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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 145

Quinze dias haviam se passado desde que a sombra do medo começou a se afastar.

Marcelo voltou a ser o homem que sempre queria ser para os filhos. Presente. Amável. O pai que acordava cedo para preparar o café da manhã, o homem apaixonado que chegava do hospital com as mãos ainda cheirando a antisséptico e abraçava Milena como se ela fosse o único lugar seguro do mundo.

A universidade e as cirurgias continuavam, ele não abandonou nada, mas agora ele saía do trabalho no horário certo. Chegava em casa antes do jantar. Brincava no jardim. Lia histórias antes de dormir. O celular já não tocava no meio da noite o deixando preocupado.

O nome Sabrina nunca mais foi pronunciado dentro daquela casa. Estava proibido por decisão silenciosa de todos. Desde a prisão de Bruno e a sua confissão de que Sabrina havia sido sequestrada, Marcelo simplesmente parou de falar dela. Como se apagá-la da boca fosse a única forma de apagá-la da vida.

Alguém, que ninguém sabia quem, tinha conseguido tirar os vídeos dos abusos da televisão. Os canais e a Internet pararam de repetir as imagens. Os repórteres ainda apareciam às vezes na porta da universidade ou do hospital, mas as perguntas já não doíam tanto. Eram respondidas com um “sem comentários” firme e educado. A ferida ainda existia, mas já não sangrava todos os dias.

Naquela tarde de domingo, o sol iluminava o jardim dos fundos. Os quatro pequenos corriam atrás de uma bola colorida, rindo alto. Marcelo e Milena estavam sentados no banco de madeira sob a árvore grande.

Marcelo observava Milena em silêncio, como se estivesse tentando guardar cada detalhe dela ali, naquele instante.

— Por que você está me olhando assim? — ela perguntou, com um sorriso leve, inclinando o rosto na direção dele.

Ele demorou um segundo para responder. A mão subiu devagar até o rosto dela, o polegar deslizando com cuidado por sua bochecha.

— Porque você é a mulher da minha vida… — disse baixo. — E eu tenho medo de esquecer como você fica assim… quando sorri.

Milena sentiu o peito apertar, mas sorriu, os olhos brilhando.

— Por isso você está proibido de me esquecer.

— Pode deixar... eu nunca esqueço alguém que amo.

Milena sorriu. Marcelo aproximou-se mais, a mão escorregando para a nuca dela, puxando-a com suavidade. O beijo veio sem pressa, quente, firme, como se fosse mais do que desejo.

Quando se afastou, manteve a testa encostada na dela por um instante, respirando o mesmo ar.

— Se todas as vezes que me olhar acabar com um beijo… — ela sussurrou.— pode olhar mais vezes.

Ele sorriu, dessa vez mais leve.

— Então vou fazer isso sempre.

Quando se afastou, Marcelo esticou o braço, arrancou uma pequena flor branca do canteiro ao lado e a colocou com delicadeza atrás da orelha de Milena. Os dedos roçaram o cabelo dela.

— Você fica ainda mais linda assim. — murmurou.

Milena riu baixinho, encostando a testa na dele.

— Você está diferente esses dias.

— Um diferente bom ou ruim?

— Bom... É um diferente muito bom. Eu gosto de te ver assim.

— Eu também.— respondeu ele com a voz baixa.

Antes que Marcelo dissesse mais alguma coisa, passos apressados cortaram o momento.

— Mamãe! — a voz de Vallentina veio primeiro, animada.

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