“Alguns medos não desaparecem… eles apenas perdem a força quando alguém decide ficar.”
O problema nunca foi o barulho da tempestade.
Foi perceber que, pela primeira vez, ela não queria fugir nem da chuva, nem dele.
O quarto estava silencioso quando entraram, exceto pelo som do vento lá fora que começava a ganhar força, anunciando que a noite ainda não tinha terminado.
Dayse caminhou até a mala com passos mais lentos do que o normal, como se estivesse tentando organizar os próprios pensamentos enquanto evitava encarar o que realmente a incomodava.
Edward, por outro lado, não parecia nem um pouco interessado em esconder absolutamente nada.
Ele tirou a camisa sem pressa, jogando-a de qualquer jeito sobre a cadeira, antes de se deitar na cama usando apenas um short folgado, apoiando o corpo em um dos braços, completamente à vontade e focado nela.
Ele a observava com calma.
Dayse sentiu o calor subir pela pele quando abriu a mala e pegou a camisola branca de renda, leve e delicada. Ela virou de costas para ele, começou a trocar de roupa, sabendo que ele a observava.
Quando terminou e virou o rosto, como imaginou, ele ainda estava olhando. Mas estava com um sorriso perigoso no rosto. Como se estivesse gostando demais do que via.
— Você faz ideia do efeito que isso causa? — comentou com a voz baixa, carregada de um humor provocador, enquanto o olhar descia pelo corpo dela sem nenhuma pressa.
Dayse revirou os olhos, tentando sustentar uma expressão irritada que não convencia nem ela mesma.
— Para de ser ridículo, Edward.
— Ridículo? — ele arqueou a sobrancelha, fingindo ofensa enquanto o sorriso aumentava — eu tô sendo extremamente respeitoso aqui, considerando que minha vontade era te puxar pra essa cama sem nem deixar você terminar de se vestir.
Ela abriu a boca para responder, mas não conseguiu. Porque, naquele exato momento o som de um trovão cortou o céu alto, bruto fazendo todas as janelas vibrarem e Dayse travar.
O corpo inteiro reagiu antes que ela pudesse disfarçar, os ombros tencionaram e os olhos desviaram para a janela, onde a chuva começava a cair pesada, batendo com força contra o vidro.
Edward percebeu na mesma hora e o sorriso no rosto virou provocação.
— Não… — murmurou, alongando a palavra enquanto inclinava a cabeça — não me diz que você tem medo de chuva?
Dayse virou o rosto devagar, cruzando os braços enquanto fazia um pequeno bico, claramente contrariada por ter sido descoberta.
— Eu não tenho medo… — rebateu, tentando sustentar o tom firme, mas desviando o olhar por um segundo — eu só… não gosto.
Outro trovão, mais alto, mais próximo.
Ela deu um pulo assustada e Edward soltou uma gargalhada baixa, passando a mão pelo rosto enquanto balançava a cabeça, claramente se divertindo mais do que deveria.
— Você é inacreditável… — disse, ainda rindo, antes de estender a mão na direção dela — vem cá, sua manhosa, antes que você resolva se esconder dentro do armário.
Dayse estreitou os olhos, mas não resistiu e caminhou até ele e isso foi o erro.
Porque, no instante em que se aproximou, Edward segurou sua cintura com firmeza e a puxou para a cama com facilidade, fazendo com que ela soltasse um pequeno som de surpresa antes de cair sobre o colchão e ser imediatamente envolvida pelos braços dele.
— Tá vendo? — murmurou já acomodando o corpo dela contra o dele, com o tom agora mais baixo, mais próximo — nada aconteceu.
— E o que seria?
— Algo que garanto que vai fazer você esquecer completamente do temporal.
Ela não conseguiu evitar e sorriu batendo novamente no peito dele.
— Você é um pervertido.
— Só quando você facilita — respondeu, sem perder o sorriso.
A chuva se intensificava do lado de fora, os trovões ecoavam cada vez mais próximos, vibrando pelas paredes e cortando o silêncio da noite, mas Dayse já não prestava atenção em nada disso, porque, naquele instante, tudo o que realmente importava era o fato de estar ali, protegida, envolvida e completamente entregue nos braços dele.
Ela se aninhou ainda mais, aproximando o corpo até eliminar qualquer espaço entre eles.
Edward apertou levemente a cintura dela, puxando-a mais contra si, enquanto a mão continuava a deslizar pelos cabelos dela com uma paciência que ela não esperava.
E então, com a voz baixa, firme e surpreendentemente sincera disse:
— Não se preocupe… enquanto você estiver aqui, nada vai acontecer.
E foi ali, com o corpo encaixado ao dele enquanto a tempestade desabava lá fora, que Dayse percebeu algo que fez o coração apertar de um jeito silencioso e perigoso.
O problema nunca tinha sido a chuva, nem os trovões.
O problema era que ela já começava a se sentir segura demais nos braços dele e, diferente de tudo o que já tinha sentido antes, aquela segurança não despertava vontade de fugir, despertava vontade de ficar.

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