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Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe romance Capítulo 130

“Algumas despedidas parecem normais… até você perceber o que está sendo evitado.”

O clima ainda estava estranho quando todos se levantaram da mesa, mas ninguém comentou diretamente, como se ignorar fosse a forma mais fácil de manter tudo no lugar.

Margareth foi a primeira a se aproximar.

— Já vão embora?

O tom era leve, mas o olhar não.

Dayse assentiu, forçando um sorriso que não chegou aos olhos.

— Edward precisa resolver algumas coisas.

Margareth abriu um sorriso suave e a puxou para um abraço. A mão dela subiu pelas costas de Dayse com firmeza, mantendo-a ali por um instante a mais do que o normal.

— Voltem logo — murmurou, baixo, perto do ouvido dela.

Dayse apenas concordou, mas, quando começou a se afastar, Margareth segurou seu rosto com delicadeza, obrigando-a a sustentar o olhar.

— Eu não sei o que aconteceu entre vocês dois… — disse, em tom calmo, mas seguro — mas sei que tudo vai se resolver.

Dayse ficou em silêncio.

— Tenha paciência com o meu neto — continuou Margareth — ele é impulsivo, cabeça dura, arrogante… mas nunca se apaixonou antes.

A palavra ficou no ar.

Apaixonado.

Dayse sentiu o corpo reagir antes mesmo de conseguir pensar com clareza.

Edward… apaixonado? Ela queria acreditar, queria mesmo, mas a lembrança da noite anterior veio na mesma hora, direta e fria, cortando qualquer possibilidade.

Tudo não passava de um acordo. Um contrato assinado com data de validade, nada além disso.

Ela forçou um sorriso.

— Vai ficar tudo bem — respondeu, mesmo sem acreditar completamente.

Margareth acariciou o rosto dela com suavidade, como se enxergasse muito mais do que estava sendo dito.

— Nos vemos em breve — completou — vou te ligar para marcarmos um almoço. Pode ser?

— Sim… claro.

A resposta saiu automática.

Margareth assentiu, satisfeita, Dayse apenas concordou, sentindo o peito apertar sem saber exatamente por quê.

Beatrice apareceu logo em seguida, animada demais para alguém que claramente não tinha percebido o que estava acontecendo.

— Ah, não acredito que vocês já vão! — disse, segurando o braço de Dayse — a gente ainda tinha que aproveitar a piscina.

Dayse sorriu, automático.

— Fica para a próxima.

— Vai ter próxima, né? — Beatrice insistiu, empolgada.

Dayse hesitou por um segundo curto demais para qualquer um ali perceber.

— Vai.

Mentiu sem esforço.

Do outro lado, Adrian observava tudo em silêncio.

O olhar dele alternava entre Edward e Dayse, atento demais, analisando cada detalhe, cada pausa, cada reação contida. Ele conhecia o amigo o suficiente para saber que aquilo não era normal.

Edward estava quieto.

Quieto demais.

E isso nunca era um bom sinal.

Adrian esperou o momento certo, observando Edward por alguns segundos antes de se aproximar, o corpo ainda relaxado por fora, mas o olhar atento demais para alguém que conhecia cada mudança de comportamento do amigo.

— Aconteceu alguma coisa?

Edward não respondeu na hora.

Ele apenas tirou o celular do bolso, olhou rapidamente para a tela como se estivesse checando algo importante e, em seguida, guardou o aparelho de volta na bermuda com um movimento controlado, quase mecânico.

— Liliana terminou de rever os contratos com a filial de Cingapura, vou me encontrar mais tarde com ela. — disse, direto, como se aquela fosse a única coisa relevante ali — talvez eu precise viajar até lá para formalizar tudo.

Adrian não desviou o olhar.

Dayse tentou se recompor, cruzando os braços, sustentando a postura.

— Não estou.

Clara soltou um suspiro curto pelo nariz, impaciente.

— Está sim… e não é de raiva. Você está assim desde que ouviu ele falando com a despeitada no telefone.

— Você está delirando.

Clara inclinou levemente a cabeça, suavizando o tom, mas não a intensidade.

— Dayse… eu te conheço. Você está com ciúmes e se está com ciúmes é porque já está envolvida demais.

Dayse não respondeu, mas também não negou.

— Ele está irritado, Dayse… — disse, mais baixo — irritado de um jeito que não tem nada a ver com trabalho. E você sabe disso.

Dayse respirou fundo e Clara cruzou os braços agora, espelhando a postura dela, mas o olhar permaneceu firme.

— E quer saber? Eu nem estou preocupada com ele agora. Estou preocupada com você.

Dayse fechou os olhos por um segundo rápido demais. Quando abriu, o controle já estava de volta, ou pelo menos… parecia.

— Não precisa.

Clara ergueu uma sobrancelha.

— Não?

— Não.

Clara soltou um suspiro leve, inclinando o rosto apenas para olhar nos olhos de Dayse.

— Você pode até repetir que é um contrato, que é um acordo, que não significa nada… — o olhar dela analisou cada microexpressão — mas o jeito que você está reagindo… e o jeito que ele está tentando se controlar…

Dayse ficou em silêncio.

Clara inclinou levemente a cabeça, mais suave, mas ainda direta.

— Só me diz uma coisa… se ainda é só um jogo… por que vocês dois estão agindo assim?

Dayse não respondeu a pergunta de Clara, mas a pergunta que ficou de fato na sua mente foi se isso ainda era só um jogo, porque era tão difícil fingir que não importava?

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