“Algumas tardes parecem leves demais, até você perceber que ninguém ali está realmente brincando.”
A tarde começou sem nenhum planejamento, mas tudo seguiu de forma tranquila, como se todos tivessem decidido, mesmo sem conversar sobre isso, apenas aproveitar o momento sem fazer perguntas e sem tentar controlar o que aconteceria depois.
O sol já estava alto quando se reuniram na área externa da casa, onde a piscina refletia a luz de forma quase preguiçosa, enquanto garrafas de bebida começavam a se acumular sobre a mesa ao lado das espreguiçadeiras, acompanhadas por risadas que surgiam com facilidade demais para serem completamente inocentes.
Dayse tentou manter a postura no início.
Tentou.
Mas bastaram poucos minutos, algumas provocações de Clara, os comentários debochados de Beatrice e a presença constante e impossível de ignorar de Edward para que aquela tentativa deixasse de fazer qualquer sentido.
Ele não se afastava de verdade. Permanecia sempre por perto, perto o suficiente para que ela percebesse a presença dele, mas mantendo uma distância calculada para não chamar atenção de forma evidente.
Clara foi a primeira a quebrar qualquer tipo de formalidade, se sentando de qualquer jeito na espreguiçadeira, com um copo na mão e um sorriso que deixava claro que ela estava aproveitando cada segundo daquilo.
— Eu só quero deixar registrado — começou, erguendo o copo — que essa é, facilmente, uma das melhores decisões impulsivas que eu já tomei.
Beatrice riu, apoiando o corpo na mesa enquanto pegava outra bebida.
— Vir pra cá ou se meter na vida amorosa da sua amiga?
Clara não hesitou.
— Os dois. E que fique claro, eu apenas recebi um convite do noivo dela, mas no final… — ela desviou o olhar para Adrian e morde o lábio inferior — quem acabou tirando na loteria fui eu.
Beatrice abriu um sorriso largo, claramente se divertindo com a situação, e apoiou o quadril na mesa, cruzando os braços enquanto observava as duas sem o menor pudor.
— Clara, minha amiga… — começou, com um tom quase solene demais para ser levado a sério — eu devo confessar que amei ver uma mulher fazendo o Adrian relaxar um pouco.
Ela inclinou levemente a cabeça, analisando a amiga com diversão evidente.
— Ele sempre foi muito certinho, metódico, centrado… — fez uma pausa curta, voltando o olhar para Clara — já estava mais do que na hora de alguém bagunçar isso.
O sorriso dela cresceu, mais provocador.
— E, sinceramente? Ele merecia uma mulher linda, de fibra e maravilhosa como você.
Clara soltou uma risada baixa, claramente satisfeita com o elogio.
Mas Beatrice ainda não tinha terminado.
— Só te aviso uma coisa… — continuou, apontando levemente o dedo na direção dela — eu quero ser a madrinha, ouviu?
Fez uma pausa dramática, antes de completar com um sorriso malicioso:
— Do casamento das duas.
A chegada de Lucca mudou o clima.
O som do carro anunciando sua chegada fez Beatrice levantar antes mesmo de confirmar quem era, e o sorriso que surgiu no rosto dela quando o viu atravessando o jardim foi completamente diferente de qualquer outro que Dayse tinha visto até ali.
Mais solto, mais verdadeiro.
— Você demorou — disse Beatrice, já caminhando até ele.
Lucca riu, puxando-a pela cintura com facilidade.
— Eu vim o mais rápido que pude, mas confesso que não esperava encontrar uma festa quando chegasse.
Ele se afastou de Beatrice com calma, dando alguns passos na direção dos dois, sem a menor pressa, como se estivesse saboreando a cena antes mesmo de dizer qualquer coisa.
Parou a uma distância confortável, cruzou os braços e inclinou levemente a cabeça, analisando Edward com um olhar carregado de ironia.
— Então… — começou, arrastando levemente as palavras — essa é a mulher que conseguiu derreter o nosso homem de gelo?
O silêncio durou apenas um segundo.
Beatrice mordeu o lábio para não rir. Clara simplesmente abriu um sorriso e Adrian já sabia que aquilo ia dar problema.
Lucca não tirou os olhos de Edward.
— Confesso que estou impressionado — continuou, agora olhando rapidamente para Dayse, sem esconder o tom provocador. — Porque, até onde eu lembro… esse aqui — fez um gesto vago na direção do amigo — fazia questão de dizer que nenhuma mulher iria fisga-lo, mas pelo visto… o nosso CEO se equivocou.
Edward não respondeu de imediato. Apenas sustentou o olhar, calmo e perigoso.
Lucca sorriu ainda mais, claramente se divertindo. Se aproximou de Dayse e estendeu a mão para cumprimentá-la.
— Lucca.
— Da-Dayse.
Ele apertou a mão dela com firmeza, mas o sorriso continuava carregado de diversão, como se estivesse analisando muito mais do que apenas a apresentação.
— Prazer, finalmente conhecer a mulher que conseguiu fazer o impossível.
Dayse tentou sustentar o olhar, mas acabou soltando um pequeno sorriso, ainda um pouco desconcertada com a forma direta dele.
Lucca soltou a mão dela devagar e então voltou a atenção para Edward. Sem pedir permissão, ele se aproximou mais e puxou Edward para um abraço rápido, firme, daqueles de velho amigo que já compartilhou coisa demais para precisar de formalidade.
Edward retribuiu, mas sem perder a postura.
— Demorou — disse, baixo, com um leve toque de provocação na voz.
Lucca riu, se afastando.
— Eu tinha que ver com meus próprios olhos… — respondeu, cruzando os braços. — Porque, sinceramente, não acreditei quando a Bia me contou.
— Você devia confiar mais nas fontes dela… — respondeu, tranquilo. — A Bia raramente exagera quando o assunto é entretenimento.
Lucca soltou uma risada, já esperando.
Edward então passou a mão pelo cabelo de forma distraída, antes de completar, agora com um tom mais leve, claramente se divertindo com a situação:
— E, sinceramente… — desviou o olhar para Dayse, o suficiente para deixar o subtexto evidente — acho que dessa vez eu fiz um upgrade considerável.
O efeito foi imediato.
Dayse sentiu o coração acelerar de forma descompassada, enquanto o calor subia pelo rosto sem qualquer aviso, e por um segundo ela simplesmente não soube onde olhar. Acabou desviando o rosto na tentativa de esconder o quanto aquele comentário a tinha atingido mais do que deveria.
O pequeno sorriso que surgiu foi inevitável e completamente fora de controle.
Mas Lucca percebeu.
O sorriso dele se abriu ainda mais, satisfeito demais com o que estava vendo.
— Agora sim… — disse, animado, batendo uma palma leve — então vamos beber, porque claramente temos muita coisa pra comemorar!

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