“O problema nunca é o silêncio… é tudo o que ele impede de ser dito.”
O trajeto de volta para casa foi um tormento.
Começou no momento em que Edward deu a partida no carro. Ficou claro que nenhum dos dois iam falar sobre o que havia acontecido nos final de semana, por mais que ambos soubessem que depois de tudo, nada seria como antes.
Dayse manteve o olhar fixo pela janela, o corpo estava levemente virado para o lado, os braços permaneciam cruzados sobre o peito, numa tentativa de se manter controlada, enquanto a respiração saía mais irregular do que deveria, denunciando algo que ela não estava disposta a admitir em voz alta.
Edward, por outro lado, mantinha as duas mãos firmes no volante. Os dedos apertavam o couro, a mandíbula estava travada de forma quase imperceptível e o olhar se mantinha fixo na estrada, como se qualquer desvio de atenção pudesse levá-lo a fazer exatamente o que estava tentando evitar desde que saíram da casa.
Nenhum dos dois falou, mas de uma certa forma, ambos se comunicavam.
Através do jeito como ela prendia a respiração quando ele mudava a marcha. No modo como ele evitava olhar para o reflexo dela pelo retrovisor. Na pausa longa demais sempre que o carro diminuía a velocidade.
Quando finalmente pararam em frente ao prédio dela, Edward desligou o motor, mas permaneceu imóvel por um segundo curto demais para parecer natural, como se estivesse organizando alguma coisa antes de agir.
Então abriu a porta, saiu do carro sem olhar para ela e deu a volta com passos firmes, abrindo o porta-malas e pegando a mala de viagem dela com um movimento direto, funcional, evitando qualquer gesto que pudesse parecer pessoal demais.
Dayse saiu logo depois.
O salto tocou o chão, e ela ajustou a bolsa no ombro, respirando fundo antes de se aproximar, mantendo uma distância segura, como se aquilo fosse suficiente para manter o controle da situação.
Ela abriu a boca para dizer alguma coisa, mas ele se antecipou falando primeiro.
— Talvez eu precise viajar para Cingapura amanhã — disse, mantendo o olhar na mala por um segundo antes de finalmente levantar — ficarei por lá até, no máximo, quarta-feira.
A informação saiu limpa, profissional. Sem espaço para interpretação.
Dayse assentiu uma vez.
O movimento foi pequeno, contido, quase automático.
— Certo.
Edward levantou o olhar completamente dessa vez, encontrando o dela de forma direta, sem recuo, e pela primeira vez desde que saíram da casa, Dayse não desviou, mesmo sentindo o impacto do peso daquele contato.
— Boa viagem — disse, mantendo a voz estável, embora a respiração não a acompanhasse totalmente.

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