“Alguns confrontos não acontecem com palavras… acontecem quando ninguém recua.”
O problema não era o silêncio. Era o que estava sendo evitado.
Ele se aproximou da mesa, cumprimentando os presentes com um aceno discreto, mas não desviava o olhar de Dayse, em momento algum, como se todo o resto ali fosse secundário.
Parou ao lado dela. Próximo o suficiente para que o corpo dela reagisse sem permissão, inclinando o corpo e depositando um beijo no ombro dela e perguntou:
— Não me esperou para tomar café, meu amor?
O tom foi leve, quase carinhoso. Mas carregado de um sarcasmo tão sutil quanto evidente.
E todos perceberam.
Margareth não disse nada, mas seus olhos acompanharam cada detalhe, cada microexpressão, cada pausa, como quem monta um quebra-cabeça em silêncio.
Clara parou de falar, Beatrice fingiu continuar comendo, Camila passou a observar com interesse e Adrian permaneceu observando o amigo atentamente. Ele sabia que Edward estava contido, e podia apostar que estava extremamente irritado. Mas resolveu permanecer em silêncio.
Dayse não respondeu e Edward sustentou o olhar por um segundo longo demais, esperando. Mas quando ela desviou o olhar, o maxilar dele se contraiu na mesma hora, ele apertou os dedos contra a cadeira dela e respirou fundo, tentando se controlar, mas sem conseguir esconder a irritação.
Ignorou a ausência de respostas e se sentou.
O café continuou, mas o clima permanecia tenso.
Durante todo o tempo, Edward permaneceu em silêncio, participando apenas o suficiente para não chamar atenção. Seu olhar sempre buscava o de Dayse, como se esperasse que em algum momento, ela cedesse e acabasse o encarando.
Mas ela não reagiu.
Desviava sempre e cada desvio o deixava ainda mais irritado.
Os dedos dele começaram a bater na mesa de forma ritmada, lenta, quase controlada, como se fosse a única maneira de conter algo que ele não estava disposto a demonstrar abertamente.
O sorriso aparecia de vez em quando, automático, social.
Mas não chegava aos olhos.
Nunca.
Porque toda vez que ela evitava encará-lo, o olhar dele escurecia mais, ficando mais pesado, mais denso, mais difícil de ignorar.
Dayse tentava acompanhar a conversa de Beatrice e Clara, respondendo quando precisava e sorrindo quando esperado, mas não estava realmente presente, porque sua atenção voltava para ele o tempo todo, incapaz de ignorar a presença dele e a tensão que aumentava a cada minuto.

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