“O problema nunca é desejar alguém… é perceber que, pela primeira vez, o desejo já não parece suficiente.”
O silêncio dentro do carro não era confortável, nem vazio, nem suportável, e talvez fosse exatamente isso que estivesse começando a destruir o pouco controle que ainda restava nele desde o momento em que deixou Dayse no apartamento sem dizer nada do que realmente queria dizer.
Edward manteve as duas mãos firmes no volante enquanto atravessava as ruas de Manhattan, mas a tensão nos dedos denunciava um estado de irritação muito mais profundo do que ele estaria disposto a admitir em voz alta, porque, por fora, continuava parecendo o mesmo homem controlado de sempre, o CEO frio, racional e inalcançável que sabia exatamente como separar desejo de sentimento, sexo de envolvimento, prazer de qualquer coisa emocionalmente perigosa.
O problema era que, naquele momento, nem ele próprio acreditava mais nisso.
A mandíbula permanecia travada de forma constante enquanto o olhar seguia fixo na avenida à frente, como se desviar a atenção por poucos segundos fosse suficiente para fazê-lo voltar o carro, subir até o apartamento dela e fazer exatamente aquilo que passou o trajeto inteiro tentando não fazer.
Beijá-la.
Não um beijo rápido, nem uma provocação, ou apenas desejo.
Ele queria sentir Dayse de verdade.
Queria a boca dela sem resistência, as mãos dela segurando seu rosto sem hesitação, o corpo dela encostado no dele não apenas por desejo, mas porque ela realmente queria estar ali.
E era exatamente isso que o deixava furioso.
Edward soltou uma respiração lenta pelo nariz enquanto passava a mão pelos cabelos de forma impaciente, sentindo a memória daquela manhã voltar com uma clareza irritante demais para ser ignorada, porque, por mais intensa que tivesse sido a noite entre eles, a sensação que ficou depois não foi satisfação.
Foi frustração.
Dayse fez com ele exatamente o que ele passou anos fazendo com mulheres sem nunca se importar com as consequências.
Ela entregou prazer.
Entregou o corpo.
Entregou desejo.
Mas manteve distância de todo o resto, como se qualquer gesto minimamente emocional representasse um risco grande demais para permitir.
E talvez fosse isso que estivesse incomodando tanto.
Não o sexo. Nunca foi o sexo. Foi o jeito como ela desviou o rosto quando ele tentou beijá-la depois. O jeito como evitou sustentá-lo no olhar. O jeito como parecia determinada a transformar aquilo em apenas uma troca física, como se estivesse deixando claro que ele podia tocar o corpo dela, mas não chegar perto de qualquer coisa mais profunda.
Uma risada baixa e amarga quase escapou quando o carro parou no sinal vermelho.
Porque aquilo era ridículo. Patético até.
Durante anos ele foi exatamente esse homem.
O homem que nunca prometia nada além de prazer.
O homem que saía primeiro.
O homem que mantinha distância emocional suficiente para nunca correr o risco de precisar de alguém.
Então por que caralho aquilo parecia tão diferente agora?
Os dedos apertaram o volante com mais força enquanto ele observava a própria expressão refletida no vidro escuro do carro ao lado, percebendo o maxilar rígido, os olhos endurecidos e aquela irritação constante que não diminuía desde Hamptons.
Não era amor. Não podia ser.
Era controle. Precisava ser.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe