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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 720

~ BIANCA ~

Eles tinham dito vinte e quatro a quarenta e oito horas.

Eu repeti esse intervalo mentalmente tantas vezes que virou uma espécie de relógio interno. Um relógio de tensão: a sensação constante de que algo podia acontecer a qualquer momento, de que a linha do tempo não era mais minha.

Vinte e quatro a quarenta e oito horas para a investigação seguir depois que as provas foram apresentadas.

O que significava que o telefonema podia vir a qualquer momento.

Eu ainda não tinha contado nada para o Nico. Porque havia um tipo específico de esperança que, quando colocada na mão de um homem quebrado, vira uma promessa.

E promessa é coisa perigosa.

Se o plano não desse em nada, nós de fato precisaríamos seguir pelas vias legais. O caminho formal, demorado, cheio de audiências e versões. Eu não queria dar ao Nico a sensação de que estava tudo resolvido, para depois ver a realidade arrancar isso dele com a mesma facilidade com que Renata arrancava nossa paz.

Eu não queria ver os olhos dele acenderem para, dias depois, apagarem.

Então eu aguentei sozinha.

Guardei o peso num lugar interno que eu conhecia bem, o lugar onde eu colocava tudo que não podia transbordar.

Naquele sábado à noite, eu tentei me permitir uma trégua.

Nico e eu estávamos aninhados no sofá da sala. Um documentário besta passava na televisão. Desses que começam prometendo mistério e, dez minutos depois, você percebe que é só gente falando com seriedade sobre um assunto banal.

Nico tinha uma manta sobre as pernas e o braço dele em volta de mim. Eu senti o calor do corpo dele e, por alguns minutos, eu consegui acreditar na normalidade.

A barriga me puxava para frente como uma lembrança física de que a vida não espera o fim das guerras para acontecer.

Nico mexeu no controle, diminuiu o volume.

— Eu fiquei pensando numa coisa boba hoje — ele disse. — O quarto das meninas.

Eu virei o rosto pra ele, atenta.

— Que coisa boba?

— Se a gente erra a cor, a gente vai olhar pra parede todo dia e lembrar que errou — ele falou, com uma seriedade quase engraçada. — E eu quero acertar.

Eu sorri.

— Você é mais perfeccionista do que gosta de admitir.

— Eu sou prático — ele corrigiu. — Perfeccionista é você.

— Eu? — eu fiz cara de ofendida.

Ele apertou minha mão.

— Que cor você acha que a Bella gostaria?

— Algo bem princesa. Tipo… “Rosa Coroa”, “Baunilha de Castelo”, “Brilho de Varinha”.

Nico me olhou de lado.

— Você tá inventando isso.

— E você tá subestimando o marketing de tinta — eu respondi, séria de mentira. — Se eu procurar, existe.

Nico soltou uma gargalhada, me puxou um pouco mais para perto e eu ri junto, sentindo o peito aliviar como se, por um segundo, a vida lembrasse que ainda sabia ser leve.

— E para o quarto da… — ele começou, e parou.

Eu senti o corpo dele travar um pouco, como se a frase tivesse encostado num lugar sensível.

— Para a bebê — eu completei.

— Para a bebê… que cor você quer? — ele perguntou.

Eu olhei para o teto, fingindo pensar muito.

— Eu sempre achei que eu ia querer alguma coisa clássica — eu disse. — Branco, bege, aquela neutralidade de revista. Mas agora eu…

— Agora você quer algo que pareça casa — ele completou.

Eu virei o rosto para ele.

— Sim — eu admiti. — Algo que pareça casa.

Ele fez um aceno pequeno.

— Um verde bem suave — ele sugeriu. — Daquele tipo que lembra folha por dentro. Não escuro. Só… vivo.

— Você entende de cor agora? — eu provoquei.

Ele deu de ombros.

— Eu entendo de terra — ele disse. — Terra tem nuance.

Eu sorri.

— Então um verde suave — eu repeti, como se eu estivesse testando a ideia na boca.

Ele apertou meu ombro.

— Eu montaria o berço — Nico disse, e o tom dele mudou. Ficou mais baixo. Mais firme. — Como eu montei o da Bella.

Meu coração apertou.

Capítulo 720 1

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