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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 711

~ RENATA ~

Depois da fuga, Isabella ficou pior.

Não pior no sentido bonito que todo mundo finge entender — “traumatizada”, “sensível”, “precisando de acolhimento”. Não. Pior no sentido prático: mais alerta, mais desconfiada, mais difícil de dobrar.

Antes, eu tinha uma criança que reclamava e depois obedecia.

Agora, eu tinha uma criança que observava.

E criança que observa vira risco.

Eu já tinha conseguido contornar a narrativa de negligência uma vez.

Aquela história do “sequestro arquitetado” tinha funcionado melhor do que eu esperava, porque era exatamente o que as pessoas queriam acreditar: que a esposa rica, grávida e intrometida tinha ciúmes, que o pai tinha sido cúmplice, que a menina tinha sido usada como peça.

Foi um espetáculo.

E eu sou boa em espetáculo.

Mas espetáculo não aguenta repetição. Isabella precisava andar na linha. Precisava voltar a ser previsível.

Naquela noite, ela estava sentada no tapete da sala com um conjunto de blocos espalhados ao redor. Montava alguma coisa que, do ponto de vista dela, era um castelo. Do ponto de vista de qualquer adulto que não estivesse emocionalmente refém, era só uma pilha torta.

Eu observei por um instante, do sofá, com o celular na mão.

O telefone vibrou.

Confirmado.

Eu respirei uma vez e levantei.

Aproximei-me de Isabella com a delicadeza de quem sabe que a obediência não nasce do susto, mas sim do tom.

— Bella, meu amor — eu chamei, suave.

Ela não levantou a cabeça na hora. Só mexeu uma peça de lugar, como se o mundo fosse uma coisa que pudesse ser ignorada com esforço.

— O quê? — ela perguntou, ainda olhando para o castelo.

Eu me abaixei um pouco, como se eu fosse uma mãe carinhosa que se interessa por brincadeira.

— Essa noite a mamãe tem visita, tá?

Agora ela levantou o rosto.

— Visita de quem?

Eu sorri com a paciência treinada.

— De um amigo.

— Posso ficar vendo TV? — ela perguntou, rápida, como se fosse um acordo automático.

Eu mantive o sorriso, sem mudar o tom.

— Você vai ficar no seu quarto.

A reação veio na hora: a testa franzida, a boca abrindo para discutir.

— Mas eu não quero.

— Bella — eu disse, com doçura suficiente para enganar qualquer um que estivesse ouvindo — não tem negociação.

Ela me encarou por um segundo a mais do que costumava.

Desde a fuga, ela tinha aprendido a testar limites como se estivesse procurando fenda.

— Você disse que ia jogar comigo hoje — ela tentou.

— Eu disse que a gente jogaria outro dia.

— Você disse “hoje”.

Eu senti um calor subir pelo meu peito.

Esse era o problema. Isabella tinha começado a guardar palavras.

Eu respirei e peguei a mão dela com firmeza controlada.

— Vamos — eu disse.

Ela resistiu um pouco, só para marcar posição.

No corredor, eu senti o conforto da casa bem construída. Eu não escolhi esse lugar unicamente por estética. Eu escolhi por estrutura. Os quartos tinham isolamento térmico. A vantagem disso era dupla: silêncio e controle.

Eu abri a porta do quarto dela.

— Fica aqui — eu disse.

— Mas eu quero ficar na sala — ela insistiu, e a voz veio com um tremor que ela tentava esconder.

— Não — eu respondi.

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