"Algumas escolhas não terminam quando o sol nasce… elas começam a cobrar presença."
Dayse saiu do quarto achando que já tinha recuperado o controle, até perceber que algumas coisas não ficam no passado quando ainda estão visíveis no corpo.
A cozinha já estava a todo vapor.
O movimento era organizado, eficiente, com empregados circulando em silêncio enquanto Margareth distribuía orientações com aquela elegância firme de quem não precisava elevar o tom para ser obedecida, enquanto Beatrice acompanhava ao lado, observando tudo com interesse.
Assim que viu Dayse, Margareth abriu um sorriso imediato e caminhou até ela.
— Bom dia, minha querida — disse, envolvendo-a em um abraço leve, porém acolhedor, demorando um segundo a mais do que o necessário antes de se afastar e analisá-la com atenção. — Dormiu bem?
Dayse assentiu, tentando manter a compostura.
— Sim, Margareth… foi uma noite tranquila.
Beatrice apareceu ao lado delas antes que pudesse continuar, passando o braço pelos ombros de Dayse com naturalidade e um brilho provocador nos olhos.
— Tranquila? — repetiu, inclinando o rosto enquanto analisava Dayse sem o menor pudor. — Vovó… olha bem pra ela.
Fez uma pausa curta, os olhos brilhando.
— Isso não é cara de descanso… é de quem teve uma noite interessante.
Dayse sentiu o rosto esquentar imediatamente e Margareth soltou uma risada baixa, elegante, mas sincera.
— Beatrice, modere-se — disse, com um sorriso leve demais para ser repreensão de verdade. — Principalmente porque você não tem histórico nenhum que te permita julgar esse tipo de situação.
Beatrice sorriu, sem negar.
— Se o Lucca estivesse aqui com toda certeza eu não sairia daquele quarto.
Margareth virou para Dayse, fazendo um gesto delicado em direção à mesa.
— Venha, sente-se conosco. Acho que você vai precisar de um bom café da manhã.
Pouco a pouco, os outros começaram a aparecer.
Clara surgiu primeiro, com o cabelo bagunçado, passos lentos e um sorriso descarado de quem claramente não tinha dormido direito e claramente não era por falta de sono.
Ela parou ao ver Dayse, cruzou os braços e soltou uma risadinha baixa.
— Bom dia… — disse, olhando de cima a baixo sem o menor pudor. — Pelo visto, não fui só eu que tive uma noite bem… produtiva.
Dayse desviou o olhar, mas o pequeno sorriso que surgiu em seu rosto, entregou tudo.
Adrian veio logo depois, mais quieto do que o normal, tentando parecer controlado, mas a postura tensa e o jeito mais fechado deixavam claro que aquilo não estava funcionando tão bem quanto ele gostaria.
Assim que entrou na cozinha, o olhar dele foi direto para Clara, antes mesmo que pudesse evitar.
Ela já estava olhando.
Parada com o corpo relaxado e um sorriso leve, mas claramente provocador, Clara sustentou o olhar sem desviar, deixando evidente que lembrava exatamente do que tinha acontecido na noite anterior e que não via motivo nenhum para esconder isso.
Adrian sentiu o rosto esquentar na mesma hora e desviou o olhar rápido demais, pegando qualquer coisa na mesa só para fingir que estava ocupado, enquanto levava a mão até a nuca num gesto claro de desconforto.
Quando virou o rosto levemente, encontrou o olhar dele ainda ali, mais suave do que na noite anterior, mas não menos intenso.
— Dormiu bem? — perguntou, agora em tom mais alto, mas mantendo o tom próximo, quase exclusivo.
Mas o olhar dizia outra coisa.
Dayse engoliu seco, tentando recuperar a própria voz.
— Dormi… — respondeu, baixo demais, antes de completar, quase sem perceber: — melhor do que imaginei.
O canto da boca dele subiu de leve.
— Eu também.
A mão dele subiu devagar pelo braço dela, um toque breve, mas consciente, antes de se afastar o suficiente para não levantar suspeitas, embora fosse tarde demais para isso.
Clara sorriu, claramente satisfeita. Margareth bateu palminhas, encantada. Beatrice segurava o riso e Adrian observava tudo em silêncio.
Já Camilla não fazia questão de esconder a expressão de ciúmes.
Mas Edward não olhou para ela.
Porque, naquele momento, o único foco dele, ainda era Dayse. E ele não desviava o olhar nem por um segundo.
Era como se não houvesse mais ninguém ali e que aquilo já não era mais só um acordo

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