Depois que Bruno foi levado, Marcelo guiou a jovem e o menino até seu carro.
Glayci não disse uma palavra durante todo o trajeto. O corpo ainda parecia em choque, como se tudo tivesse acontecido rápido demais para que sua mente acompanhasse. As mãos estavam frias no colo, e os olhos vagavam pela janela sem realmente enxergar nada. Arthur perguntava do tio sem parar, o que fazia tudo se quebrar dentro dela.
Quando o carro parou, ela piscou algumas vezes, tentando se situar. O prédio era alto e discreto, afastado de onde estavam. Marcelo desceu primeiro e abriu a porta para ela e pegou o menino nos braços.
— Vem. Vocês vão ficar em segurança aqui.
A voz dele não era dura como antes. Mas também não era suave.
Glayci assentiu e saiu.
O elevador subiu em silêncio. Cada andar parecia apertar mais o peito dela, como se estivesse deixando para trás tudo o que conhecia e tudo o que tinha acabado de acontecer.
Quando a porta do apartamento se abriu, duas mulheres que ela não conhecia já estavam lá dentro.
Milena foi a primeira a se aproximar.
— Glayci… — disse com cuidado, quase como se tivesse medo de assustá-la.
Lívia veio logo atrás, com um olhar mais observador, mas não menos acolhedor.
— Já deixamos o quarto pronto pra vocês. — completou.
Arthur pulou dos braços de Marcelo e entrou correndo segurando na perna de Milena.
— Titia... você está aqui também. Cadê Mason e a Vallentina?
Milena sorriu e se inclinou um pouco até ficar na altura do menino.
— Eles estão dormindo, pequeno. Mas agora sempre que quiser brincar com os meus filhos, é só me ligar.
Glayci sorriu um pouco mais tranquila. Olhou ao redor. O ambiente era claro, organizado, calmo demais para alguém que ainda sentia o mundo desmoronar por dentro.
— Obrigada… eu não sei como agradecer o que estão fazendo por mim e por meu filho... principalmente depois do que meu irmão fez. — murmurou, a voz baixa.
Milena tocou levemente o braço dela.
— Você está segura aqui. E não se culpe pelas escolhas erradas que seu irmão fez.
Glayci olhou nos olhos de Milena por um momento e assentiu com a cabeça.
Lívia a guiou até o quarto. Era grande e aconchegante. A cama arrumada, um copo de água na mesa de cabeceira, uma manta dobrada com cuidado. Alguns brinquedos e roupas novas.
Detalhes que diziam mais do que qualquer palavra.
— Se precisar de qualquer coisa… é só chamar. — disse Lívia, antes de sair.
A porta se fechou suavemente. Glayci sentou na cama e suspirou tristemente.
Algum tempo depois, Marcelo apareceu na porta.
Ela levantou o olhar imediatamente.
— Marcelo... eu… — começou, mas não sabia exatamente o que dizer.
Ele se aproximou devagar.

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