“O pior tipo de silêncio é aquele que faz você começar a imaginar coisas que não queria sentir.”
Alguns dias já começam ruins… e depois ficam traumáticos.
Dayse girou a chave na fechadura com o ombro, deixando a mala bater contra a perna como um peso morto. A cabeça ainda girava com o silêncio de Edward, com o encontro que ele teria logo mais com Liliana e agora essa provável viagem.
Tudo o que ela queria era um banho quente, um sofá e talvez chorar escondido debaixo da coberta.
Empurrou a porta e…
— AI, MEU DEUS DO CÉU!
O grito saiu agudo, quase animal.
No sofá da sala, seu sofá cinza de três lugares, o que ela tinha comprado com o primeiro salário decente que recebeu quando foi promovida na empresa, Marina estava montada em Daniel, com os cabelos bagunçados, a blusa embolada na cintura, enquanto seu irmão estava completamente nu, com as mãos firmes na cintura da amiga, e os dois transavam sem qualquer pudor.
Marina reagiu primeiro.
Com um empurrão desesperado, jogou Daniel para o lado fazendo ele rolar do sofá direto no tapete, exibindo tudo. Absolutamente tudo. Incluindo o fato de que estava muito, muito feliz antes da interrupção.
Dayse tapou os olhos com as duas mãos, mas abriu os dedos por acidente.
— MEU DEUS, MARINA! NO MEU SOFÁ?!
— Dayse, espera! Eu… eu… — Marina, vermelha como um tomate maduro, puxou o lençol que estava jogado no encosto e enrolou no corpo como se fosse uma toga de emergência. — Eu pensei que você só chegaria à tarde! Você disse que chegava…
Daniel se levantou, ainda pelado, tentando recuperar o equilíbrio. O corpo todo suado, o cabelo desgrenhado, e aquela parte dele ainda… em posição de sentido.
Dayse virou o rosto tão rápido que quase torceu o pescoço.
— DANIEL, PELO AMOR DE DEUS, COBRE ISSO! EU NÃO QUERO VER O MEU IRMÃO DURO NA MINHA SALA!
— Caralho, Dayse! — pegou a cueca do chão com uma mão e a calça com a outra, pulando num pé só enquanto tentava se vestir. — Você não sabe bater na porra da porta da sua própria casa?!
— É A MINHA CASA, SEU IDIOTA!
Marina, ainda enrolada no lençol, tentava esconder o rosto com uma das mãos enquanto a outra segurava o tecido contra o peito.
— Foi… foi só… a gente… sei lá, a gente tava conversando e… uma coisa levou à outra e…
Dayse baixou as mãos devagar, deixando o choque dar lugar a uma compreensão lenta e hilária. Olhou para Marina. Olhou para Daniel, que ainda tentava se trocar.
— O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI, DANIEL?

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