Sabrina sentiu o estômago contrair. Pela primeira vez em toda sua vida, o medo não era algo que ela controlava. Tentou disfarçar, mas a respiração a entregou.
Ele olhou para os seguranças que estavam de costas para eles. Era a regra, não olhar para seu rosto e em seguida recolocou a máscara com calma.
— Vamos! — disse ao segurança, sem tirar os olhos dela. — Deixa ela. O tempo faz o resto. Vou deixar que ele termine.
— Não… — a voz falhou. — Você não pode me deixar aqui.
Ele já estava na porta quando parou. Virou o rosto apenas o suficiente para encará-la.
— Ainda não entendeu? — disse, frio. — Esse lugar já é a sua sepultura. Não se preocupe. Eu trago flores. As vermelhas... que são as suas preferidas.
— Maldito momento que eu não te matei.— Gritou fazendo ele sorrir.
A porta se fechou com um baque forte.
— Senhor... qual é a próxima ordem?
Ele nem olhou para trás.
— Não tenho ordens. Me encarreguei de que ela nunca consiga sair daqui.— respondeu sem emoção.— Ele deu alguns passos, acendeu um cigarro e completou, sem emoção.— Vocês só precisam sentar e esperar.
No primeiro dia, Sabrina ainda acreditava que sairia dali. O corpo doía, a cabeça girava, mas a mente continuava afiada. Ela puxava as cordas, testava a resistência, analisava cada fresta da cabana como se fosse encontrar uma falha, uma saída, qualquer coisa. Gritou. Xingou. Prometeu dinheiro, ameaçou nomes, citou contatos, poder, influência.
Nada veio em resposta. Nem água. Nem comida. Só silêncio.
No segundo dia, o tempo começou a se distorcer. A garganta já arranhava. Os lábios racharam. O gosto metálico não sumia. O estômago vazio reclamava em ondas, contraindo com dor. Ela tentou manter o controle, repetindo para si mesma que aquilo era um jogo, uma tentativa de amedrontá-la.
— Eu não vou ceder seu maldito… — murmurou para o nada, a voz mais fraca do que gostaria.
No terceiro dia, a fome deixou de ser o pior problema. A sede tomou conta de tudo. A língua pesada, grudando no céu da boca. A respiração seca, difícil. O corpo mais lento. Os pensamentos embaralhados. Ela tentou se levantar várias vezes, caiu outras tantas. Riu sozinha em um momento, um riso sem humor, quebrado.
— Isso… isso não é possível… como ninguém sentiu minha falta? Aquele... inútil do Bruno.... cadê ele?
No quarto dia, o desespero começou a vencer. Ela não gritava mais por raiva. Gritava por ajuda.
— Tem alguém aí? — a voz saiu arrastada, quase irreconhecível. — Por favor… me ajuda.
Nenhuma resposta. Só o rangido ocasional da madeira, o vento passando pelas frestas, e o próprio coração batendo rápido demais dentro do peito.
Do lado de fora, a noite caía outra vez.
Novamente o homem mascarado estava sentado em uma cadeira, encostado na parede externa da cabana. Um cigarro entre os dedos, a fumaça subindo devagar no ar frio. O rosto escondido pela máscara, os olhos fixos em algum ponto distante.
Um dos homens se aproximou.
— Você não acha que está indo longe demais?
Nada foi dito por alguns segundos. Ele levou o cigarro à boca, tragou devagar, e soltou a fumaça com calma.

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