“Algumas atitudes não são carinho… são resposta.”
Dayse desceu para o café da manhã antes de todos, não porque estivesse com fome, mas porque precisava de alguns minutos longe dele. Ela sabia que aquela distância não resolveria nada, o clima entre os dois continuava tenso.
Na noite passada, Edward deixou claro que tudo entre eles não passava de um acordo, um jogo onde sentimentos não tinham espaço.
E foi isso que a atingiu de verdade.
Não porque fosse novidade, já que ela sempre soube disso e aceitou essas regras desde o início, mas porque depois dos momentos que ele tiveram, ela realmente acreditou que algo tinha mudado, que talvez tivesse deixado de ser apenas um papel, e passado a ser algo mais.
Mas não era.
E isso só confirmava o quanto ela tinha sido ingênua.
Ingênua o suficiente para esquecer quem ele era, para ignorar tudo o que Edward sempre deixou claro sobre si mesmo, porque homens como ele não amavam, não se permitiam sentir, não se entregavam.
Homens como ele, controlavam, escolhiam, conduziam tudo com precisão, e, quando queriam, simplesmente colocavam cada coisa em seu devido lugar sem hesitar.
A lembrança da manhã voltou sem aviso, clara demais para ser ignorada, trazendo de volta o momento em que ela se aproximou primeiro e deixou evidente, sem precisar dizer nada, que aquilo era apenas desejo, nada além disso.
Mas o que realmente ficou não foi o início.
Foi o que veio depois.
O instante em que ele tentou beijá-la, e ela desviou. O jeito como evitou o olhar dele, como manteve distância mesmo estando tão próxima, como se precisasse reforçar, para ele e para si mesma, que aquilo significava exatamente o que era.
Uma farsa.
Naquele momento, pareceu a escolha certa, uma forma de manter o controle, de não se expor e de sustentar o papel que ela mesma tinha aceitado.
Mas agora… doía mais do que ela imaginava.
Porque não foi apenas Edward quem impôs limites.
Ela também fez isso e ao agir assim, percebeu tarde demais que tinha ultrapassado um limite, não dele, mas de si mesma, e que, no processo, talvez tivesse estragado algo que vinha sendo construído em silêncio, algo que só existia enquanto nenhum dos dois tentasse nomear.
Ainda assim, não havia espaço para voltar atrás.
Ela precisava sustentar aquilo, porque era só isso que existia entre eles: um contrato.
E contratos não deixavam margem para erro.
A casa ainda estava silenciosa, como de costume nas manhãs nos Hamptons, diferente do turbilhão dentro dela. Ela tentava parecer tranquila, enquanto caminhava até a sala de jantar, mantendo os passos firmes apesar do desconforto.
— Bom dia, querida.
A voz de Margareth veio suave, mas atenta, carregada daquela percepção silenciosa que não precisava de perguntas diretas para entender que algo estava fora do lugar.
Dayse ergueu o olhar imediatamente, forçando um sorriso leve enquanto se aproximava da mesa.
— Bom dia…

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