“Algumas mentiras deixam de parecer temporárias no momento em que começam a atingir as pessoas que amamos.”
O problema das mentiras nunca é começar… é perceber o momento exato em que elas deixam de parecer mentira.
Dayse ainda permanecia deitada no colo de Marina quando a porta do apartamento voltou a abrir, revelando Daniel carregando duas sacolas enormes de mercado, um pacote de farmácia equilibrado debaixo do braço e uma expressão orgulhosa demais para alguém que tinha sido flagrado completamente nu menos de vinte minutos antes.
— Trouxe reforços emocionais! — anunciou enquanto fechava a porta com o pé. — Sorvete, brigadeiro, chocolate, salgadinho, energético, refrigerante e… — ergueu uma sacola branca — remédio pra dor de cabeça porque você tá claramente com cara de quem quer cometer um homicídio.
Marina soltou uma risada baixa enquanto terminava de ajeitar a camiseta larga que tinha pegado emprestada no armário de Dayse, agora finalmente vestida e aparentemente recuperada do trauma do flagrante.
— O milagre da humanidade moderna — murmurou ela. — Um homem útil depois do sexo.
— Engraçadinha — rebateu Daniel, estreitando os olhos antes de caminhar até a cozinha.
Dayse finalmente se sentou no sofá, puxando os cabelos para trás enquanto soltava o ar lentamente, tentando organizar a própria cabeça, porque, honestamente, ela já não sabia se estava mais cansada emocionalmente por causa de Edward ou traumatizada pelo fato de ter visto o próprio irmão pelado na sala.
Daniel voltou poucos segundos depois carregando uma colher na boca e um pote de brigadeiro na mão.
— Tá. Agora sim. Sessão terapia oficialmente aberta.
Ele se jogou na poltrona da frente, abrindo as pernas de forma relaxada, mas a expressão divertida diminuiu aos poucos no instante em que seus olhos pararam na mão esquerda dela.
Mais especificamente no anel.
Daniel franziu a testa imediatamente arregalando os olhos logo em seguida.
— Não acredito nisso.
Dayse sentiu o estômago despencar no mesmo segundo.
Merda.
Ela tinha esquecido completamente do anel.
Daniel se inclinou para frente devagar, apontando diretamente para a mão dela.
— Não… não… não me diz que você voltou com aquele idiota do Peter?
Marina virou o rosto tão rápido que quase engasgou com o refrigerante.
Dayse arregalou os olhos no mesmo instante, levando a mão automaticamente até o anel grande, brilhante e chamativo demais para continuar despercebido.
Droga.
Ela deveria ter tirado aquilo antes de entrar.
Soltou o ar lentamente enquanto fechava os olhos por um segundo breve, percebendo que não existia mais nenhuma forma minimamente inteligente de fugir daquela conversa.
— Não voltei com o Peter.
Daniel continuou encarando ela em silêncio, claramente esperando o resto.
Dayse passou a mão pela testa devagar antes de finalmente falar:
— Eu… estou noiva.
O silêncio que caiu na sala foi imediato.
Daniel piscou uma vez, depois outra. Como se o cérebro estivesse tentando processar a frase e simplesmente recusasse a informação.
— Você o quê?
Marina mordeu o lábio, claramente tentando não rir da expressão dele.
Dayse sentiu o rosto aquecer imediatamente e fingiu interesse na embalagem de salgadinho sobre a mesa, incapaz de sustentar o olhar do irmão.

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