheus desviou o olhar por um instante antes de voltar pra mim, como se eu fosse a parte que ele estava tentando não encarar.

— É. Eu já.

Ele soltou um suspiro longo, como se estivesse assinando um contrato invisível.

— Tudo bem.

Eu não me movi. Eu não comemorei. Eu só esperei.

Ele inclinou a cabeça, aceitando a derrota com dignidade.

— O que eu preciso fazer?

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