“Algumas proteções não vêm de promessas… vêm da forma como alguém decide ficar quando você precisa.”
O problema nunca foi o que acontecia entre eles quando havia plateia, foi o quanto tudo mudava quando estavam completamente sozinhos.
Aos poucos, a sala foi se esvaziando de forma quase natural, como se aquela noite tivesse cumprido exatamente o papel que todos esperavam, deixando para trás apenas o eco das conversas, o calor constante da lareira e os olhares que, mesmo silenciosos, ainda carregavam significados que nenhuma palavra teria coragem de sustentar.
Margareth Fitzgerald foi a última a sair, lançando um olhar demorado e silencioso na direção de Dayse e do neto, com um sorriso discreto, satisfeito e quase cúmplice no seu rosto, como alguém que reconhecia muito mais do que deveria e aprovava cada detalhe.
Quando a porta finalmente se fechou, o silêncio que ficou não era vazio, era denso. Presente e perigoso.
Dayse já não prestava atenção em mais nada ao redor.
O corpo dela permanecia encaixado ao dele, mas agora de uma forma diferente, menos tensa, mais entregue, o cansaço emocional da noite enfim encontrava um único lugar seguro para existir.
Lentamente, quase sem perceber o próprio gesto, ela deixou o rosto escorregar até a curva do pescoço de Edward, fechando os olhos no instante em que sentiu o calor da pele dele e o cheiro que, naquele momento, parecia absurdamente familiar.
A respiração dela desacelerou, ainda irregular, mas mais baixa, mais próxima, os dedos se prenderam à camisa dele, firmes o suficiente para não deixar espaço para qualquer instabilidade.
Edward percebeu cada detalhe.
O peso sutil do corpo dela contra o dele, a forma como ela não se afastou e o silêncio que, dessa vez, não era resistência.
Um sorriso quase imperceptível surgiu nos lábios dele, não de deboche, nem de provocação… mas de reconhecimento.
A mão dele subiu com calma pelos cabelos dela, afastando alguns fios do rosto, enquanto o polegar fazia um movimento lento e contínuo, num gesto que já não tinha nada de casual.
— Acho melhor irmos descansar… — disse, com a voz baixa, próxima demais, deixando as palavras deslizarem devagar no espaço entre eles.
Dayse demorou um segundo a mais do que deveria para responder, como se ainda estivesse tentando organizar tudo o que sentia dentro de si, mas, no fim, apenas assentiu de leve contra o pescoço dele, sem abrir os olhos.

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