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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 149

Nos dias que se seguiram, a pressão não diminuiu. Marcelo passou a ser tratado como o único nome possível para aquele crime. A investigação avançava, mas sempre voltava para ele. Sempre encontrava um caminho que o colocava no centro de tudo.

A imprensa não o deixava em paz. Na universidade, microfones eram erguidos antes mesmo de ele atravessar o estacionamento. No hospital, câmeras esperavam na entrada, transformando cada chegada em um espetáculo público. Perguntas eram jogadas sem cuidado, sem respeito, sem pausa.

Ele nunca respondia nenhuma delas. Seguia em frente, com a mesma postura firme de sempre. Mas o peso já não era o mesmo.

Dentro da sala de reunião da universidade, Marcelo ouviu mais do que falou. Os diretores estavam tensos. A imagem da instituição começava a ser afetada. Alunos comentavam nos corredores e alguns pais cogitavam tirar seus filhos de lá.

Então naquela manhã ouvindo as vozes insistentes dos pais ele decidiu.

— Eu vou me afastar por um tempo...— disse, direto, encerrando qualquer debate. — É o melhor para todos.

Os professores e o diretor se assustaram. Não era do feitio de Marcelo desistir assim. Mas apesar de tudo sabiam que aquilo era o melhor a se fazer naquele momento.

Mais tarde no hospital, tomou a mesma decisão.

Ele não estava fugindo. Era a única maneira de proteger sua universidade e os pacientes do seu hospital.

Milena esteve ao lado dele em cada passo. Não questionava suas decisões. Nem pedia explicações por tal atitude. Era o único jeito de demonstrar que ele não estava sozinho.

Sabrina não teve veleiro, ninguém compareceu para despedida. Foi cremada e deixada em uma urna qualquer.

Milena foi chamada para retirar seus pertences, mas decidiu não ir. Desde a notícia da morte, Milena não chorou. Não houve colapso, nem desespero. Apenas um silêncio pesado, frio, como se qualquer emoção tivesse sido arrancada junto com tudo que Sabrina representava. Ela a desprezava e não ter derramado uma lágrima pela mãe deixava Álvaro preocupado.

Naquela tarde, a casa estava em silêncio. As crianças brincavam no andar de cima. O som distante das risadas contrastava com a quietude da sala.

Marcelo estava sentado no sofá, o olhar perdido em algum ponto fixo à frente. O celular repousava sobre a mesa de centro.

Milena o observava sem dizer nada. Ela já sabia reconhecer aquele tipo de silêncio. Tinha algo o incomodando. E a forma que ele encarava o celular deixava claro que não era bom.

Ela sentou no seu colo para tentar tirar ele daquela melancolia, mas não deu tempo nem de sentir a mão dele na cintura dela, o telefone tocou.

Marcelo olhou para o aparelho por um segundo, levantou antes de atender. O nome na tela não passou despedido por Milena. Ela já sabia que ele iria investigar a morte de Sabrina por conta própria e a ligação de Thomas era a resposta que ele tanto buscava. Ele levou o celular ao ouvido.

— Marcelo.

Do outro lado Thomas falou. Poucas palavras, a voz baixa, mas suficiente para Marcelo paralisar.

A expressão dele não mudou de imediato. Mas algo no olhar endureceu. A respiração ficou mais lenta, quase controlada demais.

— Entendi.— respondeu ele. Foi a única coisa que disse antes de encerrar a ligação.

Ele guardou o celular no bolso da calça, pegou as chaves sobre a mesa.

Milena franziu levemente a testa.

— Thomas descobriu alguma coisa?

Marcelo não respondeu na hora, passou por ela e parou por um segundo, como se fosse dizer algo. Mas não disse. Levou a mão no rosto dela e a olhou nos olhos profundamente.

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