“O problema nunca foi o contrato… foi o motivo pelo qual ele escolheu ela.”
Edward sempre acreditou que controle era suficiente… até Dayse começar a tirar isso dele
O maxilar de Edward travou imediatamente. Os dedos apertaram o copo com tanta força que o vidro estalou de forma quase imperceptível entre sua mão.
Adrian percebeu.
E, pela primeira vez desde o início daquela conversa, algo realmente perigoso atravessou o olhar de Edward Fitzgerald.
Porque ele podia continuar negando sentimentos. Mas a simples ideia de outro homem tocando Dayse?
Aquilo ele definitivamente não suportava.
Adrian percebeu e continuou.
— Um homem que não tenha medo de assumir o que sente. Um homem que ligue para ela quando estiver longe. Que faça ela se sentir prioridade, não dúvida.
Os músculos do rosto tencionaram.
— Adrian…
— Não. Escuta o que eu estou dizendo.
A voz dele saiu mais firme agora.
— Porque a Dayse está apaixonada por você, mesmo tentando esconder isso. E você sabe.
Edward desviou o olhar por um segundo curto demais.
Adrian soltou uma risada seca, sem humor.
— Aí está.
Edward respirou fundo, apoiando o copo no balcão com mais força do que pretendia.
— Você não sabe do que está falando.
— Sei exatamente.
Adrian deu um passo à frente.
— E sabe o pior?
Edward ergueu os olhos lentamente.
— Você também está.
O silêncio que veio depois foi brutal, pesado e longo.
Edward não respondeu imediatamente porque, pela primeira vez naquela noite, não parecia conseguir.
A garganta se moveu devagar enquanto ele desviava o olhar. Mas Adrian já conhecia Edward Fitzgerald tempo suficiente para perceber.
O problema nunca foi falta de sentimento. Era medo do que aconteceria quando ele finalmente aceitasse que sentia.
— Continua fugindo, então — disse Adrian, mais calmo agora. — Mas quando perceber que pode perder ela de verdade… talvez já tenha outro homem ocupando o espaço que era seu.
Aquela frase atingiu Edward de forma instantânea.
O dia em que viu Dayse pela primeira vez na empresa.
Quando o seu avô exigiu que ele precisava se casar para provar que era um homem responsável para assumir a empresa, ele sabia que precisava de alguém confiável, alguém discreto, e que soubesse cumprir um papel sem envolver sentimentos, alguém que entendesse limites e não ultrapassasse o que fosse combinado.
Mas, no fundo, ele sabia que não era só isso.
Porque, entre todas as opções que tinha, entre todas as mulheres que poderiam ter aceitado aquele tipo de acordo sem questionar, ele escolheu ela.
Escolheu Dayse e não foi por acaso.
O erro foi apenas a desculpa. A forma mais conveniente que ele encontrou de se aproximar novamente dela. Porque, no fundo, ele sempre desejou Dayse. O contrato apenas deu a desculpa perfeita para finalmente se aproximar.
Edward passou a mão pelo maxilar, pressionando com mais força do que o necessário, como se estivesse tentando afastar aquele pensamento antes que ele se tornasse mais claro do que já era.
Mas não adiantava.
Dayse não era só mais uma, nunca foi.
Ela foi a primeira mulher que conseguiu atravessar a barreira que ele sempre manteve intacta, a primeira que fez com que ele reagisse sem cálculo, a primeira que fez com que ele perdesse o controle por um segundo… e isso foi o suficiente para desestabilizar tudo.
E foi exatamente por isso que ele reagiu daquela forma.
Não porque precisava colocar limites, mas porque precisava recuperar o controle.
Edward soltou o ar com mais força, inclinando levemente o corpo para trás na cadeira, passando a mão pelo rosto outra vez, agora mais devagar, como se estivesse tentando organizar aquilo sem precisar colocar em palavras.
O contrato nunca foi só um acordo.
Foi a desculpa que ele precisava… para ter ela.

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