"O problema nunca é o que acontece… é o que continua depois."
Algumas noites não terminam quando o corpo descansa… elas continuam no que a gente tenta fingir que já passou.
Dayse acordou antes dele, na verdade, ela nem lembra o momento exato que dormiu.
Abriu os olhos devagar e por uns segundos ficou encarando o teto do quarto. Ainda tentava processar o que tinha acontecido ontem a noite. A forma como os dois se entregaram, como ele a tocou, a beijou, a possuiu… eles não tinham apenas transado e no fundo, Dayse sabia disso.
O problema era que tudo não passava de um contrato e nada disso podia ter acontecido.
— Meu Deus, o que está acontecendo comigo? — sussurrou para si mesma em busca de respostas.
Mas Dayse sabia o que tinha acontecido, só tinha medo de admitir.
Sentiu o coração acelerar quando percebeu que não estava sozinha naquela cama. Virou o rosto devagar e viu ele.
Edward ainda dormia ao lado dela, completamente alheio ao turbilhão que ele mesmo tinha provocado.
O lençol estava bagunçado sobre o corpo, baixo o suficiente para deixar parte do peito e do quadril à mostra, mas ainda cobrindo o necessário. A pele exposta revelava os músculos relaxados e um leve calor que parecia não ter desaparecido completamente desde a noite anterior.
O olhar de Dayse percorreu o rosto dele com uma atenção silenciosa, notando detalhes que na noite anterior tinham passado despercebidos. O traço firme do maxilar agora relaxado, a leve sombra da barba por fazer, os cabelos desalinhados caindo de forma quase displicente sobre a testa e algo dentro dela se contraiu de um jeito diferente, mais silencioso e mais intenso.
Um sorriso lento e involuntário, surgiu nos lábios dela.
E então, sem perceber completamente o que estava fazendo, inclinou o corpo sobre o dele, apenas o suficiente para sentir o calor dele, para reconhecer o cheiro que ainda permanecia na sua pele, para permitir que a vontade de tocar crescesse de forma inevitável, fazendo com que levantasse a mão quase por impulso.
Mas os dedos pararam a poucos centímetros dos cabelos dele. Ficaram ali por tempo demais para ser apenas um gesto inconsciente e, ainda assim, não avançaram.
Porque aquilo já não era só desejo e por isso mesmo, parecia mais perigoso.
Dayse puxou a mão de volta lentamente, respirando fundo, como se aquele pequeno gesto tivesse sido mais íntimo do que qualquer coisa que aconteceu na noite anterior.
Apertou o lençol contra o seu corpo ainda nu e com cuidado, saiu da cama.
Os pés tocaram o chão frio, ajudando a clarear a mente ainda um pouco confusa, enquanto ela seguia até o banheiro. Ela precisava de alguns minutos sozinha para se recompor e recuperar o controle que sabia não estar tão firme quanto antes.
Dayse parou diante do espelho assim que entrou no banheiro, ficando imóvel por alguns segundos, como se ainda estivesse atravessando a fronteira entre o que tinha acontecido e o que precisava voltar a ser.
A imagem refletida não ajudava.
Os cabelos estavam completamente desalinhados, caindo de forma irregular pelos ombros, denunciando sem esforço algum a intensidade da noite anterior. O lençol, preso de qualquer jeito ao redor do corpo nu, cobria o suficiente para manter alguma dignidade, mas não escondia nada de verdade. Nem as marcas sutis na pele, nem o leve rubor espalhado pelo colo ou a expressão diferente que ela ainda não reconhecia completamente.
Dayse sustentou o próprio olhar no espelho, esperando que aquela versão dela mesma dissesse algo.
— Não… — murmurou, quase sem voz, balançando a cabeça devagar. — Não. Isso não pode estar acontecendo.

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