“Algumas dores não quebram… elas ensinam a jogar.”
Dayse Whitmore
O problema não foi o que aconteceu entre nós… foi o que eu senti depois.
O quarto ficou em completo silêncio, quebrado apenas pelo som das nossas respirações ainda aceleradas. Edward ainda estava sobre mim, com o corpo pesado e quente, e o rosto enterrado no meu pescoço. O coração dele batia forte contra o meu, descompassado, irregular… tão fora de controle quanto o meu.
E aquilo me incomodou mais do que deveria.
Nenhum de nós disse nada. E talvez esse tenha sido o maior erro.
Depois de longos segundos, que pareceram muito mais do que deveriam, ele finalmente saiu de dentro de mim com um suspiro baixo e rolou para o lado. O corpo dele se afastou e, junto com ele, veio um vazio estranho, incômodo, imediato demais para ser ignorado.
Eu não esperei.
Me levantei da cama sem olhar para trás, ignorando completamente qualquer possibilidade de contato, de palavra, de explicação. O corpo dele ainda pulsava dentro do meu, o calor permanecia entre minhas pernas, e a sensação do que tínhamos acabado de fazer ainda escorria lentamente pela parte interna da minha coxa.
Aquilo era recente, intenso e errado demais.
Caminhei nua até o banheiro, mantendo os passos firmes mesmo quando meu corpo parecia querer parar. Mesmo quando uma parte de mim queria olhar para trás.
— Não faz isso. — sussurrei mentalmente.
Eu sabia que ele estava me observando. Podia sentir o olhar dele queimando minhas costas, pesado, atento, consciente de cada movimento meu… e, ainda assim, eu não me virei.
Porque se eu virasse eu sabia exatamente o que ia acontecer.
Fechei a porta atrás de mim com um clique suave e, no instante em que a madeira encostou no batente, encostei as costas nela e fechei os olhos com força.
Foi imediato.
Minha mão subiu até a boca, pressionando os lábios com força, tentando conter o som que insistia em escapar. O soluço veio antes mesmo que eu pudesse controlar fazendo o meu corpo reagir tarde demais.
Eu sentia meu peito doer, de um jeito que não fazia sentido. Doía tanto que parecia que alguém havia enfiado a mão dentro de mim e apertado meu coração.
Não era uma dor apenas física, era mais profunda, incômoda e difícil de ignorar.
— Não chora, Dayse. Não aqui. Não agora.
Engoli o choro com dificuldade, respirando fundo uma vez… duas… três… tentando recuperar o controle que tinha perdido sem perceber.
Minhas mãos tremiam levemente, o suficiente para me irritar. Quando finalmente consegui estabilizar a respiração, abri os olhos e encarei meu reflexo no espelho.
E aquilo foi pior.
Estava com o cabelo bagunçado, a pele marcada. Marcas vermelhas no pescoço, na cintura. Nos lugares exatos onde as mãos dele haviam me segurado com força. Sinais visíveis de algo que, para ele, provavelmente não significava nada além do que tinha sido.
Sexo. Apenas isso.
Meu olhar demorou mais do que deveria.
Eu me observei por alguns segundos em silêncio, tentando entender em que momento aquilo tinha deixado de ser apenas um acordo… e começado a me afetar de verdade.
Respirei fundo, endireitei levemente os ombros e então falei.
— Chega, Dayse.
Minha voz saiu baixa, porém firme. Mais firme do que eu esperava.

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